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Após reter jogadores do Irã, EUA repetem que não permitirão 'terroristas'

por Folhapress
Publicado em 16/06/2026 às 14:09
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WASHINGTON D.C., EUA (UOL/FOLHAPRESS) - Após o primeiro jogo do Irã em território norte-americano na noite desta segunda-feira (15), houve um novo incidente com parte da equipe, retida para averiguações no aeroporto de Los Angeles. Os Estados Unidos disseram à reportagem que não permitirão que a seleção iraniana "abuse do sistema de vistos para infiltrar terroristas nos EUA sob falsos pretextos".

A manifestação desta terça-feira (16) foi feita por um porta-voz do Departamento de Estado, após questionamentos da reportagem sobre as circunstâncias em que a saída dos iranianos acabou atrasada.

O atacante Medhi Taremi e o auxiliar Saeid Alhouei acabaram retidos por autoridades dos EUA no aeroporto. A ocorrência foi divulgada pela Federação Iraniana de Futebol, que não explicou quanto tempo durou o episódio nem como foi justificado ou solucionado.

Não é a primeira vez que autoridades americanas justificam suas restrições ao Irã recorrendo ao argumento do risco de terrorismo e à segurança interna do país. Não há precedentes na história das Copas do Mundo de que um país anfitrião do torneio sedie a competição enquanto está em guerra com um dos países participantes do Mundial.

O UOL questionou também o CBP, órgão de controle e patrulha de fronteiras que atua nos aeroportos, mas não obteve resposta até a publicação desta reportagem.

"SELEÇÃO OPRIMIDA", DISSE TÉCNICO

O técnico da seleção iraniana, Amir Ghalenoei, expressou frustração ao dizer que a delegação foi informada, após o empate por 2 a 2 com a Nova Zelândia, que teria que se deslocar imediatamenta para Tijuana, no México, onde está baseada.

"O planejamento da nossa equipe é feito em um lugar, mas a decisão final é tomada em outro. Deveríamos ter vindo para Los Angeles duas noites antes do jogo, mas não permitiram. Nosso plano era ficar aqui esta noite, descansar e voltar nesta quarta-feira (17) à tarde, mas mesmo assim não permitiram, e eu não sei o porquê. É por isso que digo que a seleção iraniana é talvez a mais oprimida da história da Copa do Mundo", disse Ghalenoei.

Segundo a federação iraniana, há ainda outro problema para a equipe para o segundo jogo no torneio. O atacante Mehdi Torabi teria obtido visto para entrada única nos Estados Unidos e agora precisaria de uma nova autorização de entrada para as próximas partidas, o que já teria sido pedido.

Questionado sobre se ainda haveria pendências na documentação para autorização de entrada nos EUA em relação à seleção iraniana, o porta-voz do Departamento de Estado disse ao UOL que "os vistos necessários para o Irã competir na Copa do Mundo, incluindo os de atletas e da equipe de apoio indispensável, foram emitidos".

O QUE DIZ A FIFA

A situação da seleção iraniana, que originalmente deveria estar baseada no Arizona, nos EUA, e permanecer em território norte-americano para as partidas do Grupo G, do qual que faz parte, pode configurar uma violação a dois artigos do regulamento da Copa do Mundo da Fifa.

Segundo o colunista do UOL Rodrigo Mattos, o artigo 17 diz que cada time participante tem o direito de jogar partidas amistosas até 5 dias antes do início do torneio em um dos países sede e o artigo 18 determina que cada seleção deve chegar ao país sede de seu primeiro jogo da fase de grupo 5 dias antes de sua estreia. Nada disso foi cumprido no caso do Irã.

Nesta segunda-feira (15), enquanto o time estava no Estádio de Los Angeles, o presidente da Fifa Gianni Infantino foi ao vestiário agradecer à delegação iraniana por sua presença no evento. "Obrigado por estarem aqui. Eu sei pelo o que vocês passaram, eu entendo, mas vocês são mais fortes do que tudo. Vocês mandaram uma mensagem muito forte para o mundo inteiro", disse Infantino.

O presidente da Fifa é aliado político do presidente dos EUA Donald Trump, a quem deu um inédito prêmio da paz meses antes do início do conflito com o Irã. Questionado às vésperas da abertura dos jogos sobre a política restritiva de entrada dos americanos contra o Irã e outros países, Infantino disse que esta é uma decisão soberana dos chefes de Estado dos países anfitriões.