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Ainda em negociações, EUA dizem ter abatido drones iranianos em Hormuz

por Folhapress
Publicado em 13/06/2026 às 12:54
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SÃO PAULO, SP (UOL/FOLHAPRESS) - Os EUA dizem ter derrubado drones iranianos que miravam navios comerciais no Estreito de Hormuz, em meio a negociações para encerrar a guerra no Oriente Médio.

Intercepção ocorreu na madrugada deste sábado, segundo o Comando Central dos EUA (Centicom). Em publicação na rede X, o comando afirmou: "As forças dos EUA derrubaram todos eles nas últimas horas, enquanto o fluxo de tráfego pelo estreito segue sem interrupções".

Militares americanos afirmam que o Irã lançou "múltiplos drones de ataque de uso único" para tentar atingir embarcações que atravessavam a rota. O Centicom também disse que o Estreito de Ormuz permanece aberto à navegação, apesar do bloqueio imposto pelo Irã desde o início da guerra.

A ação foi relatada poucas horas depois de sinais de otimismo sobre um possível acordo entre Washington e Teerã. As conversas, mediadas pelo Paquistão, se arrastam há semanas e ocorreram sob um cessar-fogo considerado frágil, firmado em abril.

NEGOCIAÇÃO AVANÇA, MAS REAÇÕES DIVERGEM

O chanceler iraniano, Abbas Araghchi, indicou que o entendimento está perto, mas evitou cravar um desfecho. Em publicação nas redes sociais, ele escreveu: "O Memorando de Entendimento de Islamabad nunca esteve tão próximo".

Ao mesmo tempo, a emissora estatal iraniana IRIB atribuiu a Araghchi a avaliação de que ainda não há certeza de um acordo completo. Em entrevista à TV estatal, ele disse que o texto discutido prevê o fim do bloqueio naval americano a portos iranianos e mudanças ainda não detalhadas na administração do Estreito de Hormuz.

Araghchi também afirmou que o destino do urânio enriquecido do país seria resolvido dentro do próprio Irã. A versão iraniana contrasta com declarações de autoridades americanas e de Israel, aliado dos EUA, que defendem a retirada do material nuclear enriquecido do território iraniano.

PAQUISTÃO E EUA FALAM EM ACORDO PRÓXIMO

O primeiro-ministro do Paquistão, Shehbaz Sharif, disse que um texto final já estaria pronto. "A paz nunca esteve tão próxima quanto agora", afirmou, embora tenha citado "desinformação incessante" em torno das negociações.

Um alto funcionário americano também projetou assinatura em breve, mas disse que ainda não é certo. "Se você me perguntasse pela manhã qual era meu grau de confiança de que assinaríamos esse acordo, eu diria cerca de 75%. Agora, provavelmente está mais perto de 80% a 85%, mas ainda não é 100%", declarou a jornalistas.

A Suíça informou que manteve contato com os dois países e se ofereceu para sediar uma eventual assinatura. Araghchi, porém, disse que, quando o texto estiver concluído, a assinatura deve ocorrer de forma remota, possivelmente nos próximos dias.

DINHEIRO E PROGRAMA NUCLEAR SEGUEM NO CENTRO DA DISPUTA

Um ponto sensível é o que aconteceria com ativos iranianos congelados e com o programa nuclear do país. A agência Mehr afirmou, citando uma fonte próxima à equipe negociadora iraniana, que o acordo incluiria a liberação de US$ 24 bilhões, mas autoridades americanas indicaram condicionantes.

Segundo um alto funcionário da Casa Branca à AFP, o Irã aceitaria desmontar o programa nuclear, destruir o estoque de urânio enriquecido e reabrir o Estreito de Hormuz. O vice-presidente dos EUA, JD Vance, disse: "O Irã não receberá dinheiro e nenhum recurso será liberado simplesmente por assinar um acordo ou participar de uma reunião".