'A Copa significa tudo', diz torcedora no Anhangabaú após eliminação do Brasil
SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Vera Lucia da Silva, 50, parecia não acreditar nos telões que exibiam a eliminação do Brasil na Copa do Mundo de 2026.
Ela assistia ao jogo contra a Noruega com o filho, Murilo, 11, em fan fest gratuita no Vale do Anhangabaú, na região central de São Paulo, no final da tarde deste domingo (5).
"A Copa significa tudo, porque somos brasileiros", disse ela à Folha.
Vera continuou próxima aos telões por alguns minutos após o término do jogo, enquanto o público deixava o evento de cabeça baixa, em silêncio. "Faltou mais gol", afirmou.
"Faltou encarar a rede. A Noruega não jogou melhor no primeiro tempo. O segundo não foi equilibrado [para o Brasil]", analisou.
Vera e Murilo, vestidos de verde e amarelo, acompanhavam a partida tensos, apoiados na grade. Antes do primeiro gol da seleção norueguesa, faziam barulho com vuvuzelas. Depois, a folia deu lugar ao silêncio.
"Eu acreditei até o fim", falou Vera.
Antes do início do jogo, Murilo conversou com a reportagem e disse estar animado para o duelo pelas oitavas de final do Mundial. "Vini Junior é bom, joga bem demais. Vai fazer dois gols."
O placar, porém, não se concretizou, e o Brasil perdeu por 2 a 1, dando adeus à sexta estrela neste ano. O último título da seleção em Copas foi em 2002, com a conquista do penta.
No segundo tempo, o primeiro gol de Haaland deixou os brasileiros em silêncio. Um pequeno grupo de fãs tentou puxar o coro "eu sou brasileiro com muito orgulho, com muito amor", mas não vingou. Os torcedores seguiam tensos.
O público começou a ir embora no segundo gol do camisa 9, aos 45 minutos, antes mesmo dos acréscimos. Torcedores balançavam a cabeça negativamente ao tentar assimilar o maior jejum de títulos em Copas do Mundo da seleção.
Nos acréscimos, a cobrança de pênalti de Neymar, bem -sucedida, deixou os torcedores esperançosos, à espera de um milagre --que não aconteceu.
OTIMISMO FRUSTRADO
O frio não afastou os brasileiros que foram ao centro de São Paulo para assistir ao mata-mata contra a Noruega. Antes do início do jogo, a reportagem conversou com torcedores, que demonstravam confiança e diziam ter certeza da vitória da seleção canarinho. Muitas vuvuzelas eram tocadas.
O estudante Miguel Sindice, 12, contou que esperava 2 a 1 para o Brasil, com gols de Endrick, seu jogador favorito, e de Matheus Cunha. "Com Carlo Ancelotti, a seleção vai jogar bem, vai ter boa técnica. Aqui é Brasil", disse.
Durante a apresentação das seleções, o nome de Vini Jr. foi um dos mais celebrados pelo público. Do lado norueguês, a imagem de Haaland chegou a provocar alguns gestos obscenos.
Logo no início do primeiro tempo, o gol da Noruega anulado por impedimento passou quase despercebido. A jogada foi rápida e a confirmação da irregularidade veio logo em seguida, sem dar tempo para uma reação mais intensa do público.
Ainda no primeiro tempo, o pênalti desperdiçado por Bruno Guimarães arrancou um grande "uuuuuh" do público. A lamentação foi seguida por mãos na cabeça, em expressões de incredulidade. Aos 34 minutos, Vini Jr. tentou finalizar, arrancando outro "uhhh" da torcida.
O publicitário Renavam Ralf, 49, acompanhou o jogo na grade, próximo ao telão, nervoso, com braços cruzados. Vestia a camisa da seleção, uma bandana com a bandeira brasileira e ainda exibia traços de tinta verde e amarela no rosto.
"Acho que falta mais estratégia do técnico [Carlo Ancelotti], ele é um pouco cabeça dura. Eu colocaria o Neymar. Ele tem muita raça, técnica e experiência", analisou.
Para Ralf, o primeiro tempo do Brasil foi bom, mas precisava de ajustes. "A seleção ainda está deixando espaço pra Noruega crescer. Não conseguiu acertar nessa questão da finalização, mas é uma questão de pouco tempo", disse.
Os olhos dos torcedores continuaram atentos aos telões no segundo tempo.
A entrada de Endrick, camisa 19, foi recebida com entusiasmo pela torcida. As vuvuzelas voltaram a soar com força, enquanto parte do público pulava e erguia os braços em comemoração. Pouco depois, o atacante arriscou uma finalização. A animação, que havia diminuído ao longo da partida, parecia renovada.
Cada desarme da defesa brasileira também era aplaudido. Quando Rayan apareceu com perigo no ataque, a torcida voltou a se empolgar e até bateu leques para fazer barulho.
Neymar também foi muito celebrado pelo público. Ralf pulava, aplaudia e repetia, empolgado: "É o Neymar!".
Entre os torcedores também estava Telvanis Cortes, 69, aposentada. Ela usava brincos com a bandeira do Brasil, estrelas verdes, amarelas e azuis coladas ao rosto e segurava um cachecol amarelo.
"Estou nervosa, com as mãos geladas", contou. "Mas confiante de que o Brasil vai ganhar." Naquele momento, a partida seguia empatada em 0 a 0.
Ao longo do jogo, as defesas de Alisson eram como um alívio. Do outro lado, cada defesa do goleiro norueguês era acompanhada por um longo "uuuuh" de frustração.
Com o passar dos minutos, a tensão tomou conta do Anhangabaú. Os torcedores passaram a assistir ao jogo em silêncio, atentos a cada lance. Alguns mantiveram vuvuzelas paradas na boca, sem reação.