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Como uma decoração versátil pode transformar sua casa no local perfeito para encontros

Modulares e adaptáveis a cada evento, áreas sociais da casa agora priorizam a convivência e focam no contato humano, longe das telas

por Agência Estado
Publicado há 4 horas
Mesa de refeições volta à cozinha, que  agora tem prateleiras abertas que  revelam memórias afetivas (Denilson Machado MCA/Divulgação)
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Mesa de refeições volta à cozinha, que agora tem prateleiras abertas que revelam memórias afetivas (Denilson Machado MCA/Divulgação)
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Durante décadas, o desenho da sala de estar foi marcado por um padrão quase cristalizado: sofás alinhados diante da televisão, poltronas em oposição e mesas de centro que mais dificultavam do que favoreciam o encontro. Reflexo da crescente valorização do “estar em casa”, uma transformação discreta, mas vigorosa, começa a se afirmar: mais circulares, modulares e dinâmicas, as áreas sociais da casa passam a priorizar a convivência, colocando a tela em segundo plano e focando mais no contato humano.

Nas cozinhas, o panorama aponta na mesma direção. Antes projetadas apenas para cumprir funções práticas e exibir elegância, hoje elas são desenhadas também para acolher. Além da mesa de refeições, que volta ao cômodo, prateleiras abertas revelam preferências culinárias e memórias afetivas, enquanto as ilhas de preparação assumem o papel de coração da casa, reunindo, ao redor do fogo, os moradores e seus convidados. Cozinhar transforma-se, assim, em ato coletivo, e o espaço da cozinha em local de encontros.

Não por acaso, a marca italiana Tacchini apresentou, no último Salão do Móvel de Milão, um conjunto de assentos que reproduziam pedras de diferentes tamanhos. Na prática, são módulos que podem ser espalhados livremente pelos ambientes, permitindo que se transformem rapidamente: ora servindo de cenário para um jantar íntimo, ora como espaço para uma conversa descontraída entre amigos. Na essência da proposta, está a ideia de que o espaço deve acompanhar o ritmo da vida, adaptando-se às necessidades de cada momento.

Curingas da decoração

No melhor estilo dos speakeasy norte-americanos – bares inspirados nos estabelecimentos clandestinos da Lei Seca, com entradas camufladas, móveis baixos e atmosfera intimista –, pufes e banquinhos voltam com força. Antes vistos como simples acessórios, ganham agora protagonismo inédito na decoração, em sintonia com um viver mais descontraído: em meio a aperitivos compartilhados, jogos de cartas entre amigos e longos papos madrugada adentro.

Curingas da decoração, as mesas de apoio também conquistam cada vez mais espaço nas salas de estar, como peças indissociáveis de sofás e poltronas. Para esses móveis, elas funcionam como suporte dos mais diversos objetos durante os momentos vividos em grupo. Por serem leves e menores, os novos modelos podem ser deslocados facilmente para perto de quem precisa apoiar um copo, um livro ou até um prato, evitando que todos dependam de uma mesa central, na maioria das vezes distante.

Toda essa versatilidade permite que os convidados se acomodem em círculos, sem perder a praticidade. Em vez de impor uma disposição fixa, as mesas de apoio respondem ao atual movimento de aproximar as pessoas, tornando os ambientes mais fluidos e dinâmicos. Em todos os casos, cumprem um objetivo essencial: criar proximidade, estimular o olhar direto e valorizar os encontros.

Mesa como cenário

Seja qual for o seu formato – retangular, quadrado, redondo ou orgânico –, a mesa de refeições deve sempre ser pensada como um círculo, porque o que importa, mais do que qualquer acessório decorativo, é a sensação de proximidade que se deve estabelecer entre os convidados. Velas baixas, frutas frescas e detalhes artesanais são sempre bem-vindos, desde que não ergam barreiras visuais.

Pequenos arranjos com folhagens, ramos discretos ou elementos sazonais – como pinhas, romãs ou cítricos – são os mais recomendados, por imprimirem cor e textura a qualquer composição, sem competir com os pratos e copos. Mas, caso a escolha for por um arranjo central, o melhor a fazer é apostar em composições baixas e equilibradas. O segredo está em pensar na mesa como um cenário: sua decoração deve emoldurar o encontro, mas nunca disputar com ele ou impedir que os convidados se comportem com naturalidade.

Projetar espaços que aproximam as pessoas é reconhecer que a casa não é apenas abrigo, mas local de encontros. É entender que, mais do que um fim em si mesma, a decoração pode aproximar as pessoas. Ao reorganizar os sofás, optar por pufes ou desenhar cozinhas abertas, estamos, na verdade, pensando naqueles que vão ocupar esses espaços. E talvez esse seja o maior presente que você pode oferecer aos seus convidados: uma casa que acolhe e celebra os encontros.