Como acertar nas texturas para deixar a casa mais acolhedora
Da escolha dos revestimentos aos detalhes, as texturas ajudam a criar profundidade visual, conforto sensorial e ambientes mais agradáveis de se viver

Depois que as principais escolhas do projeto já foram definidas, como os revestimentos e cores, é comum que um elemento mais discreto acabe passando despercebido...a textura. Silencioso, mas cheio de impacto, esse aspecto costuma influenciar a forma como percebemos os espaços, e trabalhá-lo em diferentes relevos, tramas e acabamentos pode parecer só um mero detalhe, mas tem um efeito real no estilo e no impacto desejado.
Segundo os arquitetos Mariana Meneghisso e Alexandre Pasquotto, à frente da Meneghisso & Pasquotto Arquitetura, há uma relação ativa entre textura e bem-estar. "A textura é uma das dimensões sensoriais mais poderosas do espaço. Nosso cérebro não percebe o ambiente apenas visualmente, ele também 'lê' o mundo por meio do tato, mesmo quando não tocamos diretamente nas superfícies", enfatizam.
Por isso, quando adentramos ambientes compostos apenas por materiais lisos e uniformes podemos captar como um espaço frio ou impessoal, enquanto outros com variações naturais costumam transmitir maior acolhimento.
Tendência
Nos últimos anos, os projetos de interiores passaram por um novo marco depois de um longo período de superfícies lisas, frias e homogêneas, agora, a materialidade voltou a ganhar destaque e trouxe uma grande valorização dos acabamentos que estimulam o olhar e o toque.
Mas esse movimento não aconteceu por acaso. Para Mariana Meneghisso, cada vez mais os materiais são escolhidos pela experiência que proporcionam. "Sofás, cabeceiras, poltronas e painéis passaram a incorporar tecidos com mais presença sensorial, como bouclé, linho lavado e veludos naturais, que criam profundidade e convidam ao contato", afirma.
Essa valorização das texturas também se reflete em elementos como tapetes, que passaram a explorar diferentes desenhos com alturas de fios diversos, desenhos em relevo e combinações naturais. Em vez de cumprir apenas a função de delimitar áreas ou acrescentar cor, agora são uma camada de conforto visual importante.
Combinando
Quando tratamos de texturas, nunca devemos pensar em só uma. Misturar texturas é uma das formas mais eficientes de criar ambientes interessantes, mas também é um dos pontos que geram mais dúvidas porque se exagerar pode acabar criando um espaço pesado. Na prática, a questão não está necessariamente na quantidade de materiais utilizados, mas na coerência entre eles.
O segredo para um bom resultado está em trabalhar com uma lógica visual consistente. "Um ambiente pode ter várias texturas e ainda assim transmitir sensação de calma, desde que elas compartilhem de uma linguagem material. Fibras naturais, pedras, madeiras e tecidos orgânicos, por exemplo, conversam entre si porque possuem características semelhantes", diz Alexandre Pasquotto.
Outro recurso importante é equilibrar superfícies marcantes com outras mais suaves. E, lembrando que texturas não só englobam tecidos, uma pedra rústica, por exemplo, tende a ganhar leveza quando combinada com madeiras com grãos discretos, assim se cria ritmo visual e evita que o ambiente fique monótono.
Onde usar no lar?
As texturas podem aparecer em diferentes pontos da casa, sempre considerando a função de cada ambiente e a atmosfera desejada.
Nos quartos, voltados ao descanso, a escolha dos materiais tem impacto direto na sensação de conforto. Aqui, Mariana reforça que tecidos como linho, algodão e bouclé devem aparecer com frequência em cabeceiras estofadas, roupas de cama e cortinas leves, ajudando a criar um ambiente mais acolhedor e tranquilo.