VEÍCULOS

BYD e GWM vendem mais carros no exterior do que na China pela primeira vez

Em fevereiro, mais de 50% dos veículos comercializados pelas duas marcas foram destinados a outros mercados

por Agência Estado
Publicação em 22/03/2026
BYD exportou mais de 100 mil carros para outras regiões em fevereiro deste ano (Divulgação)
Galeria
BYD exportou mais de 100 mil carros para outras regiões em fevereiro deste ano (Divulgação)
Ouvir matéria

Não é só no Brasil que as fabricantes chinesas de automóveis estão ganhando mercados. Prova disso é que no último mês de fevereiro, BYD e Great Wall Motors (GWM), venderam mais carros fora da China do que em seu próprio país de origem.

A BYD, por exemplo, emplacou 190.190 unidades em fevereiro, sendo que 100.600 foram destinadas para outros mercados fora da China - o que representou cerca de 53% do volume global. É a primeira vez que as exportações superam as vendas domésticas.

O caso da GWM é bem parecido, mas o volume é consideravelmente menor. A marca registrou 72.600 vendas em fevereiro, sendo que 42.600 foram exportados para diferentes países. Ou seja, “somente” 30 mil ficaram na China.

O motivo? Bom, alguns. Primeiro é a guerra de preços na China que diminui as margens de lucros, a diminuição de incentivos governamentais, aumento da concorrência, além de um controle maior de gastos das montadoras e diminuição do apetite de compra dos consumidores.

E também não é de hoje também que as marcas chinesas perceberam que, com sua cadeia de suprimentos, produção de baterias (no caso de carros eletrificados) e a grande escala de produção conferem preços e vantagens competitivas, especialmente em mercados emergentes, frente aos concorrentes.

Em 2025, a China exportou mais de 2,6 milhões de carros para o exterior - o o dobro se comparado a 2024. Mas esta estratégia traz alguns riscos, como as recentes tensões comerciais da China com a Europa e a América do Norte, além do maior protecionismo, que dificultam e complicam a expansão das fabricantes.

Na China, crise?

As mais de 190 mil unidades vendidas pela BYD em fevereiro na China representam uma queda de nada menos que 41,1% em relação ao mesmo período do ano passado. Vale ressaltar que o feriado do Ano Novo Chinês, entre os dias 15 e 23 de fevereiro, impactaram o número de dias úteis e, consequentemente, o desempenho do mercado de carros chinês.

Se comparado com janeiro deste ano, quando o número chegou a 210.051 exemplares, a perda é de 9,5%. É o sexto mês consecutivo que a BYD registra declínio nos emplacamentos no país oriental.

Em relação às matrizes energéticas, os números mostram que os híbridos plug-in ainda são maioria, com 108.243 unidades. Já os elétricos responderam por 79.539 modelos. Os veículos comerciais, pouco mais de 2.400 unidades, consistiram em 334 ônibus elétricos e 2.074 vans e caminhões - elétricos ou PHEVs.