Vítima de feminicídio denunciou agressões à polícia de Rio Preto duas semanas antes de ser morta
Mulher de 29 anos relatou série de agressões e ameaças feitas pelo homem; nesta segunda, ele foi preso poucas horas após a mulher ser encontrada morta a facadas

Duas semanas antes de ser vítima de feminicídio, Karolayne Cristina Ferreira, 29 anos, havia procurado a Polícia Civil para denunciar uma série de agressões e ameaças feitas pelo pintor de paredes John Lenon Carvalho da Rocha, 33, com quem vivia em união estável havia cerca de oito anos, em Rio Preto. Nesta segunda, 2, ele foi preso poucas horas após a mulher ser encontrada morta a facadas.
No boletim de ocorrência registrado em 17 de janeiro de 2026, no Plantão Policial, a vítima relatou que tentava encerrar o relacionamento havia aproximadamente seis meses, período em que as agressões teriam se intensificado. Segundo o relato, o homem seria usuário de cocaína, tornava-se violento e a agredia com frequência.
Karolayne contou que, em uma das agressões mais graves, o companheiro tentou enforcá-la com um fio e chegou a colocar uma almofada sobre o rosto dela, impedindo sua respiração. A vítima conseguiu se desvencilhar. Ainda conforme o registro, ela era constantemente ameaçada, inclusive com frases como “se você não for minha, não será de mais ninguém”, o que lhe causava temor.
A vítima também relatou que o agressor dizia portar uma arma de fogo. Embora não soubesse confirmar a existência da arma, afirmou que, em razão do histórico criminoso do companheiro, ele teria facilidade de acesso a esse tipo de armamento.
No boletim, Karolayne descreveu outras agressões físicas, verbais e psicológicas, incluindo queimaduras de cigarro no rosto, que deixaram cicatriz, além de xingamentos e humilhações constantes.
Na madrugada de 17 de janeiro de 2026, segundo a vítima, o agressor desferiu golpes com um martelo em seu rosto, braços e mãos. Ela afirmou que só conseguiu deixar a residência após a passagem de uma viatura da Polícia Militar em frente ao imóvel. A vítima estava na calçada, enquanto o agressor permanecia dentro da casa com o celular dela.
A equipe da PM entrou no imóvel, conversou com o homem e acompanhou a vítima para que pudesse recolher parte de seus pertences. Alguns objetos, segundo o boletim, teriam sido danificados pelo agressor. Com apoio dos policiais, Karolayne conseguiu reaver o celular e deixou o local para morar na casa do pai.
Temendo pela própria vida, a vítima solicitou medida protetiva de urgência e foi orientada a procurar atendimento médico em razão das lesões apresentadas. A autoridade policial determinou o registro da ocorrência e a adoção das providências cabíveis.
Na semana passada, Karolayne decidiu reatar o relacionamento e voltou a morar com John, desta vez em um quarto na casa do pai dele, no Estância Alvorada. Na manhã de segunda-feira, o suspeito saiu dizendo ao pai que procuraria emprego. Minutos depois, estranhando a demora da nora, o homem entrou no quarto e encontrou a jovem caída no chão, com ferimentos de faca nas costas e no abdômen.