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INQUÉRITO

Vereador de Catanduva é investigado por agredir ex-mulher e atirar no cunhado

Nesta terça-feira, 16, o parlamentar, que também é pastor, tem audiência na Justiça após ser denunciado por injúria contra uma mulher transexual

por Joseane Teixeira
Publicado em 16/06/2026 às 11:34Atualizado em 16/06/2026 às 11:35
Fórum de Catanduva (Colaboração/Leitor)
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A Polícia Civil de Catanduva vai requisitar imagens de uma empresa de inspeção veicular para esclarecer a dinâmica de um desentendimento familiar que ensejou um disparo de arma de fogo supostamente efetuado pelo vereador Pastor Júlio Zanini (PSD) contra o ex-cunhado na tarde desta segunda-feira, 15. Enquanto o parlamentar alega que o parente teria tentado tomar a arma dele, o homem ferido diz que Zanini atirou em seu pé durante a discussão. A ex-mulher do vereador, que estava envolvida na confusão, solicitou medida protetiva.

Segundo a Polícia Militar, os três estavam em estabelecimento de vistoria veicular, para tratar da entrega de veículo relacionado ao acordo de dissolução conjugal.

No local, iniciou-se discussão entre os envolvidos, a qual evoluiu para confronto físico. Durante a dinâmica, ocorreu disparo de uma pistola Glock calibre 380, pertencente ao vereador, que atingiu o pé esquerdo do ex-cunhado. Ele foi socorrido a um hospital da cidade e está fora de perigo.

Para o delegado Marcelo Augusto Dispore, as versões são divergentes quanto à dinâmica do disparo, principalmente porque os três envolvidos apresentavam lesões corporais.

A ex-mulher do vereador diz que ele lançou spray contra ela, puxou seus cabelos, e, posteriormente, atirou contra o irmão.

Já o parlamentar diz que foi agredido pela ex-mulher e cunhado, e que a arma disparou acidentalmente quando o homem tentou tomar a pistola.

O ex-cunhado nega que tenha tentado tomar a arma de Zanini.

A arma está documentada e regularizada.

“Embora seja evidente a gravidade dos fatos e necessária a apuração completa da ocorrência, esta Autoridade Policial não vislumbra, neste momento, elementos seguros, convergentes e inequívocos para lavratura de Auto de Prisão em Flagrante contra qualquer dos envolvidos. Ressalte-se que a decisão de não lavrar Auto de Prisão em Flagrante não importa em reconhecimento de inocência, mas apenas reflete a ausência, neste momento de plantão, de justa causa segura para a adoção da medida extrema de restrição imediata da liberdade”, escreveu o delegado Dispore.

Ele determinou a remessa do caso para o 1º Distrito Policial, que deverá analisar arquivos de áudio apresentados, solicitar imagens de câmeras de segurança e realizar perícias cabíveis.


Audiência de instrução


Nesta terça-feira, 16, o vereador tem um encontro marcado com a Justiça de Catanduva após ser denunciado pelo Ministério Público por injúria contra uma mulher trans.

Segundo informações do processo, após ver um vídeo (reels) em que a vítima foi batizada em uma igreja evangélica, Zanini, que também exerce o ministério em outra igreja, publicou em seu Instagram um vídeo perguntando a seus seguidores (mais de cinco mil pessoas) se uma pessoa trans pode ser batizada e inseriu, na legenda, um link que levava ao perfil da vítima, onde era possível visualizar o vídeo dela sendo batizada.

“O vídeo repercutiu e o denunciado, visando maior engajamento em suas redes sociais, postou novo vídeo, reforçando que não pode haver batismo de pessoas transexual”, consta em trecho assinado pelo promotor Gilberto Ramos de Oliveira Júnior.

Em defesa prévia, o vereador, representado pelo advogado Guilherme Aparecido dos Santos, justifica que apenas questionou se uma pessoa transexual pode ser batizada.

“A denúncia não aponta frase depreciativa, xingamento, imputação desabonadora ou expressão que, sob critério objetivo, configure ataque direto à dignidade da ofendida”, consta em trecho da defesa prévia.

A audiência de instrução está marcada para 15h30 na 1ª Vara Criminal.