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DESPEDIDA

Velório de padre que morreu na Ucrânia será na segunda-feira em Rio Preto

Corpo do religioso deve chegar em Guarulhos no domingo, 14, e ser encaminhado a Rio Preto, onde a despedida será no Santuário das Almas

por Redação
Publicado em 12/06/2026 às 10:18Atualizado em 12/06/2026 às 10:18
Padre Robson André Gavioli de Matos (Divulgação)
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Padre Robson André Gavioli de Matos (Divulgação)
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O velório do padre rio-pretense Robson André Gavioli de Matos, que morreu na Ucrânia, será realizado a partir das 6h desta segunda-feira, 15, no Santuário das Almas (Paróquia São João Batista), no Jardim Canaã, em Rio Preto. A missa de corpo presente está prevista para as 10h.

O corpo do padre, que morreu no sábado, 6, aos 36 anos devido a uma tromboembolia após cirurgia no joelho, deve chegar a Guarulhos no domingo, 14.

Ao meio-dia, será realizado o cortejo fúnebre com destino à cidade de Urânia, onde será celebrada a Missa Exequial, às 15h, na Igreja São Benedito, presidida pelo Bispo Diocesano de Jales, dom Reginaldo Andrietta. O corpo do padre Robson será sepultado às 17h30, no Cemitério Municipal de Urânia.

Segundo o pai do padre, Osnir Alves de Mattos, o religioso era diabético. A suspeita é que ele sofreu um pico de glicemia após anestesia.

Acidente

Segundo o padre Valdinei Lobo de Almeida, missionário do Caminho Neocatecumenal e pároco do Santuário das Almas e Paróquia São João Batista, de Rio Preto, o problema no joelho aconteceu em fevereiro deste ano quando o “padre Robson esteve com os jovens da sua comunidade em um passeio pelas montanhas, um retiro como forma de esquecer as sirenes, os bombardeios e a guerra. Durante a caminhada ele escorregou e machucou o joelho. Devido à guerra, as cirurgias estão mais difíceis de serem realizadas, padre Robson entrou na fila de espera e só conseguiu a cirurgia na última semana, em Kiev, capital da Ucrânia”.

Padre Valdinei ainda frisou que “antes de morrer, padre Robson comungou, rezou o terço e conseguiu falar com seu pai Osnir por ligação. Logo depois, passou mal e seu quadro se complicou com uma parada cardiorrespiratória. Urânia é a terra da família, onde estão suas raízes. Por isso foi escolhido que ele fosse sepultado lá”.

Missão

Padre Robson estava em missão na Ucrânia há 14 anos. Ordenado sacerdote no dia 20 de junho de 2021, ele iria completar neste mês cinco anos como padre.

Ele estava atuando em uma paróquia na cidade de Khmelnytsky, onde prestava serviços religiosos à comunidade local, e serviços de acolhida e apoio a refugiados de guerra, oferecendo alimentação e abrigo temporário.

Segundo o Valdinei Lobo, Robson celebrava missas no Santuário das Almas, em Rio Preto, sempre que retornava ao Brasil. “Ele era muito querido, sempre alegre, próximo das pessoas e profundamente comprometido com a missão, principalmente com as crianças. A última missa que ele celebrou no Santuário das Almas foi em dezembro de 2025, quando ficou 15 dias para visitar a família”, disse.

Trajetória

Robson André Gavioli de Mattos é natural de Urânia, tendo sido batizado na Igreja Matriz São Benedito. A família se mudou para Rio Preto quando ele tinha 2 anos de idade.

Durante sua trajetória religiosa, padre Robson manteve uma forte ligação com o Santuário das Almas, onde atuou como secretário e iniciou seu caminho vocacional.

Como membro do Caminho Neocatecumenal, ele foi enviado ao Seminário Missionário Arquidiocesano Redemptoris Mater, de Brasília, em 2011, para estudos iniciais. Em 2012, ele aceitou ser enviado para estudar filosofia e teologia na Diocese de Vinnytsia, na Ucrânia.

Foi nesse país europeu que concluiu sua formação, recebendo a ordenação presbiteral em 2021, quando iniciou seu trabalho pastoral junto às comunidades locais em Khmelnytsky.

Ainda segundo o padre Valdinei, com o início da guerra entre Rússia e Ucrânia, Robson teve a oportunidade de retornar ao Brasil, mas optou por permanecer na missão: “ele acreditava que aquele era o lugar para o qual Deus o havia enviado e decidiu continuar seu serviço junto à população, mesmo diante dos riscos impostos pela guerra”.

Em fevereiro de 2022, o Diário contou a história de fé coragem do sacerdote, que foi ao encontro da área de conflito, enquanto refugiados tentavam deixar o país.

Quando a guerra escalou, Robson estava em uma conferência a sete quilômetros de duas fronteiras (Hungria e Eslováquia), mas decidiu voltar para o seu posto em Khmelnytsky.

A cidade onde o religioso atuava não é próxima a nenhuma fronteira, mas está na rota dos refugiados que seguem para a Polônia. Por isso, a igreja tem funcionado como base de apoio, oferecendo descanso, banho e alimentação para dezenas de famílias. Quem se aloja, repõe também as energias espirituais. “Não deixamos o irmão seguir jornada sem uma palavra de vida e esperança”, disse Robson na ocasião.

Ordenado padre em 2021, ele era responsável pela missa das crianças, celebrada todos os domingos de manhã.