Vacina Pneumo 20 chega ao SUS e deve ampliar proteção de crianças
Nova vacina pneumocócica anunciada pelo Ministério da Saúde protegerá contra mais sorotipos da bactéria responsável por meningite, pneumonia e sepse. Segundo a Secretaria Municipal de Saúde, por enquanto o município recebeu apenas os documentos técnicos sobre a incorporação da vacina

O anúncio do Ministério da Saúde sobre a incorporação da vacina Pneumo 20 ao SUS está sendo considerado um importante avanço na prevenção de doenças pneumocócicas no Brasil. A nova vacina amplia a proteção contra a bactéria Streptococcus pneumoniae, conhecida como pneumococo, responsável por infecções graves como meningite, pneumonia, sepse (infecção generalizada) e otites recorrentes.
Apesar da expectativa, a população de Rio Preto ainda terá que aguardar o início da aplicação do novo imunizante. Segundo a Secretaria Municipal de Saúde, o município recebeu apenas os documentos técnicos do Ministério da Saúde sobre a incorporação da vacina ao Programa Nacional de Imunizações (PNI).
“Ainda não recebemos informações da Secretaria de Estado da Saúde sobre a quantidade de doses que será destinada à rede municipal, nem sobre a previsão de envio dos imunizantes. Dessa forma, ainda não há data definida para o início da aplicação da vacina”, informou a pasta, em nota.
Atualmente, a vacina utilizada na rotina infantil do município é a Pneumo 10, aplicada conforme o calendário nacional.
100 SOROTIPOS
Existem aproximadamente 100 sorotipos diferentes do pneumococo. No entanto, cerca de 70% a 80% das doenças pneumocócicas são causadas por aproximadamente 30 deles.
Segundo o pediatra Jorge Selem Haddad Filho, presidente da Sociedade de Pediatria de São Paulo – Regional de Rio Preto, quanto maior o número de sorotipos cobertos pela vacina, maior a proteção oferecida.
“Essa bactéria é responsável por doenças graves, como meningite, pneumonia, sepse, além de otites graves recorrentes. Quanto mais sorotipos uma vacina tiver, maior será o grau de proteção contra essas doenças”, explica.
Hoje, estão disponíveis diferentes vacinas pneumocócicas. A Pneumo 10 protege contra 10 sorotipos e é a vacina atualmente utilizada na rotina do SUS; a Pneumo 13 é disponível principalmente na rede privada, amplia a cobertura para 13 sorotipos; a Pneumo 20, mais recente, protege contra 20 sorotipos e oferece uma proteção ainda mais abrangente.
As orientações técnicas do Ministério da Saúde indicam que a Pneumo 20 será utilizada tanto na vacinação de rotina das crianças quanto para grupos específicos de pacientes com doenças e comorbidades contemplados pela estratégia nacional de imunização.
AVANÇO
“Já é um grande passo para a proteção dessas doenças”, avalia o médico Jorge Haddad. A vacina é considerada segura. Segundo o pediatra, não existem contraindicações importantes, exceto nos casos em que a criança tenha apresentado reação anafilática a algum componente da vacina.
As reações mais comuns são leves e incluem dor no local da aplicação, vermelhidão e inchaço (edema).
Mesmo antes da chegada da Pneumo 20, Rio Preto apresenta índices elevados de imunização infantil contra doenças pneumocócicas. De acordo com dados do Ministério da Saúde, o município registra 93,43% de cobertura da Pneumo 10 em crianças menores de 1 ano e 93,49% de cobertura da dose de reforço aplicada aos 12 meses.
O especialista Jorge Haddad também chamou a atenção para outra novidade disponível na rede pública: um anticorpo monoclonal contra o Vírus Sincicial Respiratório (VSR), principal causador da bronquiolite.
O imunizante é destinado, pelo SUS, a crianças nascidas com até 36 semanas e seis dias de idade gestacional, durante o período de maior circulação do vírus.
“A bronquiolite é mais grave em crianças até seis meses, embora a proteção aconteça durante o primeiro ano de vida”, explica.
Segundo ele, famílias que não se enquadram nos critérios do SUS também podem buscar a proteção na rede privada.
“Qualquer criança pode tomar nos primeiros 12 meses. Não há contraindicação. O problema é o preço, que é alto, próximo de quatro mil reais.”
No Estado de São Paulo, a sazonalidade do VSR costuma ocorrer entre os meses de fevereiro e julho, embora já tenha havido registros até outubro.