DUAS CARAS

Operação do Gaeco prende diretores de hospital de Catanduva por suspeita de corrupção

Foram nove pessoas da diretoria do Hospital Psiquiátrico Mahatma Gandhi presas nesta quinta-feira, 7; investigação aponta que grupo usava empresas de fachada para desviar recursos da saúde após ganhar licitações municipais

por Marco Antonio dos Santos
Publicado em 07/08/2025 às 18:15Atualizado em 07/08/2025 às 21:15
Gaeco explica as investigações em hospital de Catanduva (Marco Antonio dos Santos)
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Gaeco explica as investigações em hospital de Catanduva (Marco Antonio dos Santos)
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O promotor de Justiça João Paulo Gabriel de Souza, do Gaeco de Rio Preto, afirmou que nove pessoas foram presas nesta quinta-feira, 7, durante a Operação Duas Caras, que apura um esquema de corrupção envolvendo a terceirização de setores da saúde por prefeituras. Todos os detidos são integrantes da diretoria do Hospital Psiquiátrico Mahatma Gandhi, de Catanduva.

Segundo a investigação, os diretores criaram uma organização social para participar de concorrências públicas para administrar serviços de saúde e venceram licitações em municípios dos estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Espírito Santo, Minas Gerais, Santa Catarina e Rio Grande do Sul. No comando do serviço, a organização social de Catanduva terceirizava os serviços para empresas de fachada, controladas por eles mesmos, que superfaturavam notas fiscais.

De acordo com levantamento do Gaeco, o esquema teria começado em 2021 e há suspeita de que tenha movimentado cerca de R$ 1,6 bilhão. No entanto, o valor exato continua sendo apurado com base nos documentos contábeis apreendidos durante a operação.

O promotor João Paulo esclarece que, embora a Operação Duas Caras tenha ocorrido no mesmo dia da Operação Descalabro, deflagrada pela Polícia Federal de Ribeirão Preto e ambas tenham como alvo a mesma diretoria do hospital psiquiátrico de Catanduva, são investigações distintas.

“Na Operação Duas Caras, os alvos são ligados ao hospital e às empresas do esquema, mas nenhum agente público é objeto de mandados de prisão ou de busca e apreensão”, afirma o promotor. Já na operação da Polícia Federal, um ex-prefeito de Bebedouro é um dos alvos da investigação.

Mandados de prisão

Foram expedidos mais de uma centena de mandados, entre eles 12 de prisão temporária e outros para afastamento da entidade, busca e apreensão e indisponibilidade de bens para cumprimento nos municípios paulistas de Catanduva, Arujá, Carapicuíba, Piracicaba, Viradouro e Bauru, além de Rio de Janeiro (RJ), Maricá (RJ), Alfredo Chaves (ES), Palhoça (SC), Itapoá (SC), Mafra (SC) e São José (SC).

O subcomandante do Batalhão de Ações Especiais da Polícia Militar (Baep) de Rio Preto, Laércio Cavalari, informou que um dos alvos dos mandados de prisão não foi levado à cadeia por não apresentar condições físicas.

"Foram apreendidas cinco armas, parte delas com numeração suprimida ou sem a documentação obrigatória. Também foram recolhidas joias e relógios de alto padrão. Em alguns casos, foi necessário forçar a entrada nos imóveis, devido à tentativa de obstrução do cumprimento dos mandados", afirmou o oficial.

Intervenção

Para evitar prejuízos à população, a Justiça autorizou a manutenção dos contratos de prestação de serviços, especialmente os relacionados ao fornecimento de mão de obra médica e insumos hospitalares.

Até o fechamento desta edição a defesa da diretoria do hospital Mahatma Gandhi não tinha se manifestado.