TJ condena dois e absolve um por roubo contra enfermeiro em Rio Preto
Violentamente agredido, homem chegou a ser internado no Hospital de Base

O Tribunal de Justiça de São Paulo condenou dois homens e absolveu um terceiro acusado de participar de um roubo seguido de extorsão, praticado em março do ano passado, contra um enfermeiro de 56 anos, em Rio Preto. Em acórdão publicado pela 12ª Câmara de Direito Criminal, os desembargadores entenderam que não havia provas suficientes para sustentar a condenação de um dos réus, enquanto confirmaram a responsabilidade de Hygor Gabriel Baptista dos Santos e Allan Rodrigo Araújo da Silva, que receberam penas de 12 e 14 anos de prisão, respectivamente.
A decisão reformou parcialmente a sentença de primeira instância. Inicialmente condenado a 16 anos de prisão, um homem de 34 anos foi absolvido por insuficiência de provas. O TJ acompanhou o argumento do advogado Raphael Machado Brandão de que a vítima não o reconheceu formalmente, nenhum bem da vítima foi encontrado em sua posse e os próprios corréus afirmaram em juízo que ele não participou da ação criminosa.
Por outro lado, o TJ manteve as condenações de Hygor e Allan pelos crimes de roubo qualificado e extorsão qualificada, apenas ajustando as penas. Hygor teve a pena mantida em 12 anos de reclusão, em regime inicial fechado. Já Allan teve a pena reduzida de 16 para 14 anos de prisão, também em regime fechado.
De acordo com o processo, os crimes ocorreram na madrugada de 15 de março de 2025. A vítima havia marcado um encontro com Hygor após contato por aplicativo. Ao chegar ao local combinado, foi surpreendida por uma emboscada. Segundo a denúncia, Hygor entrou no Jeep Renegade da vítima armado com um canivete e passou a agredi-la, enquanto outros dois homens embarcaram no carro e ajudaram a manter o motorista sob domínio mediante violência e ameaças.
Durante a ação, os criminosos tentaram obrigar a vítima a realizar transferências bancárias por meio de reconhecimento facial em aplicativo de celular. A operação, no entanto, não foi concluída porque as lesões sofridas pela vítima impediram a validação biométrica exigida pelo banco. Ao trafegarem por uma estrada de terra, o pneu do Renegade estourou.
Os criminosos acionaram transporte por aplicativo e seguiram até a casa do enfermeiro, de onde levaram outro veículo (Citroen C4), um telefone celular, um controle de portão e chaves.
Horas depois, Hygor foi localizado pela polícia conduzindo o C4 e portando o celular da vítima. Também foi encontrado um simulacro de arma de fogo no interior do automóvel.
Os três já estavam presos preventivamente, mas o réu absolvido já foi colocado em liberdade.
“Demonstramos que a sentença se apoiou em um fato inexistente, um suposto reconhecimento pela vítima que, como provado em audiência, nunca aconteceu. A prova judicial que produzimos foi demolidora: a vítima não apenas negou o reconhecimento de nosso cliente, como forneceu uma descrição do agressor ("o mais jovem") que o excluía categoricamente, mostrando que a acusação falhou”, disse Raphael.
Os outros dois acusados foram representados pela Defensoria Pública.