Diário da Região
TRÂNSITO

Buracos na Washington Luís espalham perigo e prejuízo na região de Rio Preto

Trecho entre Mirassol e Rio Preto é o que concentra o maior número de crateras - e também a maior quantidade de pneus furados

por Redação
Publicado há 11 horasAtualizado há 3 horas
Sheila Ladeia teve de acionar o guincho (Edvaldo Santos 11-02-26)
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Sheila Ladeia teve de acionar o guincho (Edvaldo Santos 11-02-26)
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Risco de acidentes, pneus estourados, rodas amassadas e trabalho dobrado para guincheiros. Quem transita pela rodovia Washington Luís, no trecho urbano entre Mirassol e Cedral, tem colocado à prova a habilidade no volante para escapar de um buraco sem cair no outro.

O trecho mais crítico está entre os km 444 e 445, em Mirassol, onde pelo menos cinco veículos sofreram avarias entre terça e quarta-feira, dias 10 e 11, em razão dos buracos no asfalto – problema que se agrava pela passagem de caminhões pesados.

Nesta quarta-feira, 11, a vítima foi a arquiteta Sheila Ladeia, que viajava a trabalho de Tanabi para Rio Preto, mas teve de fazer uma parada forçada em Mirassol.

“Passei em um buraco e perdi a estabilidade do carro. Quando estacionei para verificar o pneu estourado, ouvi um estrondo atrás de mim. Era um caminhão, que passou pelo mesmo buraco e o pneu voou longe”, conta.

Na terça-feira, 10, o professor Fernando Costa dos Santos quase caiu de moto ao passar em um buraco no mesmo trecho. No caso dele, a roda entortou e o prejuízo com oficina foi de R$ 2,2 mil.

“Enquanto eu esperava ajuda, pararam três carros de uma só vez, que também tiveram danos nos pneus. Por sorte, um rapaz passou em uma Montana e me ofereceu ajuda, senão eu teria ainda de pagar um guincho”, diz.

Um guincheiro ouvido pela reportagem e que pediu anonimato contou que é acionado pelo menos três vezes ao dia para socorrer veículos quebrados na Washington em razão dos buracos.

“Somente hoje socorri duas senhoras e um rapaz. Nesta semana já são cinco atendimentos, fora os amigos pessoais que me pedem ajuda”, conta.

A grande quantidade de buracos pode ser atribuída ao volume de chuvas dos últimos dias? Para o engenheiro Irineu Polachini, especialista em pavimentação, não.

“Fosse assim, a rodovia inteira estaria condenada. Os buracos decorrem da falha no monitoramento das fissuras no asfalto. Esses trincos permitem que a água entre e fragilize o solo. Os caminhões pesados passam e o asfalto cede”, explica.

O especialista menciona que tapar somente o buraco é uma solução paliativa de curto prazo. “O solo inteiro na região da cratera já está comprometido e segmentado em placas de asfalto. Onde há remendo, haverá outros buracos”, alerta.

Questionada sobre a fiscalização das condições de tráfego na rodovia, a Agência Reguladora de Serviços Públicos Delegados de Transporte do Estado de São Paulo (Artesp) não se manifestou.

Já a concessionária EcoVias Noroeste Paulista respondeu que reforçou as frentes de trabalho no trecho para correção dos buracos. “Atualmente, há equipes atuando nos dois sentidos da rodovia, do quilômetro 430 ao 454, na pista norte (sentido capital-interior) e do quilômetro 454 ao 430, na pista sul (sentido interior-capital). Na manhã desta quarta-feira (11/02), as equipes também trabalham no quilômetro 443, pista sul (interior-capital)”, informou.

A concessionária acrescenta, no entanto, que as manutenções de pavimento e de sinalização são realizadas conforme as condições climáticas permitam, sempre priorizando a segurança dos usuários e dos trabalhadores.