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PARKINSON

Simpósio em Rio Preto discute Parkinson com foco em inovações e acolhimento a pacientes e familiares

Promovido pela Sociedade de Medicina e Cirurgia e pelo Complexo Funfarme/Famerp, o evento é gratuito e aberto à população

por Redação
Publicado há 1 horaAtualizado há 1 hora
Evento é na Sociedade de Medicina e Cirurgia (Divulgação)
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Evento é na Sociedade de Medicina e Cirurgia (Divulgação)
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Com o objetivo de conscientizar a população no mês dedicado ao Parkinson, o Hospital de Base (HB), a Famerp e a Sociedade de Medicina e Cirurgia (SMC) promovem, neste sábado, dia 25, das 8h às 12h, simpósio gratuito e aberto à população voltado para a orientação de pacientes e seus familiares.

O evento será na Sociedade de Medicina e Cirurgia, na alameda Dr. Oscar de Barros Serra Dória, 5661, e reunirá uma equipe multidisciplinar composta por neurologistas, neurocirurgiões funcionais, fisiatras, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, neuropsicólogos e educadores físicos que irão proferir palestras, conversar e esclarecer dúvidas.

Segundo a organização, o foco é promover uma ação de extensão à comunidade para discutir os cuidados básicos de vida, desmistificar o tratamento e apresentar as perspectivas futuras, programação guiada por imagem e inteligência artificial.

"Nosso principal objetivo com o simpósio é falar diretamente com a comunidade, levando orientação a pacientes e familiares de forma acessível, saindo do formato tradicional de médico para médico. Vamos discutir os cuidados básicos de vida e apresentar inovações tecnológicas, como o novo marca-passo cerebral adaptativo, previsto para o segundo semestre, que capta as ondas cerebrais e se autoajusta, garantindo um tratamento mais preciso e com menos efeitos colaterais. Além disso, falaremos sobre programação guiada por imagem e inteligência artificial”, afirma Carlos Rocha, neurocirurgião funcional do HB.

A Doença de Parkinson é a segunda enfermidade neurodegenerativa mais prevalente no mundo, ficando atrás apenas do Alzheimer. Trata-se de uma condição crônica, progressiva e incapacitante que afeta cerca de 1 a cada 100 pessoas com mais de 60 anos, embora 20% dos pacientes iniciem o quadro antes dessa faixa etária. Os principais sintomas motores incluem o tremor de repouso, rigidez muscular e lentidão dos movimentos. Segundo Carlos Rocha, o número de casos globais pode dobrar até 2040 devido ao envelhecimento populacional e a fatores genéticos e ambientais, como a exposição a agrotóxicos e o estilo de vida contemporâneo.

Atendimento integral no complexo Funfarme

Os pacientes encontram suporte completo pelo Sistema Único de Saúde (SUS) no complexo da Funfarme. O ambulatório coordenado pelo Dr. Fábio Nazaré realiza todo o manejo clínico, apoiado por uma infraestrutura de reabilitação no Instituto Lucy Montoro, que oferece fisioterapia, terapia ocupacional e fonoaudiologia. Inicialmente, o tratamento baseia-se em medicamentos, após esse período, é comum surgirem complicações motoras, como flutuações e movimentos involuntários, exigindo novas abordagens.

Novas tecnologias e cirurgia

Para casos selecionados que não respondem mais de forma ideal aos medicamentos, existe a opção do tratamento cirúrgico. O Hospital de Base já realiza há 16 anos o implante do "marca-passo cerebral" ou Estimulação Cerebral Profunda (DBS), que modula os movimentos e controla os tremores e discinesias. Uma grande inovação tecnológica que poderá ser ofertada pelo HB é a DBS adaptativo, um sistema inteligente capaz de captar as ondas cerebrais do paciente e autoajustar os estímulos, garantindo maior precisão e menos efeitos colaterais.

Avanços na medicina e pesquisa

O simpósio também trará luz à esperança no campo científico. A Famerp foi incluída em um rigoroso estudo experimental de um novo medicamento com potencial para modificar a evolução da doença. A substância atua diretamente sobre o acúmulo da proteína alfa-sinucleína no cérebro, impedindo sua transmissão entre neurônios. Com seis pacientes já pré-selecionados na instituição, os ensaios devem começar em breve para o estudo deste anticorpo monoclonal.

Estilo de vida como tratamento

Apesar de todo o avanço tecnológico e medicamentoso, a abordagem não farmacológica segue sendo um dos pilares do simpósio. Ter um sono regular, reduzir o consumo de álcool e tabaco, manter uma boa alimentação e praticar atividades físicas (como musculação, dança, tênis de mesa ou natação) são essenciais. Embora essas atitudes não impeçam a doença de progredir, elas deixam o corpo e o cérebro muito mais aptos para lidar com os desafios do Parkinson, garantindo melhor funcionalidade e qualidade de vida.