Casos de Aids em Rio Preto caem pela metade em uma década
Mais testagem e informação e avanços no tratamento do HIV fizeram com que a quantidade de pessoas com Aids caísse em Rio Preto em dez anos; jovens ainda são os que mais se arriscam

Nos últimos dez anos, o número de moradores de Rio Preto que tiveram o diagnóstico de HIV oscilou para cima e para baixo, mas manteve-se estável. Em 2011, por exemplo, foram 149; em 2020, foram 148. Enquanto isso, a quantidade de pessoas que tiveram a Aids detectada diminuiu. Em 2011, foram 142, número que caiu 44,3% em 2020, para 79. Os dados são da Secretaria de Saúde de Rio Preto. Segundo a pasta, 2.216 pessoas estão tratando HIV no momento no Ambulatório de Doenças Cronicas Transmissíveis. Nesta quarta-feira, 1º, é Dia Mundial de Luta Contra a Aids.
De acordo com Camila de Carvalho Silva Ishizava, gerente dos serviços ambulatoriais especializados, a queda na quantidade de pessoas diagnosticadas com Aids se deve ao maior acesso que as pessoas estão tendo à informação, à ampliação da testagem e ao tratamento, que evoluiu nos últimos anos. A Aids é o último estágio da infecção por HIV, que atinge as células brancas do organismo, responsáveis pela defesa. Ela aparece quando o sistema imunológico já está bastante debilitado e é “silenciosa”. Os sintomas da infecção, quando aparecem, são febre, dor de cabeça, erupção cutânea, dor de garganta, inchaço dos gânglios linfáticos, perda de peso, febre, diarreia e tosse.
É por essa debilidade que a Aids provoca o que se diz que não se morre por causa dela, mas por causa das doenças oportunistas, como gripe, tuberculose e tumores.
Como em qualquer outra infecção, o diagnóstico precoce é importante. Com ele, o indivíduo pode iniciar o uso dos antirretrovirais, que impedem a progressão do vírus antes que ele comprometa a imunidade. Em até seis meses desse tratamento, na maioria das pessoas o HIV vai ficar indetectável e intransmissível, o que impede o avanço do vírus pelas células, possibilitando que o paciente viva saudável.
Os antirretrovirais apresentaram evolução nos últimos anos. O mesmo efeito agora pode ser obtido com menos comprimidos e efeitos colaterais. “Tem acontecido com certa frequência. As indústrias vão evoluindo e identificando outras formas de tratamento”, afirma Camila.
O funcionário público João (nome fictício para preservar a identidade do entrevistado), de 24 anos, estava vivendo o melhor momento da vida no início de julho deste ano. Passara recentemente em um concurso público, comprara um apartamento, estava adquirindo uma moto e iniciando a pós-graduação. Durante um exame de rotina, descobriu que estava infectado pelo HIV.
“Foram várias vezes ‘tentando a sorte’ de não se infectar. O que mais acabou pesando para que eu não usasse o preservativo foi o uso de bebida alcoólica e drogas”, conta ele, que faz acompanhamento no Complexo de Doenças Crônicas Transmissíveis. “Assim que saí com o diagnóstico positivo, já recebi todo um acolhimento, um apoio já naquele momento, isso reafirmou que tudo ia ficar bem.”
Todos os medicamentos de João são fornecidos pelo SUS e o vírus está indetectável. “Consigo levar uma vida normal, ele não me proíbe de nada. Consigo trabalhar, sair, ir para festas, ter relacionamento com outra pessoa.” O jovem agora procura levar uma vida mais saudável e cuidar da saúde.
Jovens e a infecção
João engrossa uma estatística em Rio Preto: em 2010, os jovens até 29 anos correspondiam a 31% dos casos de HIV rastreados na cidade; em 2020, esse número subiu para 54%.
Para Camila, isso se deve a um conforto com as tecnologias, prevenções e tratamentos existentes hoje e também a uma falta de conhecimento sobre o que é a doença – sim, é possível levar uma vida normal, mas os antirretrovirais, mesmo os mais avançados, têm efeitos colaterais e não são todas as pessoas que vão conseguir manter a carga viral indetectável. “Os jovens não viram o início da epidemia de Aids. O jovem não mudou seu comportamento, não pensa no que vai acontecer no futuro, pensa no agora.”
Campanha Fique Sabendo
Começa nesta quarta-feira, 1º, e vai até dia 7 de dezembro a Campanha Fique Sabendo. Ela será realizada em todas as unidades básicas de saúde (UBSs), com intensificação das testagens de HIV e sífilis. Também haverá ações em empresas, instituições de ensino, comunidades terapêuticas e em espaços públicos. “A ideia é mobilizar a população durante a semana sobre a importância da testagem”, afirma a gerente dos serviços ambulatoriais especializados do município, Camila Ishizava.
No próximo sábado, 4 de dezembro, as ações serão realizadas na praça Dom José Marcondes, das 9h às 13h. As atividades incluem testagem de HIV, sífilis e hepatites B e C; estande com orientações sobre Infecções Sexualmente Transmissíveis (ISTs) e prevenção combinada; estande “Caixa das Sensações” e oferta com orientações sobre o autoteste HIV.
Ainda durante a semana, o Centro de Atendimento Especializado na Saúde da Mulher (Caesm) realizará a testagem sorológica durante a rotina de consultas. No Complexo de Doenças Crônicas Transmissíveis, a população poderá realizar o teste rápido ou o convencional para HIV, sífilis e hepatites B e C, das 7h às 16h. (MG)
Entenda a doença
HIV:
Vírus que mina o sistema de defesa do organismo, principalmente as células brancas e os linfócitos T CD4+. Ele altera o DNA dessa célula e faz cópias de si mesmo. Depois de se multiplicar, vai para outras células continuar a infecção. Não é o vírus em si que mata o paciente, mas as infecções oportunistas. Como o sistema imunológico está enfraquecido, o paciente tem mais chance de pegar infecções e elas serem mais graves.
Ter HIV é a mesma coisa que ter Aids?
Não. A Aids é a manifestação do vírus e muitas vezes demora anos para aparecer. Quando a doença se manifesta é porque a situação de saúde da pessoa está grave e o sistema imunológico está bastante enfraquecido. Com o tratamento, em alguns casos é possível reverter o quadro se o paciente não tiver em estágio terminal de vida.
É importante o diagnóstico precoce, antes que os sintomas apareçam, porque ele pode impedir a Aids de aparecer. Isso porque também com o tratamento é possível frear a replicação do vírus dentro do sangue e, consequentemente, seu ataque às células de defesa do organismo. O HIV fica em algumas células, por isso é crônico, tratável e sem cura. Com o chamado “coquetel”, o paciente terá a mesma qualidade de vida e viverá pelo mesmo tempo que qualquer outro indivíduo.
Quais são os sintomas da Aids?
Diarreia, perda de peso, placas esbranquiçadas na boca, pneumonias e infecções no cérebro e na medula óssea.
Fique atento!
Se você teve uma relação sexual desprotegida, independentemente de saber se o parceiro tinha ou não o vírus, procure em até 72 horas um hospital ou o Complexo de Doenças Transmissíveis (rua do Rosário, 1.903, em Rio Preto). Nesses locais está disponível a profilaxia pós-exposição. Durante alguns dias, a pessoa toma um medicamento que impedirá que a contaminação por HIV aconteça. Caso esse prazo já tenha passado, faça o teste de HIV, que está disponível na rede pública. O tratamento também é custeado pelo SUS.
Fonte: Secretaria Municipal de Saúde