Diário da Região
SAÚDE

Caso do filho do cantor Cristiano reforça importância do diagnóstico precoce de cardiopatia

Alterações podem ser identificadas ainda no pré-natal

por Luna Kfouri
Publicado em 13/06/2023 às 21:00Atualizado em 14/06/2023 às 09:15
Paula Vaccari e Cristiano com o filho Miguel: bebê tem uma cardiopatia congênita rara (Reprodução/Instagram)
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Paula Vaccari e Cristiano com o filho Miguel: bebê tem uma cardiopatia congênita rara (Reprodução/Instagram)
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O diagnóstico de Tetralogia de Fallot do pequeno Miguel, filho do cantor sertanejo Cristiano e da empresária Paula Vaccari, acende um alerta para o diagnóstico precoce das cardiopatias congênitas. A última segunda, 12, foi a data de conscientização sobre o tema.

Miguel teve o diagnóstico da condição rara ainda na vida intrauterina. O mesmo aconteceu com Gabriel, filho da rio-pretense Grasiely Cristina Rodrigues Macedo, de 30 anos, diagnosticado com Síndrome da Hipoplasia do Coração Esquerdo, outra cardiopatia, esta caracterizada pelas dimensões muito reduzidas das cavidades cardíacas esquerdas.

A mãe conta que, durante a gestação, passou pelo exame morfológico e a cardiopatia foi confirmada no ecocardiograma fetal. Após esse diagnóstico, Grasiely e o marido começaram a preparar o parto em um hospital especializado, porque sabiam que Gabriel teria de ser operado nas primeiras horas de vida.

O bebê nasceu de 39 semanas e, aos cinco dias de vida, passou pela primeira cirurgia. A segunda foi com quatro meses. Ele e a mãe tiveram de ficar internados no hospital por cinco meses e 22 dias no total para que todos os procedimentos fossem realizados. Uma terceira cirurgia ainda será realizada entre esse ano e o próximo.


Grasiely e o filho Gabrie (Arquivo Pessoal)
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Grasiely e o filho Gabrie (Arquivo Pessoal)

A cardiologista e professora da Faceres Daiane Colman Cassaro Pagani explica que uma cardiopatia pode ser identificada durante o pré-natal, por meio do ecocardiograma fetal.

Se a gestante não tiver passado por esse exame, eventual cardiopatia pode ser detectada logo após o nascimento, com o teste do coraçãozinho. “É um aparelho de oxímetro que se coloca no braço direito e em uma das pernas do bebê e vê como está a saturação. Caso dê alguma alteração, já é indício de que tem alguma coisa no coração. O bebê passa pelo eco antes de ter alta”, explica Daiane.

Com o diagnóstico precoce de cardiopatia congênita, Daiane explica que um cardiopediatra vai acompanhar essa criança e analisar se precisa ser operada com urgência.

‘Luto na gestação’

Mesmo com toda mobilização para ter dado tudo certo, Grasiely lembra que o processo da descoberta da cardiopatia ainda na gravidez não foi fácil. “Foi um baque, porque não tinha nenhum familiar que tivesse nascido com problema do coração, não sabia que tinha essa possibilidade. De repente, a gente vê ali o nosso filho, uma gestação extremamente planejada, primeiro filho, tudo certinho, e o prognóstico da cardiopatia do Gabriel em si é muito ruim. Dizem que é incompatível com a vida. Vivemos um luto durante a gestação, porque é uma sentença que os médicos nos dão”, relembra.

Após passar por esse período, Grasiely ressalta que o diagnóstico precoce salvou a vida do Gabriel. “Quando a gente entra nesse meio da cardiopatia, vê muitos casos em que a criança nasce sem diagnóstico e acaba vindo a óbito por não ter um tratamento especializado. Isso foi o diferencial”.

Hoje com três anos, Gabriel continua fazendo acompanhamento médico. Segundo Grasiely, é uma criança extremamente arteira, muito ativa e vai ao colégio. “Ele tem muita vontade de viver. Graças a Deus ele está muito bem”, conta a mãe, que ressalta a importância da conscientização sobre o tema.

“O que a gente pede, como mãe de cardiopata, é que batam na tecla do ecocardiograma, porque é uma coisa que salva vidas, então a gente acaba se mobilizando para que, quanto mais gente tiver informação, mais crianças tenham chances de serem salvas”, finaliza.

O que é a Tetralogia de Fallot

Paula Vaccari e Cristiano com o filho Miguel: bebê tem uma cardiopatia congênita rara (Reprodução/Instagram)
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Paula Vaccari e Cristiano com o filho Miguel: bebê tem uma cardiopatia congênita rara (Reprodução/Instagram)

A Tetralogia de Fallot, doença que acomete o filho do cantor Cristiano, é considerada uma cardiopatia rara. De 10 mil crianças, duas são diagnosticadas com a doença, segundo a médica Daiane Colman Cassaro Pagani .

Essa cardiopatia é caracterizada por um conjunto de quatro problemas no coração, que causam fluxo de sangue pobre em oxigênio para fora do órgão e para o resto do corpo. A cirurgia normalmente é realizada no primeiro ano de vida, seguida de tratamento contínuo.

“O bebê já nasce com esse problema. O sangue que foi usado pelo corpo deve voltar para o coração, ser bombeado para o pulmão, oxigenado e voltar oxigenado para o corpo. Nesse caso, o sangue tem dificuldade para ir para o pulmão e há um ‘buraquinho’ no coração, pelo qual o sangue é desviado, ou seja, em vez de ir para o pulmão, vai para o corpo de novo”, explica a especialista.

Apesar disso, é possível ter uma boa qualidade de vida com algumas limitações. O importante é estar atento para fazer o diagnóstico precocemente.

Caso o bebê nasça sem os pais saberem dessa condição com antecedência, existem alguns sintomas que podem indicar alguma cardiopatia, como o bebê ficar cansado quando mama, ficar roxinho quando chora, pegar pneumonia e infecções respiratórias com frequência.

Encaminhamento ao HB

Segundo a Secretaria de Saúde de Rio Preto, pela rede municipal, a grávida passa pelo exame de ultrassom transnucal com 12 semanas de gestação. Se houver alguma alteração, a gestação é considerada de alto risco e a gestante é encaminhada para acompanhamento no Hospital de Base.

“Também com 20 semanas de gestação outro ultrassom é feito e o trâmite é o mesmo: caso seja constatada alguma alteração, a gestante também é encaminhada para o HB, credenciado para atendimento de gestações de alto risco. No hospital, são feitos os exames mais específicos”, diz em nota.