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Professores da região compartilham conteúdo sobre suas áreas de pesquisa de forma gratuita, incentivando alunos a se aprofundarem nos estudos

por Millena Grigoleti Barros
Publicado há 1 horaAtualizado há 1 hora
Em seu canal no YouTube, a professora Gisele Naves compartilha conteúdos de Química e também soluciona questões das principais bancas de vestibulares (Divulgação)
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Em seu canal no YouTube, a professora Gisele Naves compartilha conteúdos de Química e também soluciona questões das principais bancas de vestibulares (Divulgação)
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Nem só de memes e discussões políticas vive a internet, mas também de conteúdo de qualidade e disponibilizado gratuitamente para quem deseja aprender. Na região, professores especialistas em suas áreas têm feito a diferença na vida de quem busca mais conhecimento.

GUIA DE ROBÓTICA

Caso do canal no YouTube OBR - UNESP IBILCE, criado dentro do curso de Ciências da Computação da Unesp de Rio Preto, com o objetivo de guiar professores e alunos na jornada da Olimpíada Brasileira de Robótica (OBR), concurso nacional que conta com a participação de todo o País.

“Há professores de Física e Matemática que não são formados em Robótica, então o objetivo é trazer essa formação de base para que eles consigam aprender e passar também para os alunos que tenham interesse”, explica o professor Diego Bruno, orientador do projeto, que tem pesquisas nas áreas de robótica, inteligência artificial e automação.

Ele pontua que no ensino básico existe uma deficiência no ensino do tema - escolas públicas com mais estrutura, como Sesi, Senai e Etecs, oferecem a disciplina dentro de suas grades, mas na maioria das instituições a Robótica não está no currículo.

CONTEÚDO PRÁTICO

São 14 vídeos publicados até o momento, apresentados pelos próprios alunos de Ciências da Computação, que colocam a mão na massa e mostram como montar as estruturas na prática. Os conteúdos abordados durante o programa são diversos: introdução à robótica e à eletrônica básica; programação aplicada à robótica (nível iniciante e intermediário); uso de sensores e atuadores em projetos reais; montagem e funcionamento de robôs educacionais; conceitos de inteligência artificial e visão computacional aplicados à robótica; além de relatos de experiências de alunos em competições e projetos de pesquisa.

“O canal está começando. A ideia é ter conteúdo gratuito, os vídeos foram gravados com plataformas gratuitas na internet, de programação, simulação, para que o conteúdo seja acessível para todas as pessoas”, afirma Diego Bruno.

O docente reforça que poucos lugares têm a Robótica no currículo, inclusive em cursos de graduação, e esta é uma área em expansão, inclusive na região. “É um conteúdo importante, tanto para os alunos que estão começando na área como para quem está na área industrial. Na nossa região falta mão-de-obra”, diz.

O mundo da Química

Em seu canal no YouTube, que mantém há quase duas décadas, a professora Gisele Naves compartilha conteúdos a respeito de Química, lecionando sobre os temas, e também soluciona questões que são cobradas nas principais bancas para quem está em tempos de prestar vestibulares e concursos.

“A intenção do canal sempre foi ajudar os meus alunos a treinarem provas de vestibulares antigos para alcançarem aprovação”, comenta ela. Hoje com mais de cinco mil inscritos e mil vídeos publicados, os materiais alcançam o Brasil inteiro - e além dele. “Meus vídeos também são vistos por pessoas de outros países, o que me deixa muito feliz.”

Além dos conteúdos mais estruturados, Gisele publica shorts (vídeos curtos) respondendo perguntas objetivas. Os materiais funcionam com flashcards (técnica de estudos muito apreciada por vestibulandos e concurseiros). “São eles que mais atingem países como Moçambique, Angola, Índia e Portugal.”

Foram muitos anos até o crescimento, mas quando ele veio, aconteceu rápido. Até 2022, eram poucas postagens e inscritos, mas quando veio a constância de publicações, o reconhecimento chegou junto. “Ano passado alcancei a categoria de nível inicial do Programa de Parcerias do YouTube, podendo ter membros. Foi uma conquista importante e o canal está crescendo como nunca”, celebra.

Para Gisele, a ferramenta é uma ponte entre o aluno e uma explicação humana, o que aumenta a chance dele compreender o conteúdo. “Gosto da ideia de poder ajudar meus alunos e de saber que posso ajudar pessoas que não puderam ter acesso à educação, ou mesmo ao treinamento de questões de provas antigas”, diz.

“O mais gratificante de tudo é saber que pude ajudar pessoas a realizarem o sonho de entrar na faculdade, tendo sido alunos presenciais ou do online. Às vezes no meu canal recebo mensagens de pessoas dizendo que realizaram seus sonhos, e que o meu canal do YT ajudou nessa realização”, comemora. (MGB)

Maior alcance social

O professor Ricardo Scucuglia, do Departamento de Educação do Ibilce/Unesp, defende que a difusão acessível e gratuita do conhecimento amplia o alcance social do trabalho docente e reforça o compromisso público com a sociedade.

“Produzir conhecimento é fundamental, mas criar meios para que ele circule de forma mais ampla também é. Canais gratuitos no YouTube cumprem um papel relevante nesse processo, pois contribuem para a popularização da ciência e para a democratização do acesso a conteúdos de qualidade, aproximando públicos diversos de temas que muitas vezes ficariam restritos a espaços mais especializados”, ressalta.

Em sua avaliação, os canais trazem oportunidade de formação para pessoas que muitas vezes não têm condições de pagar por cursos, materiais ou acompanhamentos especializados, além de facilitar o estudo. São alunos que estão prestando Enem, vestibulares e concursos ou simplesmente querem se aprofundar em algum tema ou ter mais condições de desenvolver um projeto.

“Há também uma dimensão importante relacionada ao tempo, ao espaço e aos interesses de cada pessoa: o ambiente online permite que o conteúdo seja acessado de acordo com a disponibilidade de quem estuda, em diferentes ritmos e contextos. Em um país com fortes desigualdades, isso tem grande relevância”, lembra o especialista. (MGB)