SÃO JOSÉ DO RIO PRETO | SEGUNDA-FEIRA, 24 DE JANEIRO DE 2022
ASSUSTADORES

Só neste ano, Rio Preto já registrou 713 picadas de escorpiões

Mapa da Vigilância Ambiental mostra que os casos estão espalhados por toda a cidade; veja como evitá-los

Rodrigo Lima
Publicado em 12/11/2021 às 21:05Atualizado em 13/11/2021 às 08:22
Escorpiões capturados pela equipe da Vigilância Ambiental: eles ficam com cor azulada ao serem expostos à luz negra (Johnny Torres 11/11/2021)

Escorpiões capturados pela equipe da Vigilância Ambiental: eles ficam com cor azulada ao serem expostos à luz negra (Johnny Torres 11/11/2021)

A Vigilância Ambiental registrou 713 acidentes com escorpiões amarelos (Tityus serrulatus) em Rio Preto de janeiro a outubro deste ano – média de dois casos por dia. Mapa indica a incidência em toda a cidade, com ênfase na região Norte. Todos os casos foram notificados nas unidades de saúde do município, sem nenhum óbito.

Funcionários da Secretaria de Saúde têm realizado vistorias semanais em escolas municipais. Nesta semana, os técnicos estiveram em unidades localizadas nas proximidades da Represa Municipal. E localizaram os animais, principalmente, na área externa, como hortas e jardins.

Em 2020, foram registrados 923 acidentes notificados. Esse número pode ser maior. Acidentes onde o munícipe não procura atendimento não é notificado e não entra na estatística oficial da pasta, já que é classificado como "desconhecido".

Morador do Jardim das Oliveiras, o motorista de aplicativo Eduardo Lopes, 30 anos, está preocupado com a incidência de escorpiões no bairro. “Já faz alguns dias que abriu uma cratera em uma das ruas do bairro. Agora a Prefeitura está realizando obras no local, que nunca terminam, e está aparecendo vários escorpiões", afirmou.

O gerente da Vigilância Ambiental, Luiz Alberto Feboli, alerta sobre o perigo da picada. Se acontecer, ele afirma ser necessário buscar ajuda médica imediatamente nas Unidades de Pronto Atendimento (UPAs). “Crianças abaixo de 12 anos devem ser levadas para o Hospital de Base. Os idosos na UPA”, afirmou Feboli. “Apenas 3% dos casos de picada tem de internar. Em duas horas, se a pessoa estiver bem, é liberada”, afirmou.

Apesar do mapa indicar a incidência do escorpião amarelo em toda a cidade, o técnico da Vigilância Ambiental citou os bairros Santo Antônio, Jardim Maria Lucia e Solo Sagrado como os que somam mais casos. “Se for mexer em entulho e madeira, é preciso usar luva de couro. Mas o ideal é não ter esse material que serve de abrigo para o escorpião. Se a casa estiver limpa, o animal pode vir pelo esgoto. É preciso instalar ralos e mantê-los fechados. Deixar o lixo bem embalado para não atrair barata, que é o principal alimento do escorpião”, disse Feboli.

A Secretaria da Saúde disponibilizou o telefone 0800 7705870 para denúncias de imóveis vazios e terrenos sujos. A promessa é de atender os pedidos em até 10 dias.

As vistorias da Vigilância em escolas são feitas à noite, já que o bicho tem hábitos noturnos. Para facilitar a captura, é utilizada luz negra. Devido a uma proteína no corpo, o escorpião fica com uma cor azulada ao ser exposto à luz negra, o que facilita o encontro.

'Explosão' em dez anos

Escorpiões encontrados por morador do Jardim das Oliveiras

O gerente da Vigilância Ambiental, Luiz Alberto Feboli, disse que houve uma explosão de incidência de escorpiões em Rio Preto nos últimos 10 anos. Em 2011, a cidade registrou 93 acidentes.

“A incidência é alta de escorpiões. Estabilizou com número alto. Há 10 anos não tinha o escorpião amarelo. (A espécie) se adaptou na área urbana, na nossa rede de esgoto com a falta de predador natural. Tudo isso ajuda a se reproduzir. Se alimenta de barata e o veneno não funciona”, afirmou o técnico.

Segundo Feboli, a orientação é não usar veneno. “Para matar tem de ser veneno específico e tem de entrar em contato com o corpo do escorpião. As fêmeas não precisam do macho para se reproduzir. Já o escorpião preto, que é praticamente inofensivo, precisa do casal para se reproduzir”, afirmou. (RL)

 
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