SÃO JOSÉ DO RIO PRETO | TERÇA-FEIRA, 18 DE JANEIRO DE 2022
INTERNAÇÃO

Primeiro transplantado de pulmão do HB de Rio Preto passa por cirurgia

Mecânico passou pelo primeiro transplante de pulmão no HB, em 2016. Agora, voltou ao hospital com um tumor no outro pulmão

Arthur Pazin
Publicado em 14/01/2022 às 22:20Atualizado em 15/01/2022 às 07:54
Antonio Pelaio Dias, 59 anos, durante pescaria: agora, ele se recupera de cirurgia (Arquivo Pessoal)

Antonio Pelaio Dias, 59 anos, durante pescaria: agora, ele se recupera de cirurgia (Arquivo Pessoal)

O mecânico Antonio Pelaio Dias, o primeiro transplantado de pulmão do Hospital de Base (HB) de Rio Preto, voltou ao hospital na última semana. Aos 59 anos, Antônio, que é morador de General Salgado, passou por uma cirurgia de remoção de parte de um dos pulmões, o não-transplantado, no dia 5 de janeiro.

A reportagem procurou o HB, que informou, por meio de sua assessoria, que “em decorrência da Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) não pode informar detalhes ou procedimentos de pacientes”.

De acordo com a comerciante Dionísia Bessa Ferreira, mulher do mecânico, o procedimento foi necessário após ele desenvolver um tumor cancerígeno no órgão, o que nada tem a ver com o pulmão transplantado, que segue intacto e saudável, segundo ela.

Agora, Antônio segue internado e em observação, uma vez que, de acordo com a orientação dos médicos à comerciante, a recuperação é lenta, apesar de o quadro não apresentar gravidade. “Ele está bem da cirurgia, mas surgiram algumas complicações que estão controladas”, disse Dionísia.

A mobilização da equipe médica do Hospital de Base para realizar o primeiro transplante de pulmão, em Antônio, rendeu um caderno especial ao Diário, em agosto de 2016. Intitulado “Respirar de Novo”, o material mostrou o passo a passo do transplante do mecânico, que enfrentou por oito anos a doença pulmonar obstrutiva crônica, consequência do vício de anos no cigarro. O procedimento foi em 24 de agosto de 2016.

Antes do transplante, que foi coordenado pelo cirurgião torácico Henrique Nietmann, Antônio, que ainda vivia em Votuporanga, chegou a precisar do auxílio de um compressor de oxigênio, ligado na tomada 24 horas por dia, prática que o acompanhou por dois anos, tempo que ele esperou na fila do transplante até receber o pulmão de uma mulher de 58 anos, de Araçatuba, morta após um acidente vascular cerebral (AVC).

A cirurgia de transplante unilateral, que retirou do paciente o pulmão esquerdo, foi realizada por uma equipe de 15 profissionais, entre cirurgiões, anestesistas, enfermeiras e apoio. Os médicos abriram o tórax de Antonio e serraram as costelas até ter os dois pulmões livres. Enquanto Antonio respirava pelo pulmão direito doente, os médicos cortaram os brônquios, a artéria e a veia. Com o coração batendo, tiraram o órgão doente e inseriram o novo, religando brônquios, artéria e veia, nessa ordem, no que os médicos chamam anastomose. No final, foi preciso também ligar o átrio do coração ao pulmão.

Depois de Antônio, o Hospital de Base já realizou outros 24 procedimentos de transplante de pulmão, segundo a assessoria do complexo.​​​​​​

 
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