SÃO JOSÉ DO RIO PRETO | QUARTA-FEIRA, 06 DE JULHO DE 2022
POLÍCIA

Preso na Hungria, 'Escobar brasileiro' tinha escritório do crime em Rio Preto

Seis pessoas da cidade atuavam na contabilidade e no transporte de drogas

Marco Antonio dos Santos
Publicado em 22/06/2022 às 22:14Atualizado em 23/06/2022 às 16:11
major Carvalho, que foi preso na Hungria (Reprodução)

major Carvalho, que foi preso na Hungria (Reprodução)

Chamado de "Pablo Escobar brasileiro" e preso nesta terça-feira, 21, pela Interpol na Hungria, Sérgio Roberto de Carvalho chefiava um megaesquema de tráfico internacional de drogas que tinha atuação em Rio Preto. A quadrilha importava cocaína de países vizinhos ao Brasil, por meio de aeronaves, e encaminhava a droga até portos nacionais. De lá, a carga ilícita seguia de navios para a Europa, camuflada com outros produtos.

Durante a Operação Enterprise, deflagrada em 2020, o major Carvalho, como é conhecido por ter sido da Polícia Militar do Mato Grosso do Sul até 2018, foi apontado pela Polícia Federal como líder do esquema. A operação também mostrou que a quadrilha tinha seis pessoas de Rio Preto que eram responsáveis pela logística aérea do grupo, ou seja, por trazer a droga de países vizinhos para o Brasil, e pelo núcleo administrativo. Com ajuda de contadores, a quadrilha chegou a abrir dez empresas fictícias em Rio Preto para facilitar a exportação da cocaína e ocultar bens adquiridos com o faturamento do tráfico.

A operação apreendeu R$ 500 milhões da rede criminosa. Na ocasião, foram expedidos mandados de prisão para ele e seus comparsas. Também foram apreendidos 50 toneladas de cocaína ao longo da investigação e bens como aeronaves, navios e carros de luxo dos integrantes da quadrilha.

“No momento, a Polícia Federal adota as providências formais decorrentes da captura após as diligências policiais que culminaram nessa importante prisão”, informou a instituição. Em fevereiro, a imprensa espanhola publicou um verdadeiro enredo cinematográfico sobre o “Pablo Escobar brasileiro”, que tinha várias identidades falsas.

Carro da marca Pontiac, um dos veículos apreendidos em Rio Preto (Johnny Torres 23/11/2020)

Usando o nome de Paul Wouter, ele vivia em Marbella e foi alvo de um pedido de condenação de 13 anos por parte da promotoria, pois foi ligado a um carregamento de 1,7 mil quilos de cocaína encontrados na Galizia. Mas o tribunal recebeu um atestado de óbito datado de 29 de agosto de 2020, que afirmava que Paul Wouter havia morrido de Covid-19.

Foram as autoridades brasileiras, segundo a imprensa espanhola, que alertaram a Justiça que as impressões digitais de Wouter coincidiam com as de Carvalho - e acreditavam que o óbito era falso. Os investigadores julgavam que ele mantinha uma base em Portugal - como se verificou - e em Dubai ou Ucrânia -, mas acabou sendo preso na Hungria.

“A ação foi deflagrada pelo Escritório Central Nacional da Interpol em Budapeste/Hungria e teve como elemento essencial a troca de informações e difusão Vermelha publicada a pedido da Polícia Federal”, disse a PF, em nota.

Questionada sobre o andamento das investigações, a Polícia Federal de Rio Preto informou que não poderia se manifestar porque apenas cumpriu os mandados judiciais expedidos pela Justiça, a pedido da PF de Curitiba. Na sede da PF paranaense, ninguém pôde comentar a prisão.

Augusto César Mendes Araújo, advogado de defesa de três pilotos suspeitos de conduzir aviões carregados com drogas, obteve recentemente uma decisão favorável aos seus clientes no Tribunal Regional Federal da 4ª região. Dois deles, respondem ao processo em liberdade.

“O andamento da operação Enterprise está suspenso por força de uma decisão de Habeas Corpus onde questionamos a legalidade da interceptação telefônica e telemática. O próprio juiz já reconheceu certos períodos da interceptação como ilegais”, afirma o advogado.

 
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