Polícia investiga 8 suspeitos de espalhar fake news sobre ataques em escolas da região de Rio Preto
Os casos suspeitos identificados serão encaminhados para o Ministério Público. Para discutir ações preventivas, grupo de 770 educadores se reúne com o comando do CPI-5 nesta quarta-feira, 12

A Polícia Civil identificou oito pessoas suspeitas de espalhar fake news sobre supostos ataques em escolas da região de Rio Preto. As informações falsas circularam nas cidades de Orindiúva, Paulo de Faria, Tanabi, Mirassol, Onda Verde e Rio Preto. Os casos serão encaminhados para o Ministério Público. O movimento de espalhar o caos ganhou mais força depois dos casos recentes de violência e morte em escolas de São Paulo e Santa Catarina.
“As pessoas envolvidas estão sendo ouvidas. Os suspeitos estão sendo interrogados e todas as providências cabíveis estão sendo tomadas”, afirmou o delegado seccional de Rio Preto, Antonio Honório Nascimento, citando ainda a realização de perícias nos telefones celulares. “Já identificamos oito indivíduos”, disse.
Os boatos – que só ajudam a trazer pânico e temor à população - foram divulgados em grupos de WhatsApp e seus emissores foram identificados pelo setor de inteligência da Delegacia Seccional de Rio Preto.
Segundo o delegado, foram registrados 12 boletins de ocorrência sobre notícias falsas que circularam em cidades da região. “Nas últimas semanas, percebemos que aumentaram muito as denúncias sobre supostos ataques. Quando começamos a checar, descobrimos que eram notícias falsas, plantadas, e que têm causado muita preocupação nas escolas e entre pais de alunos”, completou o delegado.
Parte das pessoas identificadas como autoras das fake news seriam estudantes menores de idade. Nestes casos, o encaminhamento foi para a Vara da Infância e da Juventude das respectivas comarcas. “Nos casos dos adolescentes pode até ser brincadeira ou trote, mas isso complica o trabalho policial porque nos faz mobilizar a corporação. É bom lembrar que o crime de ameaça prevê a detenção de um a seis meses”, alerta o delegado.
O comandante do CPI-5, coronel Fábio Cândido, afirma que a corporação tem trabalhado de forma conjunta com a Polícia Civil para denunciar as fake news. “As equipes do Copom (central telefônica da Polícia Militar) estão orientadas na identificação das fake news e de denúncias anônimas para depois enviar pra passarmos para a Polícia Civil fazer a investigação”, diz o oficial.
Tranquilidade
Em Rio Preto, algumas escolas – na tentativa de acalmar os familiares – estão repassando notícias que alertam para a quantidade de fake news que tem se espalhado pelos serviços de mensagem. “Estão se aproveitando do pânico causado pelos acontecimentos de ataques em escolas para disseminarem notícias falsas e espalharem pavor. A polícia está investigando esses boatos. Não temos nenhum comunicado oficial da Secretaria Municipal de Educação (SME), mas estamos em alerta na escola. Fiquem tranquilos. Vamos manter o equilíbrio e cuidar das nossas crianças”, diz o comunicado disparado para o grupo de mães de uma escola municipal de Rio Preto ontem, acompanhado de uma reportagem do Diário.
Ao mesmo tempo, como forma de reforçar a segurança nas escolas de Rio Preto, a Secretaria de Educação e a Guarda Civil Municipal discutiram novos protocolos que deverão ser adotados por funcionários das 126 escolas de ensino infantil e fundamental para restringir o acesso de pessoas nas unidades escolares.
Entre as medidas já definidas estão portões fechados – exceto no horário de entrada e saída dos estudantes – maior atenção da Central de Monitoramento da GCM em relação às câmeras de monitoramento externas, além de uma maior observação ao entorno da escola, à presença de estranhos na redondeza, e comunicação de qualquer atividade suspeita à Guarda.
As informações sobre as mudanças na entrada e saída das crianças, que passam a valer a partir desta quarta-feira, 12, também começaram a ser comunicadas aos pais, via WhatsApp.
Prática dá cadeia
O juiz Evandro Pelarin, da Vara da Infância e da Juventude de Rio Preta, faz um alerta para quem produz fake news: pare ou você vai acabar na cadeia.
O ato de criar um perfil falso nas redes sociais, fingindo ser um criminoso, configura crime de falsa identidade, cuja pena é de até um ano de detenção, além de multa.
“Se essa pessoa que se passa por um criminoso para amedrontar a comunidade divulgar uma notícia falsa de massacre em escola, por exemplo, ela poderá incorrer também em incitação ao crime, que tem pena prevista de até seis meses de detenção, além de multa, pois pode estimular alguém que tenha pensado em praticar um ato de tal magnitude criminosa, haja vista os antecedentes que temos tido no país”, diz o magistrado. Ele reforça que adolescentes – ou seja, pessoas com mais de 12 anos - também respondem por tais condutas.
Pelarin também recomenda a mudança de postura das pessoas ao repassar qualquer tipo de ameaça por rede social. “Caso receba, encaminhe a notícia para a polícia. Jamais repasse em grupos de WhatsApp nem para qualquer contato seu. Você estará ajudando um criminoso a causar pânico ou até mesmo auxiliando um gatilho para um criminoso que cogita uma atitude absurda e criminosa como essa”, concluiu o juiz. (MAS)
Evento reúne educadores
O Teatro Paulo Moura vai sediar nesta quarta-feira, 12, um encontro com 770 educadores de 96 cidades da região de Rio Preto com o comando do CPI-5 para discutir ações preventivas contra violência nas escolas.
A palestra Medidas Preventivas de Segurança em Ambiente Escolar será ministrada pelo atual comandante do 9º Baep, major Paulo Beltrami, com técnicas de segurança. O evento conta com o apoio da Secretaria Municipal de Educação no sentido de convocar as equipes das escolas a participar da discussão.
Segundo o comandante do CPI 5, coronel Fábio Cândido, que irá fazer a abertura do evento, estão inscritos 400 diretores de escolas da região, mais 300 educadores da rede municipal de ensino, além de 70 representantes do setor educacional da Associação Comercial e Empresarial de Rio preto (Acirp). “Os professores vão aprender a identificar os agressores e as ações a serem adotadas para proteger os alunos contra os ataques dos homicidas”, afirma o coronel.
Audiência pública
Em Rio Preto ainda está marcada uma audiência pública, nesta quinta-feira, 13, na Câmara de Vereadores, para discutir a questão da segurança nas escolas. O encontro começa às 18h30. (MAS)