Paciente diagnosticada com fibrose cística faz transplante de pulmão na Capital
Diagnosticada com fibrose cística em 2012, há dois anos a doença progrediu e Maristela teve que deixar a casa em Marcelândia, no estado do Mato Grosso, para fazer tratamento no HB em Rio Preto

No Dia Nacional da Doação de Órgãos, celebrado neste 27 de setembro, Maristela Bitencourt reconta a própria história, com um novo fôlego de vida. Em fevereiro ela foi personagem de uma reportagem da série Doação de Vida, produzida pelo Diário da Região, para contar histórias de pacientes que aguardavam na fila pelo transplante de órgãos. E foi justamente no mês dedicado à causa que Maristela recebeu a tão aguardada notícia: “o pulmão é seu”.
Diagnosticada com fibrose cística em 2012, há dois anos a doença progrediu e Maristela teve que deixar a casa em Marcelândia, no estado do Mato Grosso, para fazer tratamento no Hospital de Base em Rio Preto. Em abril de 2021, os médicos informaram que o pulmão dela não respondia mais às medicações. Só o transplante poderia salvar a vida de Maristela.
Na série Doação de Vida, a reportagem contou que o mundo da paciente era do tamanho da extensão da mangueira do tubo de oxigênio. Até onde os fios alcançavam era o espaço que a mulher poderia caminhar. Em agosto, Maristela piorou e foi priorizada na fila nacional do Ministério da Saúde, onde mais de 30 mil pessoas aguardam por uma chance de vida.
“Quatro litros de oxigênio não estavam mais suprindo a minha sobrevivência. Tive que ir para a UTI. Por mais confiante que eu tenha sido durante todo o tratamento, o medo bateu. Pensei: será que não vai dar tempo?”
Maristela foi transferida às pressas para o Hospital das Clínicas, em São Paulo. Prioridade significa que o órgão pode surgir a qualquer momento e o paciente tem que estar pronto para a cirurgia. Foram mais 25 dias de UTI até surgir um pulmão compatível. O doador era um garoto de 15 anos.
“Eu sabia que era uma cirurgia grande e demorada. Pedi a Deus que abençoasse a equipe. Os médicos me passaram muita confiança. Lembro que a anestesista me disse: ‘a gente sabe quando vai dar certo’”.
A recuperação de Maristela surpreendeu a equipe do hospital. Em quatro dias ela saiu da UTI e, em 19, recebeu alta médica. Ainda em acompanhamento pelo HC, ela conta os dias para voltar pra Rio Preto.
A voz forte em nada lembra a entrevista abatida de fevereiro. Maristela já treina nos pedais da fisioterapia o sonho que pretende realizar com a filha, de 12 anos: os passeios de bicicleta, interrompidos pelo pulmão doente quando Isis tinha dois aninhos.