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REPRESENTAÇÃO

MP cobra explicações de planos de saúde da região de Rio Preto

Medida do MP ocorre após pesquisa da APM denunciar abusos das empresas

por Millena Grigoleti
Publicado em 06/09/2021 às 20:48Atualizado em 07/09/2021 às 07:42
'Que esclareçam no ano de 2021 (de janeiro a agosto inclusive) qual foi o percentual de recusa de exames solicitados pelos médicos'
Carlos Romani, promotor (Johnny Torres/Arquivo)
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'Que esclareçam no ano de 2021 (de janeiro a agosto inclusive) qual foi o percentual de recusa de exames solicitados pelos médicos' Carlos Romani, promotor (Johnny Torres/Arquivo)
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O Ministério Público (MP) de Rio Preto está pedindo aos convênios da cidade que informem qual foi o percentual de recusa de exames solicitados pelos médicos de janeiro a agosto de 2021 e também o percentual de glosa médica, ou seja, a recusa em pagar atendimento, internação, exame laboratorial ou de imagem, remédios e outros serviços.

A representação, feita pelo promotor Carlos Romani no fim de agosto, dá o prazo de 20 dias para que os convênios se manifestem. Conforme noticiado pelo Diário, pesquisa regional feita pela Associação Paulista de Medicina (APM) aponta que 53,3% dos médicos de Rio Preto e região enfrentam restrição à solicitação de exames junto às operadoras de saúde, e 62,71% relatam sofrer com as chamadas glosas ou atrasos no pagamento.

A pesquisa foi feita pela plataforma Survey Monkey e contou com a participação de 354 dos cerca de 2,5 mil profissionais da região. Conforme o estudo, os médicos ainda enfrentam ameaças de descredenciamento e dificuldade para internar o paciente. Do total de 354 voluntários, 95,7% atendem em planos de saúde.

“As operadoras cerceiam o trabalho do médico, não deixam pedir exames que eles julgam necessário. Na região de Rio Preto, 95% dos médicos que foram entrevistados têm título de especialista, são médicos altamente qualificados, não é médico que pede um monte de exame que não sabe o que é”, afirmou em 18 de agosto, data da divulgação da pesquisa, Marun David Cury, diretor de Defesa Profissional da APM Estadual. Segundo ele, há a tomada de alguns serviços de saúde por empresas que visam apenas o lucro e tentam controlar a conduta médica, inclusive com algumas obrigando que o profissional credenciado atenda dentro das dependências da companhia, e não mais em seu consultório.

“Contudo, não existem informes concretos de tais recusas à solicitação de exames e que as operadoras, sem justificativa, estejam se negando a pagar atendimento, internação, exame laboratorial ou de imagem, além de outros serviços essenciais ao paciente e que obtivesse uma resposta sobre isso para análise dos fatos ou que viesse a concluir que as empresas estariam visando apenas à lucratividade”, escreveu Romani. Segundo ele, os fatos apresentados não indicam irregularidade por si só, mas há necessidade de avaliar os elementos.

Em nota, os planos de saúde afirmaram que respeitam as decisões médicas e a autonomia dos profissionais.