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BUROCRÁTICO

Médico de Rio Preto cria associação especializada na prescrição de medicamentos à base de canabidiol

Principal objetivo é acolher pacientes que buscam informações sobre tratamento

Joseane Teixeira
Publicado em 13/07/2022 às 21:58Atualizado em 14/07/2022 às 08:38
Anestesiologista Valdecir Carlos Tadei, que atua como professor na Famerp, criou a associação (Johnny Torres 13/7/2022)

Anestesiologista Valdecir Carlos Tadei, que atua como professor na Famerp, criou a associação (Johnny Torres 13/7/2022)

Rio Preto já tem uma organização médica especializada na prescrição de medicamentos à base de canabidiol. Fundada em maio, a Associação de Assistência, Pesquisa e Ensino em Cuidados Medicinais (AAPEC) tem como diretor o anestesiologista Valdecir Carlos Tadei, que atua como professor na Faculdade de Medicina de Rio Preto (Famerp).

O principal objetivo da instituição é acolher o paciente que busca informação especializada sobre o tratamento com canabidiol e oferecer assistência jurídica para aqueles que não têm condições de custear o tratamento, que pode chegar a R$ 3 mil.

“É preciso responsabilidade na prescrição do medicamento fitoterápico. A popularização do tratamento com óleo de canabidiol é motivo de preocupação entre a comunidade médica, porque é necessário, antes da indicação de uso, investigar o histórico de saúde do paciente, se a interação com outros medicamentos pode gerar riscos à saúde e, principalmente, se ele tem cardiopatia, que é uma contraindicação”, diz.

Especialista em dor pela Faculdade de Medicina da USP (FMUSP), Tadei atende diversos pacientes com queixa de dor crônica de origem neuropática, muscular, inflamatória e oncológica.

“O óleo de canabidiol atua como um tratamento paralelo. O paciente não vai abandonar os medicamentos que ele usa. No máximo, diminuir a quantidade. Mas temos obtido progresso significativo com a terapia à base de cannabis”, diz.

Entre os casos tratados pelo médico está o de um idoso de 78 anos que, aos 50, foi diagnosticado com mal de Parkinson.

“Apesar dos remédios, da fisioterapia e das consultas regulares ao neurologista, meu pai foi ficando debilitado com o tempo. Travado mesmo. Estava andando com muita dificuldade e já não conseguia comer sozinho, devido aos tremores. Uma semana após o início do tratamento com medicamento à base de canabidiol, já começamos a ver resultado. Hoje, após chegarmos à dosagem correta, os tremores diminuíram. Em alguns momentos, eles cessam completamente. O óleo devolveu a autonomia para o meu pai. A ponto de ele dirigir um trator no sítio onde mora. Coisa que não fazia há 10 anos”, comemora a comerciante Rosângela Rizzo.

A primeira e mais importante ação da associação será a realização de um curso de formação voltado a médicos interessados em prescrever canabidiol. “(O curso) Será ministrado pelos maiores especialistas do País”, garante Tadei.

Previsto para começar no dia 7 de outubro, o curso em formato online será oferecido aos sábados com duração de duas horas/aula e emissão de certificado ao final.

Os profissionais que receberem o treinamento poderão compor o quadro clínico da associação, sem qualquer custo. Aos pacientes, será cobrado uma taxa simbólica de manutenção, que ainda não foi definida.

“Se for comprovado que o paciente não tem condições de comprar o medicamento, vamos oferecê-lo gratuitamente por até três meses, graças a parcerias já firmadas com laboratórios. O prazo é suficiente para que os advogados vinculados à associação judicializem o pedido de fornecimento gratuito pelo Estado ou município”, diz.

Preços mais acessíveis

Por intermédio da associação, os membros também poderão adquirir medicamento à base de canabidiol a preços mais acessíveis. “Com a regulamentação da Anvisa sobre a importação do óleo e a autorização de fabricação por laboratórios nacionais e farmácias de manipulação, temos mais segurança em prescrever o tratamento, porque há fiscalização sobre a qualidade do produto. O remédio que o paciente vai consumir hoje tem a mesma composição do remédio que vai consumir amanhã. Garantia que não temos com os produtos artesanais”, diz o médico.

No Brasil, apenas três associações têm autorização judicial para plantar cannabis e extrair o óleo, que é distribuído para pacientes cadastrados, com prescrição médica. Também por via judicial, cerca de 450 brasileiros conquistaram o direito de cultivar a planta em casa, para consumo medicinal e individual.

O óleo de cannabis é indicado principalmente para tratamento da epilepsia, autismo, dor e ansiedade. Os medicamentos ainda não constam na lista de fármacos fornecidos pelo SUS. (JT)

Uso terapêutico do canabidiol

Indicações para uso terapêutico com comprovação científica

  • Epilepsia de difícil controle
  • Autismo
  • Ansiedade
  • Distúrbio do sono
  • Espasticidades causadas por esclerose múltipla, acidente vascular cerebral e lesões medulares
  • Dor neuropática

 Estudos com resultados promissores:

  • Dor crônica
  • Doença de Crohn
  • Agitação por demência (como o Alzheimer)
  • Parkinson

 Possibilidades de aplicação da Cannabis no mercado pós-regulamentação

Alimentação humana e ração animal – a semente do cânhamo (tipo de cannabis) é altamente proteica

Biotecnologia – produção de biocombustível

Têxtil – a fibra do cânhamo é a mais resistente do mundo, podendo substituir o nylon e o algodão.

Cosméticos – tônico facial, com propriedades antienvelhecimento

Educação – formação técnica em saúde, economia e agricultura

Farmoquímico – produção de medicamentos à base de cannabis, prescritos para diversos tratamentos

 
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