SÃO JOSÉ DO RIO PRETO | QUARTA-FEIRA, 06 DE JULHO DE 2022
SAÚDE

Mesmo com novos leitos, lotação em UPAs permanece em Rio Preto

Um mês após abertura de leitos em unidade de saúde do bairro Fraternidade, Rio Preto ainda enfrenta falta de vagas em hospitais, obrigando pacientes a ficarem internados em UPAs

Marco Antonio dos Santos
Publicado em 23/06/2022 às 21:11Atualizado em 24/06/2022 às 11:29
Movimentação de pacientes na UPA da Vila Toninho (Colaboração/Leitor)

Movimentação de pacientes na UPA da Vila Toninho (Colaboração/Leitor)

Passado um mês da criação de 30 leitos de enfermaria na Unidade de Internação do Fraternidade, as Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) continuam a ter pacientes internados. A Prefeitura não forneceu a quantidade exata de pessoas internadas, mas informou que a taxa de ocupação está em 71% da capacidade. Parentes de pacientes se queixam da demora de transferência para hospitais.

A permanência de pacientes internados dentro das UPAs é uma situação irregular, segundo normas do Conselho Federal de Medicina (CFM), porque a estrutura montada é para atendimento emergencial, estabilização do quadro de saúde e posterior transferência para hospitais.

A criação de espaço para internação no Fraternidade e a abertura de mais 36 leitos na Santa Casa foram anunciadas em maio deste ano como solução para a crise de vagas na rede municipal de Rio Preto.

Atualmente, o Fraternidade está com 60% das vagas ocupadas. Hospital de Base e Santa Casa estão com 92% dos leitos de UTI ocupados e 86% das vagas de enfermaria preenchidas, segundo relatório fornecido pela Prefeitura, na tarde de quinta-feira, 23.

Uma idosa de 87 anos, moradora do bairro Santo Antônio, ficou internada de sábado, 18, até quinta-feira, 23, na UPA da Vila Toninho. Sem qualquer perspectiva de transferência para leitos hospitalares, os parentes resolveram tirar a aposentada do local e levá-la para um hospital particular.

“A situação da avó da minha esposa é triste, porque ficou seis dias internada em uma maca, em uma sala com aparelho de ar-condicionado quebrado e ainda teve de ser levada até a UPA Tangará, porque o aparelho de raio-x da Vila Toninho estava quebrado”, reclamou o comerciante Anderson Oliveira.

Para o promotor de Justiça Carlos Romani, que tem acompanhado os problemas da saúde, os familiares poderão requerer judicialmente o ressarcimento da Prefeitura dos gastos com a idosa.

Em outro caso, parentes de uma mulher de 69 anos, internada na UPA Jaguaré, fizeram um boletim de ocorrência na Central de Flagrantes, na manhã desta quinta-feira, 23, para reclamar do atendimento médico.

Um sobrinho dela, de 45 anos, diz ter ficado assustado ao encontrá-la amarrada no leito, com sinais de delírio e falas desconexas. Os parentes dizem que a idosa já passou pela UPA por quatro vezes, sendo que a primeira vez foi no dia 12 de junho, mas sem melhorar seu quadro de saúde.Durante o registro do boletim de ocorrência, o delegado de plantão, Malcolm Montanare Mano, orientou os familiares a encaminharem a reclamação também para a Secretaria Municipal de Saúde e para o Conselho Municipal de Saúde.

Por meio de nota, a Secretaria de Saúde informou que acompanha diariamente a ocupação de leitos dos hospitais para que as providências sejam tomadas caso necessário. Com relação à UPA da Vila Toninho, a Prefeitura diz que lá não tem o equipamento de raio-x, mas os das outras unidades estão em funcionamento.

Média de casos de Covid cai pela segunda semana

Cai de 539 para 374 a média diária de novos casos de coronavírus em Rio Preto, uma redução de 30%. Boletim epidemiológico divulgado pela Prefeitura na tarde desta quinta-feira, 23, trouxe 2.998 novos casos em oito dias. Em uma semana, foram confirmadas 13 mortes, quatro a mais do que no boletim passado. A Saúde diz que as vítimas foram idosos e pessoas com comorbidades.

Segundo a gerente da Vigilância Epidemiológica, Andreia Negri, da Secretaria de Saúde, a queda no ritmo de contaminação pode ser resultado da volta da obrigatoriedade do uso de máscara em locais fechados.

“Para confirmar se há de fato uma tendência de enfraquecimento da doença, precisamos aguardar dados da próxima semana, porque estamos vindo do feriado prolongado de Corpus Christi, quando naturalmente muitas pessoas deixam de procurar a rede de saúde para fazer testes”, analisa a gerente.

Para o epidemiologista da Fiocruz Jessen Orellana, os dados divulgados pela Saúde podem ser indício de queda da doença em Rio Preto. “Ao que parece, a média móvel vem caindo sequencialmente, o que pode apontar para tendência de queda no número de casos notificados”, afirma o epidemiologista. No boletim de 8 de junho, a média diária chegou a 640 em Rio Preto.

Com a inclusão dos novos casos, Rio Preto contabiliza 153.012 resultados positivos. A cidade tem hoje 285 pacientes internados por Síndrome Respiratória Aguda Grave (SRAG), sendo 149 residentes de Rio Preto e 136 da região. Entre os internados, 79 tiveram a confirmação por Covid-19, sendo que 34 são residentes de Rio Preto e 45 são da região. (MAS)

Leitos da UBS do Fraternidade foram abertos em 23 de maio para aumentar capacidade de atendimento (Divulgação/Prefeitura/Ivan Feitosa)

 
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