SÃO JOSÉ DO RIO PRETO | DOMINGO, 16 DE JANEIRO DE 2022
ENCERRAMENTO

Igreja Viamor, em Rio Preto, anuncia o fim das atividades após 6 anos

Fundador da associação morreu em dezembro de 2020, vítima da Covid

Arthur Pazin
Publicado em 12/01/2022 às 22:22Atualizado em 13/01/2022 às 08:18
Sede da igreja Viamor, no Jardim Paraíso: investimento foi de R$ 10 milhões para a construção (Guilherme Baffi 12/1/2022)

Sede da igreja Viamor, no Jardim Paraíso: investimento foi de R$ 10 milhões para a construção (Guilherme Baffi 12/1/2022)

A igreja Viamor House anunciou o fim de suas atividades. Por meio de perfil no Instagram, o templo, que tinha como lema “a Viamor não para”, publicou um comunicado, na última terça-feira, 11, informando que parou. Segundo a postagem, no final de 2021, já havia sido comunicado aos fiéis o fim das atividades da Viamor enquanto associação de atendimento social.

Na ocasião, a diretoria da igreja afirmou que em janeiro seria preparada a documentação para estabelecer no espaço, na avenida Antônio Marcos de Oliveira, no Jardim Paraíso, região Norte, uma igreja. O espaço onde funcionou por anos os atendimentos sociais na avenida Alberto Andaló já havia sido fechado anteriormente.

No entanto, na publicação de terça-feira, feita pela pastora Zilda Afonso Dias Pereira, viúva do fundador, a igreja informou que “não é esse o propósito que Deus tem para esse lugar”. “A promessa que o Sebastião havia feito para Deus não se tratava de uma placa de igreja, de uma denominação, de um movimento religioso, se tratava única e exclusivamente de um templo, um lugar para que o Nome de Deus fosse glorificado”, escreveu no post, referindo-se ao pastor Sebastião Donizeti Pereira, fundador da igreja, morto em decorrência da Covid, em dezembro de 2020.

“A Viamor foi um projeto lindo que Deus colocou no coração do Sebastião, e através dele no coração da nossa família e amigos, onde aprendemos a amar e servir pessoas, independente de quem fosse”, informou ainda a publicação.

Além de ser igreja, a Viamor também realizou, ao longo de seis anos, diversos trabalhos sociais com comunidades carentes e moradores de rua da cidade. Segundo o site da instituição, a Viamor atendeu aproximadamente mil pessoas, servindo 46,8 mil refeições.

O pastor Sebastião chegou até a receber da Câmara dos Vereadores a Medalha do Brasão do Município e o Diploma de Comendador da Ordem Municipal do Brasão. Com a sua morte, a diretoria da igreja manteve em funcionamento o atendimento social de 150 famílias carentes e a distribuição diária de 45 marmitas para moradores de rua.

A vendedora de carros Alexandra Zavanella conheceu a Viamor em 2017, quando começou a atuar como voluntária no prédio da associação na avenida Alberto Andaló. Ela contou que ajudava a cuidar da assistência aos moradores de rua, aos quais a entidade se referia como “príncipes”. Segundo ela, o local servia apenas para os trabalhos sociais, mas abria caminhos para chegar até a igreja, no Jardim Paraíso, a qual ela também começou a fazer parte em abril de 2018. Nos atendimentos, Alexandra ressaltou que as abordagens iam além de servir alimentos, mas também oferecer atendimento psicológico, recursos humanos, treinamento de recolocação, auxílio na internação aos viciados e até mesmo serviço de cabeleireiro, higiene, atendimento médico e alfabetização.

“Fui muito feliz lá como voluntária. Vi pessoas serem recolocadas no mercado, famílias serem novamente estruturadas. Não tenho o que desabonar em relação à igreja”, comentou Alexandra.

Templo nasceu em 2015

A igreja foi fundada em agosto de 2015, pelo empresário e pastor Sebastião Donizeti Pereira, que exportava miúdos bovinos. A Viamor surgiu como uma versão doméstica do “Templo de Salomão”, em uma área de aproximadamente 8 mil metros no Jardim Paraíso, zona Norte de Rio Preto.

Com investimento de R$ 10 milhões e capacidade para 5 mil fiéis, o local inaugurou com um anexo que contava com academia, lanchonete e livraria, o que deixou o espaço, rodeado de ruas dominadas pelo tráfico de drogas e prostituição, com “cara de shopping”, incluindo estacionamento fechado para 400 carros e dois berçários para atender até 80 crianças. Tudo monitorado por câmeras e com equipamentos de última geração.

A Prefeitura de Rio Preto moveu, em março de 2021, uma ação de execução fiscal contra o espólio de Sebastião, fundador da igreja, devido à importância de R$ 12.403,56, referente a “obras irregulares” entre os anos de 2017 e 2020.

Na ocasião, o Município requereu o pagamento integral da dívida em até cinco dias, sob pena de penhora de bens. Ainda não há decisão da Justiça. A reportagem procurou a Igreja, pelo telefone, e por meio de pastores, mas não obteve retorno.

O Diário procurou a Secretaria de Assistência Social para comentar sobre a trajetória da instituição. Em nota, a pasta respondeu que “a referida instituição não possui termo de parceria com a Secretaria, não sendo possível apresentar justificativas sobre o assunto”. (AP)

 
Copyright © - 2021 - Grupo Diário da Região.É proibida a reprodução do conteúdo em qualquer meio de comunicação, eletrônico ou impresso, sem autorização.
Desenvolvido por
Distribuido por