SÃO JOSÉ DO RIO PRETO | TERÇA-FEIRA, 26 DE OUTUBRO DE 2021
DIA DA ÁRVORE

Árvores são fundamentais para melhorar a qualidade do ar e controlar a temperatura

Em Rio Preto, porém, nem elas têm sido capazes de controlar o clima: cidade registrou 40,1 graus nesta segunda-feira, dia 20

Millena Grigoleti
Publicado em 21/09/2021 às 00:17Atualizado em 21/09/2021 às 00:37
Vista área da região da avenida Murchid Homsi, uma das mais arborizadas de Rio Preto (Guilherme Baffi 17/1/2021)

Vista área da região da avenida Murchid Homsi, uma das mais arborizadas de Rio Preto (Guilherme Baffi 17/1/2021)

Elas são lindas, colorem a cidade (principalmente os ipês, espalhados em diversos locais), mas a função estética está longe de ser a mais importante das árvores, as homenageadas desta terça-feira, 21, quando se comemora o Dia da Árvore. Com uma maior quantidade delas, principalmente em regiões “desmatadas”, como o Centro, seria possível aplacar um pouco do calorão de Rio Preto e respirar mais confortavelmente, já que as plantas ajudam a aumentar a umidade relativa do ar e ainda filtram poluição. Nesta segunda-feira, 20, foi registrada a maior temperatura do ano na cidade: 40,1 graus às 15h, de acordo com a Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb).

“Uma maior cobertura vegetal em Rio Preto melhoraria o microclima, diminuiria as ilhas de calor, auxiliaria na infiltração das chuvas e diminuiriam as enchentes, intempéries como tempestades, inversão térmica”, afirma Larissa Volpi, engenheira agrônoma da Secretaria de Meio Ambiente e Urbanismo de Rio Preto, especialista em Arborização Urbana pela Unifesp.

As árvores funcionam como um grande filtro. De acordo com Valéria Stranghetti, doutora em Biologia Vegetal e professora da Unirp, uma árvore de grande porte que estiver em uma calçada ecológica pode diminuir até dez graus de temperatura no seu entorno. Nessa lista, estão inclusos chuva-de-ouro, oiti, flamboyant, ipê-rosa e ipê-roxo.

O benefício também ocorre com as árvores de médio porte em uma calçada comum: aroeira-salsa, aroeira-pimenteira e pata-vaca têm a capacidade de derrubar cinco graus se estiver com a copa adequada – segundo a docente, a poda drástica é um problema sério em Rio Preto. Os donos dos imóveis cortam as folhas, deixando a planta praticamente sem nenhuma, o que diminui os benefícios dela. Além disso, cortes inadequados e com materiais não higienizados abrem a porta para a entrada de patógenos que deixam a árvore doente, podendo levar à sua morte.

As plantas puxam água da terra por meio das raízes; essa água é levada por meio de canais até as folhas, que retiram do ar um gás chamado dióxido de carbono, aquele que sai dos pulmões durante a respiração. Além disso, segundo Valéria, elas filtram e retêm partículas de poeira, emitidas, por exemplo, pela queima de combustíveis nos veículos automotores e pelas queimadas, que deixam o ar com um aspecto de sujo, de nuvem de poeira.

Elas também absorvem a luz do sol, transformando o dióxido de carbono em glicose, o alimento das plantas, e em oxigênio, o ar necessário para a respiração humana. “Elas vão pegar água do solo para suas necessidades fisiológicas e vão eliminar através do processo de transpiração partículas muito pequenas de água, isso faz com que ocorra um frescor e aumenta a umidade relativa do ar”, explica Valéria. A umidade relativa do ar chegou a 21% em Rio Preto, bem longe dos 60% ideais à saúde humana. “Quanto mais folhas, melhor. E o benefício vem, além das árvores, de grama, arbustos...tudo que tiver folhas verdes.”

Ações

Riopreto Shopping e Polícia Ambiental

  • Ação de conscientização sobre a importância do meio ambiente, das 10h às 22h, no centro de compras

Viveiro de Mudas

  • Drive-thru de doação de mudas, das 8h30 às 11h30
  • Ação acontece nesta terça e também na quinta, 23, na sede do Viveiro, na avenida Sabino Cardoso Filho, 2.850, Vila Elvira
  • Interessados em pegar muda devem levar documento com foto e um comprovante de residência de Rio Preto

Estação de Tratamento de Esgoto (ETE)

  • Plantio de 2,5 mil mudas de espécies nativas em Área de Preservação Permanente (APP) do rio Preto, na ETE, nesta terça, às 9h30

Projeto Mundo Novo

  • Plantio de 25 mudas com as crianças dos Núcleos Eldorado, Jd. Nunes, João Paulo II, Nova Esperança e Pinheirinho, nesta terça, às 8h30

Centro Espírita Francisco Cândido Xavier

  • Plantio de 40 mudas pelo projeto Muda Que a Cidade Muda e Secretaria de Meio Ambiente, nesta terça, às 10h, na avenida Alfredo Teodoro de Oliveira, 2.195, no Solo Sagrado

Falta distribuição

A Secretaria do Meio Ambiente calcula que há 660 mil árvores em calçadas em Rio Preto – não foram consideras nesse cálculo as árvores da Floresta Estadual do Noroeste Paulista, nem de parques e de áreas de preservação ambiental (apps). A Secretaria de Meio Ambiente não tem um número exato sobre a cobertura vegetal na cidade, de maneira global, pois para isso é necessária uma imagem de satélite que custa caro, cerca de R$ 1 milhão. A última que foi feita data de 2015.

“O ideal seriam três árvores por morador, que resulta em 36 metros quadrados por habitante. Rio Preto tem esse índice? Se tem, não está bem distribuído na cidade. É comum vermos compensações de árvores (quando é obrigado a repor a árvore que tirou) em locais distantes das ruas e dos edifícios”, afirma Delcimar Teodózio, arquiteta e urbanista doutora em planejamento urbano. “Isso em nada ajuda a melhorar o clima e a paisagem da cidade. Quanto mais verde a cidade, melhor o clima e a qualidade do ar. Portanto, não basta ter quantidade de árvores, é necessário planejar muito bem onde e como se planta, para que a cidade seja agradável de caminhar ou permanecer.”

Segundo a Secretaria do Meio Ambiente, a região da Represa apresenta a maior concentração de árvores por metro de calçada, onde é preciso, em média, percorrer 9,7 metros de calçada para encontrar um indivíduo arbóreo, sendo uma característica extremamente positiva, entretanto, a mesma região foi classificada como a segunda mais relevante em podas deformativas (15,83%). Já na região do Centro é preciso andar em média 21,5 metros para encontrar um indivíduo arbóreo. Porém, nos últimos anos essa região tem recebido atenção da administração tendo recebido diversos plantios, onde é possível, implantação de Florestas Urbanas, plantios coordenados em parcerias com organizações como do Projeto Muda que a Cidade Cidade Muda.

“A Secretaria do Meio Ambiente, além de produzir e doar mudas, apoia diversos projetos de arborização em parceria com a sociedade civil e iniciativa privada. A Secretaria também atua na vistoria de áreas e árvores, e sempre que possível, sugere a preservação das árvores em situações de obras. Gerencia passivos ambientais e o plantio de reflorestamentos”, afirma Otton Arruda, engenheiro agrônomo da Secretaria de Meio Ambiente e Urbanismo e chefe do Viveiro Municipal.

Resultados demoram

Rio Preto tem 44,3% de cobertura vegetal. Isso significa que, de 100% do território municipal, 44,3% têm algum componente verde. Segundo Larissa Volpi, mais árvores em Rio Preto não teriam, isoladamente, condições de quebrar a seca e o calor – a não ser na área de sombra de sua copa, o que já seria muito importante. “As chuvas do Sudeste do Brasil, incluindo Rio Preto e região, são influenciadas pelo bioma amazônico, rios voadores trazidos pelas correntes e as mudanças climáticas são resultado de emissões de gás carbônico de todo o planeta”, afirma.

“Porém, replantar matas ciliares, usar racionalmente a água e os recursos naturais em geral; aumentar as áreas de mata, promovendo o reflorestamento; recuperar e preservar nascentes, diminuir a emissão de gás carbônico, são medidas urgentes para todos, seja em Rio Preto, região, estado, país, continente e planeta. O esforço precisa ser coordenado e conjunto. É quando todos fazem localmente que conquistamos resultados globalmente”, conclui a engenheira agrônoma. 

E não adianta plantar centenas ou milhares de árvores de uma vez e achar que os resultados serão instantâneos – é claro que o impacto virá e eles serão essenciais, mas quanto antes for o início do plantio, melhor. É o que explica Luis Henrique Branco, professor doutor do Departamento de Ciências Biológicas do Ibilce.  “Quando você planta ou produz uma comunidade vegetal, num primeiro momento ela consome muita água e armazena pouca. À medida que ela vai se desenvolvendo, tem superávit de umidade e conforto térmico.” (MG)

Natureza esplendorosa

Copas floridas ou toda verde: “Como a Natureza é sábia"

Dia 21 de Setembro foi o dia delas. Elas são magnificas, de vários tamanhos, tipos, porte e cores.

Há árvores baixas, pequenas, começando a crescer e a viver. Há também as muito altas, caules eretos mostrando lá em cima a sua pujança. E aquelas maravilhosas, bem copadas e verdes, fechadas de folhas a se mostrarem fortes e nutridas, e aquelas bem cheias de galhos que se entrelaçam e se emaranham, embora haja também as desgalhadas, as podadas, judiadas e secas. Ás vezes sofrem pela mão do homem, outras vezes pelo próprio tempo.

Umas tem os caules grossos, fortes, outras caules finos, magrinhos e outras até encurvados, retorcidos e tortos. Há ainda os que até pendem para a lateral buscando o sol. Como a Natureza é sábia!

Não posso deixar de mencionar também as exuberantemente coloridas, como é o caso dos ipês e flamboyants que encantam a vista de qualquer um.

E, fechando tudo, a benção das árvores frutíferas, dando seus frutos na estação certa e, além de tudo isso, ainda purificam o ar que respiramos e dão sua sombra para o exaurido e cansado.

E, assim, elas precisam ser respeitadas, admiradas, amadas e conservadas. Elas, transformadas em madeira, nos dão o berço quando nascemos, nos acompanham por todos os lugares onde quer que andemos e ainda vão conosco ao seio da terra quando morremos.

Benditas árvores! Abençoadas árvores!

undefinedLeitora e admiradora das árvores

Jacarandá-mimoso na Represa Municipal: espalhadas pela cidade, árvores deixam a paisagem roxa (Johnny Torres 20/9/2021)
Vista do Centro: região é apontada como a que tem menos árvores nas calçadas (Guilherme Baffi 14/1/2021)
 
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