SÃO JOSÉ DO RIO PRETO | SÁBADO, 04 DE DEZEMBRO DE 2021
OUTUBRO ROSA

Evento em Rio Preto visa prevenir câncer em animais domésticos

Tumor é o mais recorrente entre as cadelas e o terceiro mais comum nas gatas

Millena Grigoleti
Publicado em 21/10/2021 às 20:40Atualizado em 22/10/2021 às 08:24
Samária Páttero vai levar a cadelinha Meg, de 12 anos, para ser examinada (Arquivo Pessoal)

Samária Páttero vai levar a cadelinha Meg, de 12 anos, para ser examinada (Arquivo Pessoal)

Outubro não é mês de prevenir o câncer de mama apenas nas mulheres. Também tem prevenção do tumor entre as cachorras e gatas. Quando se fala das cadelinhas, esse é o tipo de tumor mais comum; com relação às gatinhas, é o terceiro mais recorrente. A doença pode avançar rapidamente, por isso vale a máxima: a prevenção e a detecção precoce são os melhores remédios.

Neste domingo, 24, a Associação de Médicos Veterinários de Pequenos Animais de Rio Preto e Região (Aclivet) realiza a 3ª edição do Tetinhas, com o apoio da Prefeitura de Rio Preto, por meio da Diretoria do Bem-Estar Animal (Dibea) e de várias empresas.

A aposentada Samária Páttero, de 60 anos, vai levar Meg, de 12 anos, pela terceira vez ao evento. “Eu levei a Meg para ser examinada porque a prevenção é importante para nós, para os animaizinhos nem se fala, porque eles não reclamam. No máximo ficam amuadinhos, quietinhos, então temos que ter um olhar bem atento”, afirma.

Os tutores podem levar fêmeas de cães e gatos de qualquer idade ao evento, onde elas terão as mamas examinadas para rastrear tumores. Os machos também são bem-vindos, pois, embora seja raro, eles também podem ter câncer de mama. Os tutores também aprenderão como apalpar a região das mamas dos animaizinhos, para que possam fazer o exame em casa. Haverá distribuição de material informativo.

O exame em casa pode ser feito durante o banho, momentos de carinho com o pet e brincadeiras. A orientação é que, se surgir qualquer anormalidade, como um nódulo, secreção ou mudança de formato nas mamas, o animal seja levado ao veterinário. Principalmente nas gatinhas, a tendência é que o câncer seja descoberto em estágio avançado, dificultando o tratamento; além disso, a maioria dos casos costuma ser maligno.

“Essa é uma ação de mobilização, responsabilidade e prevenção e serve também como um ‘tira-dúvidas’ com opinião médica rápida e eficiente sobre aquela ‘bolinha, carocinho ou verruga’ no animal de estimação”, explica Claudio Cunha Raio, presidente da Aclivet.

"A idade influencia. Nas gatas, o câncer aparece mais cedo, depois de 1 ano. Nas cadelas, é a partir dos 4 anos”, afirma a médica veterinária Denise Ismael Bonilha Buzo, uma das organizadoras do Tetinhas. Segundo ela, a incidência nos animais ainda não está completamente estabelecida (por exemplo, a porcentagem delas que vai ter câncer a partir de determinada idade) e esse é um fator que precisa ser mais estudado.

Caso o bichinho desenvolva a doença, antes de iniciar o tratamento é necessário determinar qual é o tipo de tumor. Geralmente, o tratamento é cirúrgico, com a remoção do câncer – em diversos casos é preciso retirar também as mamas – e com quimioterapia, quando necessário.

O evento será realizando no domingo, dia 24, das 9h às 13h, na praça Pet Park Matheus Pinoti Massucatto, localizada na avenida Philadelpho Manoel Gouveia Neto, 2.250.

O atendimento para as gatas ocorrerá exclusivamente do lado de fora da praça, por conta do risco da realização do exame em locais abertos com a presença de cães.

Castração ajuda prevenir

Uma das formas de prevenção é a castração precoce. “Entre o primeiro e o segundo cio, previne uma porcentagem alta, de 80% a 90% de câncer nas cachorras. Castrando depois do segundo cio, eu tenho ainda uma prevenção; depois do terceiro cio a prevenção não é muito significativa para câncer de mama, mas para outras doenças sim, como infecção no útero”, explica a veterinária Denise Ismael Bonilha Buzo.

Segundo a veterinária, é um mito que as cachorrinhas e gatinhas precisam engravidar ao menos uma vez e amamentar os filhotes para evitar o câncer de mama – pelo contrário: estar com as mamas cheias de leite com frequência aumenta o risco de desenvolver células cancerosas. Assim como acontece com os seres humanos, o tumor nos bichinhos também pode se espalhar para outras regiões do corpo; via de regra em cadelas, vai para o fígado e o cérebro.

Rio Preto oferece o serviço de castração gratuita para os moradores. É preciso fazer um cadastro no Poupatempo, no Ganha Tempo Cidadão ou no Centro de Controle de Zoonoses (CCZ). O responsável pelo animal deve estar munido de RG e CPF originais, comprovantes de residência em Rio Preto de no máximo três meses de emissão, inscrição no Cadastro Único (caso possua) e número de telefone. O cadastro é limitado a cinco animais por pessoa. (MG)

Homens podem ser vítimas

Homens também podem ter câncer de mama. De acordo com o oncologista Gustavo Girotto, do Hospital de Base, eles correspondem a 1% do total de tumores nessa região. O tratamento costuma ser bem parecido com os casos femininos: cirurgia (por vezes sendo necessária a remoção da mama), quimioterapia e radioterapia.

“Como a mamografia e ultrassonografia de mamas em homens não são realizadas rotineiramente, é importante que eles se habituem a se palpar com frequência e, caso percebam uma nodulação na região das mamas, devem procurar o quanto antes um médico mastologista para que sejam realizados os exames complementares”, explica Naíra Morgado de Abreu Guaresemin, médica radiologista do Ultra-X.

Ricardo Alexandre Almeida, aposentado de 46 anos, nunca tinha ouvido falar de câncer de mama em homens até receber o diagnóstico, há 15 anos. Por causa da demora para descobrir a doença – um médico chegou a dizer que o nódulo era normal –, o tratamento precisou ser mais severo e ele teve de largar a carreira de metalúrgico e tapeceiro e passou a trabalhar como digitador, mas precisou se aposentar, pois, 15 anos depois do primeiro tumor, foi diagnosticado câncer no pulmão, no cérebro e nos ossos. “Estou em tratamento paliativo, fazendo quimioterapia.” (MG)

 
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