Escola estadual Alzira Rolemberg, em Rio Preto, ganha prêmio da Fundação Nestlé
Projeto “Do solo ao prato: autismo e integração sensorial no quintal da escola” foi o melhor do estado de São Paulo

Com o projeto “Do solo ao prato: autismo e integração sensorial no quintal da escola”, a escola estadual Professora Alzira Valle Rolemberg, localizada no bairro Dom Lafaiete, foi contemplada com o prêmio Crianças Mais Saudáveis. Organizado pela Fundação Nestlé, o concurso, que está na 6º edição, reconhece anualmente as dez melhores iniciativas de escolas públicas brasileiras voltadas a hábitos mais saudáveis de vida. A escola de Rio Preto foi a única selecionada no estado de São Paulo e vai receber R$ 38 mil para investir na implantação da ideia.
O projeto foi uma iniciativa da professora de geografia Sandra Zanatta Rodrigues Galavotti a partir da convivência com o aluno Samuel Mathias, do 8º ano, que é autista.
“Ele é um jovem não-verbal (só se comunica por gestos), tem seletividade alimentar, estereotipias (movimentos repetitivos). A mãe sempre o buscou mais cedo na escola porque ele tinha muitas crises sensoriais. Um dia percebi que sempre que ele ficava agitado, corria para o jardim da escola. Foi ali que eu ganhei ele”, explica.
Quando tudo fechou na pandemia, Sandra, com ajuda de mães voluntárias, cultivou um pomar na área verde da escola, plantando árvores frutíferas, ervas e legumes. No começo, a ideia era fortalecer a educação ambiental e incentivar a alimentação saudável, mas os resultados superaram as expectativas.
“Preocupada com o Samuel, planejei aulas ao ar livre. Ele se sentiu muito à vontade, o que contribuiu no tempo de permanência dele na escola e favoreceu a socialização com outros alunos. Ao cuidar das árvores e colher os frutos, a gente conquistou progressos com a seletividade alimentar dele. O dia que o Samuel comeu uma banana, a gente chorou. Os outros frutos ele experimenta. Quem conhece sobre seletividade alimentar severa sabe o quanto isso é significativo”, diz.
A dona de casa Camila Mathias se emociona ao falar da dedicação da escola com o filho. “Um dia encontrei uma coleguinha do Samuel que estudou com ele em outra escola, ela mencionou que estava feliz por vê-lo bem, porque onde eles estudavam meu filho só chorava e ficava muito sozinho. Ele claramente não gostava de lá. Hoje o Samuel cumprimenta todo mundo, participa das apresentações da escola e não fica mais incomodado com barulho”, diz.
Inclusão
Além dele, a escola tem mais 19 alunos de inclusão: nove autistas, oito deficientes intelectuais e dois deficientes auditivos.
Para amplificar os resultados da educação, o projeto “Do solo ao prato”, visa construir um pergolado que funcionará como espaço sensorial olfativo e gustativo.
“Para os autistas será um espaço de autorregulação, com um cantinho aromático para estimular os sentidos olfativos: alecrim, manjericão, lavanda, hortelã, melissa, poejo. Com o apoio do professor de educação física, vamos implantar projetos de coordenação motora em contato com a natureza, explorando diferentes práticas corporais, que serão benéficas para todos os alunos”, explica.
Outra atividade proposta é a pintura com tintas extraídas das plantas para estimular a concentração, criatividade, organização e sequência, por exemplo.
“As atividades sensoriais estimulam tato, olfato, paladar, visão e audição. Elas são benéficas para todas as crianças, principalmente para aquelas com autismo. A ideia é comparar diferentes materiais, explorando sensações táteis e visuais”, completa a professora.
No espaço também será possível realizar a manutenção das espécies cultivadas e também plantar novas mudas e sementes, possibilitando o contato com a terra e o aprendizado prático sobre geografia e biologia.
A escola receberá mentoria ao longo de quatro meses com o objetivo de apoiar a implantação do projeto selecionado, para que ele saia do papel da forma que foi sonhado.
Esta é a segunda vez que a professora Sandra vence o prêmio Crianças Mais Saudáveis. Em 2019, quando dava aula na escola estadual Leonor Carramona, ela desenvolveu um projeto de agrofloresta, com construção de um mini parque ecológico voltado para o plantar, cuidar, colher, alimentar e movimentar.