SÃO JOSÉ DO RIO PRETO | QUINTA-FEIRA, 19 DE MAIO DE 2022
URBANIZAÇÃO

Casas da Favela Marte, em Rio Preto, terão placas de energia solar

Todo o projeto de urbanização da favela deve ser finalizado em 2023, segundo o Estado

Luna Kfouri
Publicado em 14/01/2022 às 22:45Atualizado em 15/01/2022 às 07:49
Projeto mostra como vai ficar a favela (Reprodução)

Projeto mostra como vai ficar a favela (Reprodução)

A favela Marte, novo nome da favela da Vila Itália, em Rio Preto, será a primeira a ter placas solares e a ser totalmente autossustentável na geração de energia elétrica no Brasil. Esse é um projeto-piloto que será implantado pela Favela 3D (Digital, Digna e Desenvolvida), da organização não governamental Gerando Falcões, e deverá ser replicado em mais de 300 favelas do País. Todos os equipamentos de instalação serão custeados pelo Banco BV e o Meu Financiamento Solar. Serão construídas na favela 240 casas pela Companhia de Desenvolvimento Habitacional Urbano (CDHU).

O líder da comunidade, Benvindo Pereira, afirma que, para a construção desse projeto, serão disponibilizados R$ 8 milhões. Ele explica que a ideia é, até março, entregar os estudos da infraestrutura e, até junho, licitar a empresa que vai construir projeto e iniciar as obras ainda neste ano. “A ideia é de que em seis a nove meses comecem as obras. Isso na data que o governador assinou o acordo de cooperação”, afirmou.

Benvindo ressalta que essa é uma luta da comunidade há mais de sete anos. De acordo com os cálculos da Favela 3D, cada família terá uma economia entre R$ 4 mil e R$ 6 mil por ano com gastos na conta de luz. O líder da comunidade diz que esse é um projeto impactante para todas as famílias.

“Pra nós é quase que mais do que sobrenatural (ter as placas solares). O que o sistema não conseguiu fazer, vai acontecer através da iniciativa privada e os convênios entre o poder público e a sociedade. Todo mundo muito feliz também por ser um projeto tão grandioso. É muito impactante e nos traz felicidade”, finaliza.

Nina Rentel, diretora de tecnologias sociais da ONG Gerando Falcões, ressalta que o projeto pode impactar na empregabilidade de 90 a 350 pessoas dentro da comunidade.

Para a construção das 240 casas, serão investidos no projeto R$ 58 milhões, sendo R$ 28 milhões do governo do Estado, R$ 15 milhões da Prefeitura e R$ 15 milhões arrecadados pela ONG Gerando Falcões com a iniciativa privada.

O valor estimado das unidades é de R$ 110 mil. Segundo a Secretaria estadual de Habitação, o pagamento das moradias segue a política de financiamento da CDHU, que prevê juro zero para as famílias com renda mensal de até cinco salários mínimos. Foi fixado em 20% o percentual de comprometimento da renda familiar para o pagamento das prestações do início ao final do contrato de financiamento de 30 anos. As 240 moradias serão entregues com interfone, geladeira, fogão micro-ondas e chuveiro elétrico.

O projeto, que deve ter as obras iniciadas ainda este ano, deve estar completamente finalizado em 2023.

A favela da Vila Itália em Rio Preto, rebatizada de Favela Marte, começou a ser erguida em abril de 2014, em uma área particular. Em seguida, as invasões ampliaram para área pública, da Prefeitura. Em 2015, os herdeiros da área privada entraram na Justiça com pedido de reintegração de posse. Um ano depois, a Prefeitura também acionou a Justiça.

Em setembro de 2020, a Prefeitura pediu suspensão da ação para apresentar projeto de urbanização. Com apoio da Defensoria Pública e do Instituto As Valquírias, os moradores conseguiram a parceria com o Gerando Falcões para reurbanizar a favela. A Justiça de Rio Preto autorizou a suspensão dos processos para a implantação do projeto. Atualmente, a favela conta com 240 famílias, com cerca de 600 pessoas

(Com Agência Estado)

Comunidade tem cerca de 600 moradores (Guilherme Baffi 23/1/2020)

 
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