SÃO JOSÉ DO RIO PRETO | SEGUNDA-FEIRA, 24 DE JANEIRO DE 2022
ONDE O TRÂNSITO DÁ NÓ

Caos nas ruas: motoristas sofrem com trânsito travado em Rio Preto

Motoristas rio-pretenses vivem situação igual dos grandes centros e passam horas em gargalos no trânsito em avenidas e ruas da cidade na hora do rush; especialistas alertam para perda da qualidade de vida

Rodrigo Lima
Publicado em 04/12/2021 às 20:16Atualizado em 04/12/2021 às 23:45
Trânsito pesado na avenida Domingos Falavina, na região Norte da cidade (Guilherme Baffi, Johnny Torres e Rodrigo Lima)

Trânsito pesado na avenida Domingos Falavina, na região Norte da cidade (Guilherme Baffi, Johnny Torres e Rodrigo Lima)

Caótico, travado e ruim. Foi assim que motoristas classificaram o trânsito em Rio Preto, principalmente, no horário do rush - no início da manhã e no final da tarde. Os carros param e se arrastam em longas filas em avenidas e ruas da cidade por 20, 30 e até 45 minutos.

E a paciência não é apenas do motorista do município. Aqueles de cidades menores que fazem suas compras em Rio Preto também sofrem com os pontos de congestionamento. "Está muito carregado o trânsito da cidade. Sem ser no horário de pico até que é bom. Venho a Rio Preto até seis vezes por semana. Para sair daqui do Calçadão até o final da avenida Bady Bassitt estou há mais de uma hora. Abre o sinal e não anda", disse o motorista Bruno Costa Rodrigues, 29 anos.

'Para sair daqui do Calçadão até o final da avenida Bady Bassitt estou há mais de uma hora. Abre o sinal e não anda' Bruno Costa Rodrigues, motorista (Guilherme Baffi, Johnny Torres e Rodrigo Lima)

A analista de Departamento Pessoal, Suzana Spadacio, 45 anos, afirma que leva cerca de uma hora para retornar para sua casa, no Residencial Caetano, quando sai para buscar os filhos no Sesi de Represa. Ela utiliza a avenida Philadelpho Gouveia Neto todos os dias. "É fila de carro por causa do volume de trânsito. A faixa exclusiva de trânsito atrapalha. Quando vou levá-los gasto 30 minutos. Para retornar, à tarde, demora uma hora", disse.

Como trabalha em home office por conta da pandemia, Suzana disse que fica ao menos mais uma hora trabalhando para compensar o tempo que passa no trânsito da cidade.

Além da avenida Philadelpho Gouveia Netto, há outros pontos de congestionamento na cidade, como as alças de acesso da rodovia Washington Luís para acessar as avenidas Alberto Andaló e José Munia. Outros pontos identificados com base nas informações de motoristas, o aplicativo Waze e a própria Secretaria de Trânsito estão trechos da avenida Ernani Pires Domingues, a rua 15 de novembro – próximo ao Calçadão –, rua Independência – entre a as avenidas Bady Bassitt e Alberto Andaló –, a avenida Domingos Falavina – em frente ao Shopping Cidade Norte –, trecho da avenida dos Estudantes com a João Bernardino de Seixas Ribeiro, entre outros.

Corredor de carros ao longo da avenida Alberto Andaló (Guilherme Baffi, Johnny Torres e Rodrigo Lima)

O professor aposentado do Departamento de Transportes e Trânsito da USP, José Bernardes Felex, afirma que está fazendo um estudo sobre o tempo que as pessoas perdem no trânsito. "A partir da perda de 30 minutos no trânsito, a pessoa perde qualidade de vida. E, se a pessoa fica mais de 40% desse tempo parado, também há perda da qualidade de vida", afirmou o especialista.

O Diário conversou com motoristas na hora do rush, na quinta-feira, 2, no semáforo na avenida Bady Bassitt, antes de acessar a avenida Juscelino Kubitschek de Oliveira sobre, sobre o tempo que levam no trânsito da cidade. "É um caos, principalmente no horário de pico. Parece que os semáforos estão desregulados. Saio às 18h30 e para buscar meu filho na escola são 20 minutos", disse a fotógrafa Karine Roberta Freitas Cardoso.

O administrador Odaval Pereira, 50 anos, afirmou que permanece em torno de 1h30 por dia no trânsito. "No horário de pico é muito ruim. É caótico. Levo até 45 minutos para ir e voltar. Tem que melhorar o trânsito", afirmou.

O mesmo tempo é gasto pelo autônomo Daniel Rodrigues, que desabafa: "É muito tempo. Quando pega a Andaló neste horário não consego andar. Tem de melhorar a sinalização e os semáforos que estão com tempo ruim. Perco muito tempo".

Trecho na marginal Comendador Vicente Filizola testa paciência do motorista diariamente (Guilherme Baffi, Johnny Torres e Rodrigo Lima)

Vou de ônibus

Felex defendeu a utilização do transporte coletivo como uma das principais medidas para reduzir a quantidade de veículos nas ruas e, assim, reduzir os pontos de congestionamento na cidade. Ele, no entanto, afirma que é necessário o Poder Público realizar estudos e ter coragem, por exemplo, para rever a decisão de manter corredores exclusivos de ônibus. "Tem de ser avaliado se o corredor de ônibus é usado por quantos veículos do tipo. Ou é espaço para se multar os carros e motos?", questionou o especialista no trânsito. "O corredor de ônibus é eficiente ou enfeite?"

A cuidadora Lindinalva Rodrigues da Cruz, 61 anos, também estava na avenida Bady Bassitt com o seu carro, mas ela disse que prefere o ônibus. "Não uso o carro por causa do trânsito. É muito maluco, as pessoas não têm respeito no trânsito e houve aumento de carro. Por isso, prefiro andar de ônibus. Eu me sinto mais segura", afirmou.

Impacto

O prefeito de Rio Preto, Edinho Araújo (MDB) afirma que a cidade possui um dos maiores índices de veículos por habitantes: 0,87 veículo para cada morador. Ou seja, são 409.983 veículos e motos para uma população de 469.173 habitantes.

"Estes números refletem nas avenidas e ruas de nossa cidade. Sendo assim, a Prefeitura tem tomado as medidas necessárias e agido para diminuir os problemas no trânsito. Construímos o Anel Viário, maior obra de mobilidade urbana da história de Rio Preto, com 35 quilômetros e que possibilita o motorista acessar as zonas norte, sul, leste e oeste sem precisar passar pelo centro da cidade, desafogando assim o trânsito e garantindo maior fluidez nos corredores de ônibus, melhorando o transporte público", afirmou Edinho em nota.

'Rio Preto é um dos municípios com um dos maiores índices de veículos/ habitantes: 0,87 veículo para cada morador. Estes números refletem nas avenidas e ruas de nossa cidade' Edinho Araújo, prefeito

De acordo com o emedebista, a duplicação do trecho urbano da BR-153 vai interferir no fluxo de veículos, inclusive, com a promessa de acabar com gargalos que existiam, como na avenida Nossa Senhora da Paz e no trevo do distrito de Talhado. "Abertura de vários trechos de marginais também da BR-153. A construção do complexo viário Iolanda Bassitt, que beneficia milhares de motoristas na região norte; construção de rotatória na avenida Fernando Costa e implantação de duas faixas de tráfego na avenida; e construção de viaduto na rua Izidoro Pupim, que facilita a vida de trabalhadores e moradores da região do Distrito Industrial Waldemar Verdi. Portanto, são ações para minimizar os impactos do alto tráfego de veículos e que refletem na redução do tempo do motorista no trânsito de São José do Rio Preto", afirmou.

(Guilherme Baffi, Johnny Torres e Rodrigo Lima)

Secretaria indica rota alternativa

Avenida Philadelpho Gouveia Neto recebe milhares de carros e motos todos os dias

A Secretaria de Trânsito afirmou que em Rio Preto existem dezenas de pontos com grande volume de tráfego, principalmente nos horários de pico. A pasta afirma ainda que sempre está monitorando estes locais, e implantando sinalizações (horizontal, vertical, semafórica), visando melhorar a fluidez e segurança do sistema viário. "A construção de rotatória, em muitos casos, é uma solução importante", afirmou em nota.

Para evitar os pontos de congestionamento, os motoristas são orientados a buscar rotas alternativas nestes horários - das 7h às 8h30 e das 15h30 às 19h. A administração do prefeito Edinho Araújo (MDB) afirmou que realizou obras que resolveram problemas de gargalos de trânsito.

Cita como exemplo o acesso à rodovia Assis Chateaubriand pela avenida Fernando Costa. “Resolvido pela Construção da rotatória no encontro das duas vias”, consta na nota. Em relação a avenida Philadelpho Gouveia Neto afirma que o trânsito foi minimizado pelos trechos já inaugurados do próprio anel viário.

Técnicos da pasta afirmaram que foram feitas várias obras no sistema viário para melhorar a mobilidade urbana na cidade. "Por exemplo: as marginais, ao longo das rodovias, a rotatória da avenida Fernando Costa e, principalmente, a construção do Anel Viário", consta em nota.

André Lourenço, especialista em Trânsito, membro do Observatório Nacional de Segurança Viária (ONSV), disse que, mesmo com o anel viário, a cidade tem gargalos na região Norte. "Para sair da zona Norte e vir para o centro ou distritos industriais, sempre temos trânsito pela manhã e à tarde. A cidade foi crescendo e não se pensou em criar grandes avenidas para o deslocamento das pessoas", afirmou. (RL)

Fila dupla na Washington Luís

Motoristas param sobre a rodovia Washington Luís na alça de acesso à avenida Andaló

Motoristas pararam seus veículos sobre a rodovia Washington Luís para acessar a marginal que dá acesso à avenida Alberto Andaló, em Rio Preto, na segunda-feira, 29, na hora do rush. Caminhões e outros carros que trafegavam pela rodovia tiveram de desviar. No momento em que se formou uma fila dupla, uma viatura da Polícia Rodoviária Estadual passou pelo local, mas não parou para fiscalizar ou organizar o trânsito.

A concessionária AB Triângulo do Sol afirma que a situação é reflexo de uma interferência urbana no trânsito rodoviário, por conta da restrição da capacidade do sistema viário da cidade, devido aos semáforos existentes nos cruzamentos com as avenidas do município, fora da faixa de domínio sob a sua concessão.

"A interferência urbana no trânsito rodoviário se dá quando parte do tráfego que deveria ocorrer dentro do município vai para a rodovia. No caso de São José do Rio Preto, os veículos utilizam a rodovia como rota alternativa para acesso aos diferentes bairros da cidade, percorrendo a SP-310 em distâncias relativamente curtas, entre um e dois quilômetros, mesmo com a existência de via marginal municipal", consta em nota.

Para a concessionária, essa situação leva a formação de filas nas alças de saída da rodovia para a cidade, devido à existência dos semáforos nos cruzamentos das principais avenidas da cidade, interferindo na fluidez do tráfego rodoviário. (RL)

 
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