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INVESTIGAÇÃO

Após evento de conscientização, 23 adolescentes denunciam abuso sexual em Rio Preto

Vara da Infância e da Juventude de Rio Preto vai apurar os casos, que só foram revelados pelos estudantes durante um evento para discutir formas de combate a violência contra menores

por Marco Antonio dos Santos
Publicado em 25/10/2022 às 21:17Atualizado em 26/10/2022 às 05:50
Apresentação do projeto “Eu Tenho Voz” na escola Pio X, em Rio Preto (Divulgação)
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Apresentação do projeto “Eu Tenho Voz” na escola Pio X, em Rio Preto (Divulgação)
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A Vara da Infância e da Juventude vai apurar denúncias de abuso sexual feitas por 23 adolescentes de Rio Preto. Os casos só foram revelados pelos estudantes durante um evento para discutir formas de combate a violência contra menores, promovido em escolas da cidade.

O projeto “Eu Tenho Voz”, desenvolvido pelo Instituto Paulista de Magistrados (Ipam) com objetivo de prevenção contra crimes de abuso sexual, físico e psicológico contra crianças e adolescentes, foi realizado nos dias 20 e 21 deste mês, no anfiteatro da Famerp e em escolas da rede pública de ensino de Rio Preto.

O juiz da Vara da Infância e da Juventude, Evandro Pelarin, afirmou que, como o evento mostrava os exemplos de situações de abuso sexual, as alunas de escolas estaduais podem ter sentido segurança para revelarem o sofrimento pelo qual tinham passado.

“Durante o projeto, tem apresentações teatrais, por artistas profissionais, que executam a peça chamada ‘Marcas da Infância’, que acaba despertando em crianças e adolescentes a coragem da denúncia, que vem logo após o fim da peça”, explica o magistrado.

Pelarin afirma que, após a apresentação teatral, as adolescentes começaram a chorar e a relembrar o que passaram. Imediatamente, a equipe presente no evento começou a fazer o acolhimento das denúncias.

Inicialmente, as estudantes foram ouvidas em sigilo por funcionários da Vara da Infância e da Juventude e profissionais de saúde capacitados para lidar com casos de abuso sexual. Todos os relatos foram registrados, mas mantidos sobre sigilo.

Depois de analisar preliminarmente os depoimentos das 23 adolescentes, o magistrado fez reunião com uma psicóloga judiciária da Vara da Infância para determinar quais as providências a serem adotadas. “Alguns encaminhamentos tiveram de ser urgentes, já com preparação de afastamento de possível agressor, oitiva das crianças. Sabíamos que o resultado do projeto seria positivo, mas nos surpreendeu”, afirma o juiz.

A Vara da Infância e da Juventude vai ouvir formalmente as adolescentes, acompanhadas de responsáveis. Depois irá convocar todos os adultos acusados de abuso.

Com base na análise dos depoimentos e provas apresentadas, serão adotadas as medidas, principalmente para proteger as adolescentes de novos abusos. Os autores vão ser alvos de processos.

Pelarin ressalta a importância do projeto “Eu Tenho Voz”, idealizado e coordenado pela juíza Hertha Helena Rollemberg Padilha de Oliveira, segunda vice-presidente do Ipam. “Nós sempre estamos à procura de ideias que possam ser aplicadas aqui em Rio Preto e foi assim que trouxemos o projeto Eu Tenho Voz, que já é conhecido pelos resultados que obtém”, diz.