Morre em Rio Preto o professor e artista Ulisses Andrade, aos 56 anos
Ulisses Andrade deixa legado de arte, cultura e amizade em Rio Preto

Foi sepultado na manhã desta quarta-feira, 24, em Rio Preto, o artista, professor e fotógrafo Ulisses Fernandes de Andrade, aos 56 anos. Há pouco tempo, ele havia sido diagnosticado com câncer no pâncreas com metástase e morreu nesta segunda-feira, 22.
Segundo a família, Ulisses iniciou o tratamento em uma clínica particular, mas, durante a primeira sessão de quimioterapia, apresentou um quadro de bradicardia. Diante da situação, os familiares optaram por transferir o tratamento para o Hospital de Base, onde ele realizava a terceira sessão de quimioterapia.
Mais do que os títulos profissionais, Ulisses deixa como legado a forma intensa e leve com que enxergava a vida. Para a filha, Camila Andrade, ele era a própria representação da alegria. "Eu diria que ele era a personificação da vida. Ficava feliz com pouco: estar reunido com os amigos, com a família, ouvir uma boa música, andar de moto. Era inteligente, perspicaz, ativo e não tinha tempo ruim. Acordava às cinco da manhã cantando."
A relação entre pai e filha era marcada pela amizade e companheirismo. Camila relembra os momentos compartilhados ao lado do pai, entre passeios, conversas, shows e viagens. "Ele era minha inspiração, meu melhor amigo. Estávamos sempre juntos. Em fevereiro deste ano fomos assistir ao AC/DC, um presente que dei para ele e que se tornou uma lembrança inesquecível."
Reconhecido por seu amor à arte e à cultura, Ulisses também deixou sua marca em diversos projetos da cidade. O empresário Renato Vieira, um dos proprietários do Fifty 2, recorda que conheceu Ulisses por meio do cenário artístico local e que rapidamente criou uma forte amizade com ele. Segundo Renato, foi Ulisses quem apresentou artistas, pintores e projetos culturais que ajudaram a fortalecer as exposições realizadas no restaurante. Frequentador assíduo do local, ele era conhecido pelo entusiasmo com que falava sobre poesia, arte e novas ideias. "Ele era uma pessoa muito alto-astral. Tinha um coração lindo e fazia bem para todos ao seu redor."
A Escola Octacílio Alves de Almeida também prestou homenagem ao professor nas redes sociais. "Ulisses foi alegria em pessoa: sempre positivo, generoso e pronto para ajudar. Tinha um olhar especial, capaz de perceber o que muitos não viam."
A artista plástica Patrícia Buzzini destacou a importância de Ulisses para o cenário cultural rio-pretense e relembrou a parceria construída ao longo dos anos. "Tive a honra de ser curadora de sua primeira exposição em Rio Preto e, desde então, ele passou a me chamar carinhosamente de madrinha. Nossa cidade perde um artista brilhante e uma pessoa querida por todos."
Professor de artes, artista plástico, fotógrafo, escritor e poeta, Ulisses colecionou diferentes formas de expressão ao longo da vida. Mas, para a filha, nenhum desses títulos foi tão importante quanto o papel que desempenhou dentro de casa. "Ele foi muitas coisas: professor de artes, artista, fotógrafo, escritor e tantas outras. Mas, acima de tudo, ele foi o meu papai."
O velório e o sepultamento foram no Cemitério São João Batista, em Rio Preto.