GARIMPO

Rio Preto era destino de ouro ilegal em esquema que movimentou R$ 5,2 milhões, diz PF

Investigação aponta que cerca de 17,3 quilos de ouro saíram de garimpos de Mato Grosso e chegaram à cidade para serem armazenados e comercializados

por Marco Antonio dos Santos
Publicado em 28/08/2026 às 08:58Atualizado em 28/08/2026 às 08:59
Segundo a PF, foi movimentado cerca de R$ 5,2 milhões em ouro ilegal (Divulgação/Polícia Federal)
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Segundo a PF, foi movimentado cerca de R$ 5,2 milhões em ouro ilegal (Divulgação/Polícia Federal)
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Rio Preto era o destino de aproximadamente 17,3 quilos de ouro de origem supostamente ilegal que saíam de garimpos da região de Poconé, no Mato Grosso, segundo investigação da Polícia Federal. O esquema, que teria movimentado mais de R$ 5,2 milhões, foi alvo de uma operação deflagrada nesta sexta-feira, 28, com o cumprimento de 22 mandados de busca e apreensão e dois de prisão preventiva.

Segundo a PF, depois de adquirido em Mato Grosso, o ouro percorria uma cadeia logística interestadual até chegar a Rio Preto. Na cidade, o minério era recebido e mantido em um estabelecimento utilizado para custódia e posterior comercialização.

Ainda de acordo com a investigação, em Rio Preto o ouro era intermediado junto aos compradores finais, completando o ciclo que transformava o minério de origem supostamente ilícita em recursos financeiros posteriormente distribuídos entre os integrantes do grupo.

A investigação aponta que o esquema começava na região de Poconé, onde o ouro era adquirido de fornecedores ligados à atividade garimpeira ilegal. Os pagamentos eram realizados pelo núcleo financeiro da organização, inclusive por meio de contas bancárias de terceiros, o que dificultava a identificação da origem e do destino dos recursos.

A análise das movimentações financeiras permitiu à Polícia Federal identificar uma estrutura formada por fornecedores, operadores financeiros, intermediários, transportadores e compradores do minério.

Segundo a PF, o grupo também utilizava contas bancárias de terceiros, pessoas jurídicas e empresas do segmento de pagamentos digitais para ocultar e dissimular os valores. Parte do dinheiro era pulverizada por meio de transferências eletrônicas e saques de elevados valores em espécie, dificultando o rastreamento dos recursos e a identificação dos beneficiários finais.

Ao todo, a Justiça Federal determinou o cumprimento de 22 mandados de busca e apreensão e dois de prisão preventiva em endereços relacionados aos principais investigados. As diligências buscam apreender ouro, dinheiro, documentos e dispositivos eletrônicos, além de identificar outros integrantes da estrutura e patrimônio supostamente constituído com recursos provenientes da atividade ilegal.

Os investigados poderão responder, em tese, pelos crimes de usurpação de matéria-prima pertencente à União, lavagem de dinheiro e associação criminosa, além de outros delitos que possam ser identificados durante o avanço das investigações.

Segundo a Polícia Federal, a operação é resultado da análise de dados financeiros, informações obtidas a partir de dispositivos eletrônicos e diligências de campo, que permitiram reconstruir a cadeia logística e financeira do ouro desde Mato Grosso até Rio Preto. O material apreendido será analisado para o prosseguimento das investigações.