SÃO JOSÉ DO RIO PRETO | DOMINGO, 26 DE SETEMBRO DE 2021
CRISE HÍDRICA

Usina hidrelétrica de Ilha Solteira opera com apenas 1,45% da capacidade

Este é o menor índice dos últimos seis anos

Rone CarvalhoPublicado em 13/09/2021 às 22:20Atualizado há 14/09/2021 às 08:55
Usina hidrelétrica de Ilha Solteira é a maior de São Paulo (Divulgação/ CTG Brasil)

Usina hidrelétrica de Ilha Solteira é a maior de São Paulo (Divulgação/ CTG Brasil)

A usina hidrelétrica de Ilha Solteira opera com a menor capacidade de produção de energia do Brasil, segundo o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS). A usina estava com apenas 1,45% do volume útil neste domingo, dia 12. É o menor índice dos últimos seis anos.

Para se ter uma ideia da queda, na quinta-feira, dia 9, o reservatório de Ilha Solteira operava com 6,95% da capacidade. Outras usinas hidrelétricas do Noroeste Paulista também operam com baixa capacidade. É o caso da hidrelétrica de Água Vermelha, entre Ouroeste e Iturama (MG), que tem 12,66% do seu volume útil. Já a hidrelétrica de Marimbondo, entre Icém e Fronteira (MG), operava com 10,10% do volume útil. Já Três Irmãos, em Pereira Barreto, opera com 5,07% de sua capacidade.

Segundo a consultora do Instituto Clima e Sociedade, Amanda Ohar, o desabastecimento de energia elétrica não acontece na região de Rio Preto, porque o sistema elétrico é interligado. “Apesar do baixo nível dos reservatórios do Noroeste Paulista, como estamos num sistema interligado, a região está recebendo energia que vem de termoelétricas ou até de usinas eólicas do Nordeste. Ou seja, se falta numa região, outra compensa”, destacou.

Para ela, caso os reservatórios continuem a cair de forma progressiva como vem ocorrendo e não chova nas próximas semanas, existe o risco de ocorrer apagões rápidos durante os horários de pico em algumas regiões do Brasil já neste ano. “As medidas do governo não estão sendo suficientes para encarar a gravidade da situação. Infelizmente, existe o risco de apagões nos horários de pico já neste ano”, alertou.

Por meio de nota, o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) informou que a operação de usinas hidrelétricas com nível de armazenamento em torno de 10% é tecnicamente viável, havendo registro de situações em que hidrelétricas brasileiras operaram com volumes armazenados inferiores ao registrado nesta semana.

“Neste sentido, caso os reservatórios do subsistema Sudeste/Centro-Oeste cheguem ao nível de 10% da sua capacidade de armazenamento, isso não compromete a governabilidade hidráulica das bacias que compõem o SIN. Observa-se, no entanto, que a operação com valores muito baixos de armazenamento, inferiores a 10%, sempre requer atenção, tendo em vista as solicitações mecânicas a que a máquina é submetida”, completou a nota do ONS.

Já a CTG Brasil, responsável pelas operações da hidrelétrica de Ilha Solteira, afirmou que apesar do baixo nível a usina continua em operação e não existe previsão de parar suas atividades. “A companhia reitera, ainda, seu o compromisso com o meio ambiente, com as comunidades onde atua e com o cumprimento das leis brasileiras”, finalizou a nota.

Proliferação de algas na região

Algas na orla da prainha de Pereira Barreto, banhada pelo rio Tietê

Funcionários realizando a retirada de algas de represa de Votuporanga

A estiagem fez multiplicar o número de algas nos rios e lagos do Noroeste Paulista. Em Pereira Barreto, a prefeitura teve que realizar uma limpeza, na semana passada, na orla da praia Pôr do Sol após o local ser tomado por algas.

A diretora de Meio Ambiente de Pereira Barreto, Sandra Seki, diz que o problema é recorrente na cidade. “Estamos em um período de seca nos últimos meses que causou a baixa no rio, esse fato favorece o aumento dessas algas na orla da praia”.

Já em Votuporanga, a proliferação de algas até provocou a morte de peixes em uma represa no bairro Jardim Alvorada. “Além da falta de chuvas, os utensílios usados pelos pescadores como iscas (ração e outros alimentos) aumentam a oferta de nutrientes (matéria orgânica), o que influencia diretamente no desequilíbrio e nas péssimas condições da água da represa”, apontou Edna Morillo, da Divisão de Produção e Qualidade da Água da Saev de Votuporanga.

Em Rio Preto, o Serviço Autônomo de Água e Esgoto de Rio Preto (Semae) é o responsável pela limpeza da Represa municipal. O local também sofre com a proliferação de algas, principalmente, nos lagos um e três. (RC)

 
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