Saiba onde fica o Palácio do Imperador, uma das raras memórias do Império na região de Rio Preto
Rara construção do período do Império na região Noroeste Paulista, Palácio do Imperador passa por restauração; local foi importante durante a Guerra do Paraguai, que ocorreu cerca de 40 anos após a Independência do Brasil

Um dos raros legados do Império na região de Rio Preto e da Guerra do Paraguai no estado de São Paulo, o Palácio do Imperador, construído a mando de Dom Pedro 2°, em 1858, em Itapura, está sendo restaurado. O prédio que abrigou tropas brasileiras estava em estado de abandono e ameaçava desabar.
Localizado na divisa entre São Paulo e Mato Grosso do Sul, na época Mato Grosso, o palácio, construído quando o País era independente há menos de 40 anos, ajudou o Brasil a proteger seu território durante a Guerra do Paraguai (1864-1870) e a vencer as tropas de Solano López, presidente paraguaio.
Alguns historiadores dizem que Dom Pedro 2° se hospedou no local quando inspecionava as tropas brasileiras, fato que nunca foi comprovado.
Com dois pavimentos, o casarão também foi cenário das comemorações pela vitória do Brasil no conflito. Durante as obras de restauro, operários encontraram garrafas, talheres e uma moeda de 1922, quando o Brasil comemorava o centenário da Independência, em meio à República do Café com Leite (1989-1930).
Isso porque, mesmo após o fim da monarquia no Brasil, o local continuou sendo usado pelas forças armadas. Até 1970, por exemplo, o palácio funcionava como base da marinha. Em seguida, foi transferido como colônia militar do Exército brasileiro, sendo desativado em 1986, quando o prédio passou a ser usado por repartições públicas de Itapura até 1989. Foi quando o local ficou fechado e passou a ser depredado por vândalos.

A administração atual de Itapura atribui aos ex-prefeitos a situação de abandono que estava o local, tombado pelo Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Artístico, Arqueológico e Turístico do Estado de São Paulo (Condephaat), desde 1969.
“Devido à grande importância do prédio, fazer qualquer intervenção no local requer muito investimento, o que impossibilitou o município de fazer qualquer investimento com recursos próprios antes, assim buscamos parcerias com o governo estadual e federal para o restauro. O que ocasionou toda esta demora para conseguir recurso financeiro”, disse Elson Gomes da Silva, coordenador municipal de turismo de Itapura.
Da antiga edificação bélica que tinha canhões e até um mirante – ponto estratégico de observação do inimigo – somente restou o esqueleto do prédio. Orçada em aproximadamente R$ 3,5 milhões, a obra de restauro foi dividida em três fases.
A primeira que foi concluída consistia na revisão da alvenaria do prédio, reforço das fundações e das estruturas de suporte das portas e janelas, com objetivo de eliminar trincas. Agora, a obra está na fase de pintura interna e acabamento. Por fim, antes da inauguração, o local deve ganhar duas praças em seu entorno.
“A previsão é que as obras sejam finalizadas no ano que vem e abrimos para visitação. No local, será abrigado duas secretarias: Turismo e Educação. Além disso, no saguão central, pretendemos fazer um museu para exposição de artefatos encontrados e fotografias”, disse Elson.
A ama de leite do imperador
Pouca gente sabe, mas a ama de leite do imperador Dom Pedro 2° viveu e foi sepultada na região de Rio Preto. Embora a história careça de farta prova documental, para a Casa Imperial do Brasil não restam dúvidas, tanto que, em 1996, Bertrand de Orleans e Bragança, descendente da família real, visitou Santa Adélia e atestou o fato.
A história foi contada pelo Diário em 16 de março de 2014, pelo jornalista Marival Correa. Na visita, o herdeiro da família real brasileira depositou uma coroa de flores no túmulo de Maria Francisca, em Ururaí, distrito de Santa Adélia, onde a ama de leite do imperador foi enterrada e por meio de um discurso reconheceu a importância de Maria Francisca de Jesus Castilho, conhecida como “Capa Preta”, para história do império brasileiro.
“Não fosse por dona Maria Francisca, meu trisavô (Dom Pedro II) dificilmente teria sobrevivido para se tornar imperador. Não fosse por ela, minha bisavó, a princesa Isabel, não teria existido e, consequentemente, a Lei Áurea não teria sido promulgada. Não fosse por dona Maria Francisca, meus avós, meus pais e por consequência eu mesmo não teríamos existido. Por isso é mais do que justa essa homenagem”, disse Bertrand, na época.
Segundo o advogado e historiador Paulo Rúbio, a história da ama de leite do imperador com a região de Rio Preto começa quando Dom Pedro 1° , comovido pelo ato de Maria Francisca ter amamentado seu filho, a presenteia com uma gleba de terras, onde hoje encontra-se Santa Adélia. Na época, era comum que mulheres ricas não amamentassem seus filhos.
“Em posse dessa terra, a Maria de Jesus Castilho vem para a região e passa a morar aqui junto com a família até morrer e ser sepultada no Cemitério de Ururaí, distrito de Santa Adélia, que hoje é conhecido como Taquara”, conta.
Outro fato curioso é o apelido de Maria como “Capa Preta”. Historiadores dizem que além das glebas de terra, em Santa Adélia, a ama de leite de Dom Pedro 2° também ganhou da Corte Portuguesa uma luxuosa capa preta, que sempre fazia questão de usar. (RC)
Rio Preto volta a ter desfile
Depois de dois anos de recesso por conta da pandemia de Covid-19, a avenida Bady Bassitt em Rio Preto volta a receber o tradicional Desfile Cívico-Militar em comemoração à Independência do Brasil.
A partir das 8 horas, cerca de 3 mil pessoas percorrerão o trecho entre as ruas Lázaro Camargo Enke e Cila. Serão 32 instituições civis e mais as corporações do Tiro de Guerra, Polícia Militar, Polícia Rodoviária Estadual, Corpo de Bombeiros, Polícia Ambiental, Cavalaria, Polícia Federal e Polícia Rodoviária Federal, Polícia Civil, Polícia Científica, Defesa Civil e Guarda Civil Municipal.
Neste ano, em comemoração ao bicentenário da Independência, a prefeitura promete uma apresentação especial. “Este é um momento bastante esperado, principalmente pelas crianças. Queremos resgatar a tradição e levar para toda a população um evento grandioso”, afirma Fabiana Zanquetta, secretária de Educação de Rio Preto.
Este ano, o tema sugerido é o “Objetivo de Desenvolvimento Sustentável (ODS) 16 - Paz, Justiça e Instituições Eficazes”, cujo norteador é “promover sociedades pacíficas e inclusivas para o desenvolvimento sustentável, proporcionar o acesso à justiça para todos e construir instituições eficazes, responsáveis e inclusivas a todos os níveis”, conforme a ONU.