Projeto TransplantAR transporta órgãos captados no Hospital de Base em Rio Preto
Iniciativa celebra o 100º voo nessa sexta-feira, 24; família autorizou a doações de todos os órgãos e foram captados coração, pulmões, pâncreas, fígado, rins e córneas

O Hospital de Base de Rio Preto realizou a captação de múltiplos órgãos na manhã desta sexta-feira, 24. Foram captados coração, pulmões, pâncreas, fígado, rins e córneas, ou seja, todos os órgãos possíveis de um ser humano doar. O coração, o fígado e os pulmões serão transportados no centésimo voo do projeto TransplantAR, parceria do governo do Estado de São Paulo com empresas privadas que cedem suas aeronaves para agilizar o transporte de órgãos e salvar vidas.
Um avião particular, pertencente ao Grupo Frigoestrela, de Estrela D’Oeste, chegou ao aeroporto de Rio Preto às 8h para levar coração, fígado e pulmões foram captados e seguirão para São Paulo, onde os transplantes acontecerão em diversos hospitais, dentre eles o IncorSP.
O destino dos demais órgãos ainda não foi definido.
Lançado há quase dois anos, com a primeira missão em setembro de 2024, o programa do governo estadual chamado TransplantAR Aviação Solidária tem como finalidade agilizar e baratear os custos de transporte de órgãos para transplante, utilizando aeronaves particulares.
“Essa é a 14ª vez que podemos contribuir. Só nesse mês de abril é a 2ª vez que a nossa equipe auxilia, podendo salvar até três vidas, algo inédito para nós. São muitos motivos para celebrar essa 100ª missão”, comenta Vadão Gomes, fundador do Grupo Frigoestrela.
Capacitação
Nesta sexta, a Organização de Procura de Órgãos (OPO) do HB reúne especialistas de diversos hospitais da região Noroeste paulista em capacitação que resulta no maior ato de altruísmo, que é o “sim” das famílias. Essa qualificação tem resultado direto na doação de órgãos no HB. Entre 2024 e 2025, a OPO registrou aumento de 10% no número de doadores efetivos, com 75,5% de aceitação das famílias. Esse crescimento expressivo contribuiu para o maior número de transplantes realizados pela Organização: 206 procedimentos no ano passado.
Segundo o nefrologista João Fernando Picollo, coordenador da OPO, a qualificação das equipes é decisiva para esses resultados. “A comunicação adequada em momentos críticos e o cumprimento rigoroso dos critérios de morte encefálica são fundamentais para garantir segurança, confiança das famílias e efetividade no processo de doação”, afirma.
Os cursos de Comunicação em Situações Críticas e o de Determinação de Morte Encefálica, estão sendo realizados nesta sexta-feira, 24, e sábado, 25, no Hyatt Place, em Rio Preto. As capacitações têm como objetivo aprimorar abordagens sensíveis com familiares e garantir a precisão nos protocolos clínicos, etapas fundamentais para o avanço da doação de órgãos e dos transplantes.
A formação em comunicação de situações críticas prepara profissionais para conduzir conversas delicadas com familiares de pacientes em estado grave ou com diagnóstico de morte encefálica. Já o curso de determinação de morte encefálica aborda critérios clínicos e legais, assegurando rigor técnico e padronização dos protocolos. Ambos são considerados pilares para a ampliação da doação de órgãos.