Preso por esquartejamento em Rio Preto chegou a pintar paredes para esconder sangue
Açougueiro de 28 anos lavou a casa onde mora e chegou a pintar paredes para camuflar o assassinato; vítima ainda não foi identificada

O açougueiro de 28 anos preso na noite de sexta-feira, 31, suspeito de matar e esquartejar uma mulher em Rio Preto chegou a pintar paredes para tentar camuflar o sangue da vítima. O crime teria ocorrido dentro da casa dele, um residência de fundos, onde a mulher foi assassinada e teve o corpo dividido em partes, posteriormente descartadas em lixeiras da cidade.
“O imóvel apresentava vários elementos de interesse para a investigação. Havia sinais de grande derramamento de sangue. Ele tentou ocultar isso lavando o local e até pintando paredes para mascarar as manchas”, explicou o delegado André Amorim, da Delegacia de Homicídios. As paredes da cozinha, onde houve o esquartejamento, foram pintadas.
Segundo a Polícia Civil, a investigação começou após o encontro dos restos mortais na segunda-feira. Desde então, policiais da Delegacia de Homicídios realizaram um trabalho contínuo de campo e inteligência.
“Houve um esforço ininterrupto dos policiais civis para identificar tanto a vítima quanto o autor. Fizemos um extenso trabalho de campo, com coleta de depoimentos, imagens de câmeras de segurança e outros elementos, até conseguirmos refazer o trajeto feito por ele para descartar as partes do corpo”, afirmou.
Com a identificação do suspeito - Marciel dos Santos -, a polícia pediu à Justiça mandados de prisão temporária e de busca domiciliar, que foram cumpridos ainda na noite de sexta-feira.
“Assim que conseguimos identificar essa pessoa e a residência dela, representamos ao Poder Judiciário. Tão logo os mandados foram expedidos, fomos a campo e conseguimos localizá-lo na via pública”, disse o delegado.
Durante a perícia, também foram localizados vestígios em roupas e em uma mochila, que teria sido usada para transportar partes do corpo até duas lixeiras, distantes entre 600 e 800 metros da residência. “O que apuramos é que ele fez várias viagens até as lixeiras, carregando as partes do corpo em uma mochila”, afirmou.
A investigação aponta que o crime começou no quarto da casa, onde a vítima estava deitada. Ainda não há confirmação sobre a dinâmica exata da morte. “O que não foi possível precisar até o momento é se houve estrangulamento ou se ela foi atacada diretamente com golpes de faca. Essa dinâmica ainda será esclarecida”, disse o delegado.
O suspeito admitiu informalmente o crime no momento da prisão, mas não apresentou detalhes. “Ele chegou a admitir informalmente o crime, mas não estava em bom estado de consciência. Disse que havia ingerido álcool e usado drogas”, afirmou.
A vítima, ainda não identificada oficialmente, teria sido conhecida por ele poucos dias antes. “Temos informações preliminares de que se trata de uma mulher possivelmente em situação de rua e usuária de drogas, mas isso ainda depende de confirmação”, disse Amorim.
Partes do corpo foram encontradas, como cabeça, membros inferiores e parte do tronco. As mãos não foram localizadas. A estimativa inicial é de que a morte tenha ocorrido entre quinta e sexta-feira, cerca de 72 horas antes da localização do corpo.
O caso foi registrado inicialmente como homicídio e ocultação de cadáver, mas pode ser reclassificado. “Estamos analisando a possibilidade de feminicídio e também apurando se houve violência sexual”, afirmou o delegado.
O suspeito permanece preso temporariamente por 30 dias, prazo que pode ser prorrogado. A Polícia Civil segue com as investigações.