Prainhas do Tietê sofrem com poluição
Monitoramento da Cetesb aponta água com "nata verde" em Mendonça, Sales e Ubarana; ambientalistas cobram mais fiscalização e medidas para conter a eutrofização; três prainhas estão impróprias para banho

Três prainhas da região de Rio Preto banhadas pelo Rio Tietê estão impróprias para banho. É o que mostra o sistema Monitora Tietê, mantido pela Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb). A ferramenta, que utiliza imagens de satélite de alta resolução e inteligência artificial, aponta que as prainhas de Mendonça, Sales e Ubarana registram “nata verde”, formada pela concentração de matéria orgânica, normalmente associada à presença de esgoto.
De acordo com a Cetesb, o painel é atualizado toda sexta-feira. Na última semana, a situação das prainhas da região era a mesma.
A classificação de imprópria, segundo a Companhia, indica que a qualidade da água está comprometida, aumentando o risco de contaminação para os banhistas e tornando desaconselhável o uso da praia para banho.
“Além das altas concentrações de bactérias fecais, uma praia também pode ser classificada como Imprópria em outras situações que desaconselham o contato direto com a água. Entre essas situações estão: a presença de óleo devido a derramamentos de petróleo, a ocorrência de maré vermelha, floração de algas potencialmente tóxicas ou surtos de doenças transmitidas pela água”, consta no site.
Ambientalista e membro da Associação Amigos dos Mananciais (AAMA) em Rio Preto, Décio Afonso Jacintho de Mello Filho afirma que a situação das prainhas da região reflete o desmonte do principal órgão ambiental do Estado de São Paulo, que sofre com cortes orçamentários.
“A inércia da fiscalização não é corpo mole, é um problema estrutural. Há uma tendência de tornar tudo digital. Não adianta drone ou satélite para detectar crimes ambientais se não há fiscal em terra para fechar a torneira da fonte poluidora. O problema da eutrofização das prainhas é conhecido”, afirma, se referindo às indústrias e ao plantio da cana-de-açúcar.
O ambientalista menciona que, sem fiscalização efetiva e sem educação ambiental, solucionar os impactos ambientais custa mais para os cofres públicos do que prevenir.
O vereador Rubens César Avelino (conhecido como César Di Goiás), do município de Adolfo, lidera a Frente de Vereadores pelo Tietê. Por meio de audiências públicas e reuniões com representantes dos governos estadual e federal, o movimento cobra providências contra a eutrofização e a água esverdeada nas prainhas e trechos do Rio Tietê.
“Na última semana, a Cetesb iniciou um projeto-piloto na prainha de Sabino com a instalação de boias inteligentes que dificultam o desenvolvimento das algas. Se apresentar resultado, a tecnologia pode ser incorporada em prainhas da nossa região”, diz.
Segundo informações do Governo do Estado, foram investidos R$ 9 milhões na instalação do sistema composto por 14 boias, que são alimentadas por energia solar. “As boias instaladas emitem ondas de baixa potência, 24 horas por dia, em frequências específicas, que dificultam o desenvolvimento das algas ao impedir que elas permaneçam na superfície da água, onde recebem luz para realizar a fotossíntese”, informa.
A estrutura foi dimensionada para atuar em uma área de aproximadamente 960 mil m² e cerca de 7 milhões de m³ de água.
Apesar do investimento, Cesar considera que a solução depende de aprovação do Projeto de Lei 955/2025, que tramita na Assembleia Legislativa do Estado e torna obrigatória em lavouras a formação de curvas de nível, de modo a interceptar o carreamento de nutrientes em direção aos corpos hídricos.
“É urgente também o tratamento terciário do esgoto. Os governos alegam que é uma solução cara. Mas se não começar, o problema não vai acabar nunca. Neste ano tivemos menos mortandade de peixes, porque os peixes simplesmente sumiram”, denuncia.
O PL 955/2025 recebeu voto favorável das comissões de Constituição, Justiça e Redação e Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável.
Das oito prainhas acompanhadas pelo sistema Monitora Tietê, apenas duas estão classificadas como próprias: Anhembi e Botucatu / Rio Bonito.