Diário da Região
EXECUÇÃO

Policiais militares e mandante vão a júri popular por homicídio em Rio Preto

Dois PMs responderão pelo homicídio de Jefferson Barbosa, morto em 2023, a mando de mulher envolvida em tráfico de drogas

por Joseane Teixeira
Publicado em 26/01/2026 às 21:08Atualizado em 27/01/2026 às 12:10
Gol usado no crime, achado incendiado, continha artefatos bélicos da PM (Divulgação)
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Gol usado no crime, achado incendiado, continha artefatos bélicos da PM (Divulgação)
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A Justiça de Rio Preto pronunciou os policiais militares Alan Victor Soares e Felício Pereira Alonso Soler pelo homicídio de Jefferson Caetano Barbosa, morto com um tiro de espingarda calibre 12 em março de 2023, no bairro Renascer, em Rio Preto. Bianca Nogueira Meireles também foi pronunciada no mesmo processo, como mandante do crime. Investigado por participação na execução, o sargento Rafael Soares foi impronunciado por insuficiência de provas.

A decisão que leva os três acusados a júri popular foi publicada na última sexta-feira, 23, no Diário de Justiça.

Investigação

Investigação realizada pela Delegacia de Homicídios da Deic aponta que Jefferson era traficante de drogas e disputava território com Bianca, com quem tinha rivalidade, havendo notícia de ter tentado matá-la. Em razão disso, ele passou a receber ameaças de morte. Antes de ser executado, Jefferson teria revelado a um familiar que estava sendo procurado por policiais do 9º Batalhão de Ações Especiais (Baep).

Em investigação paralela, a Corregedoria da Polícia Militar apurou que Bianca Meireles teria contratado policiais militares para matar a vítima como vingança pela disputa do tráfico.

Uma testemunha do homicídio indicou que o autor do crime utilizava um Gol azul. Já era sabido pela Polícia Civil que Soler utilizava um veículo com as mesmas características. Isso porque, quatro meses antes do homicídio, ele utilizou um Gol azul para ameaçar um desafeto no bairro Vitória Régia.

Carbonizado

Por meio de câmeras de segurança foi apurado que o carro era furtado. Dois meses após o homicídio, o Gol foi encontrado carbonizado na zona rural de Bady Bassitt.

Dentro dele havia materiais de uso da Polícia Militar, como parte de granadas de gás lacrimogêneo, cartuchos de festim calibre 7,62 e um estojo de munição que pertencia ao CPI-5.

“Tais elementos reforçaram a suspeita de que o crime havia sido cometido por policiais militares”, consta em trecho do relatório de investigação.

Outro indício que relaciona Soler ao homicídio é que ele possuía armas registradas em seu nome, dentre elas uma espingarda calibre 12 e um revólver calibre 38 (cujo projétil possui diâmetro 9mm), ou seja, armamentos compatíveis com os utilizados na execução de Jefferson. Perícia realizada na espingarda calibre 12 de Felício constatou a presença de sangue humano e o revólver calibre 38 não foi encontrado. Questionado, o policial não soube explicar seu destino.

Segundo informações do processo, Jefferson foi vítima de homicídio por disparos de arma de fogo, compatíveis com armas calibre 12 e 9 milímetros. Os disparos atingiram principalmente a cabeça da vítima, a qual foi abordada em via pública e sem chance de reação, indicando ação profissional e planejada.

No Gol incendiado também foi encontrada uma peça de um Fuzil Taurus 556mm, outro armamento registrado em nome de Felício.

Tráfico

“Os fatos concretos são gravíssimos: homicídio motivado por disputas de tráfico praticado por policiais militares em conluio com traficantes”, escreveu a juíza Gláucia Véspoli Oliveira, titular da Vara do Júri, quando aceitou a denúncia do Ministério Público.

Procurados, os advogados Mauro da Costa Ribas Júnior e Renato Soares do Nascimento, que representam os policiais Alan e Soler, responderam em nota conjunta que entendem que “não existem indícios mínimos de autoria com relação a ambos, para fundamentar a sentença de pronúncia, reafirmando a inocência de seus representados”.

O advogado Mateus Galera, que representa Bianca, foi procurado, mas não se manifestou.

Os dois policiais militares e Bianca estão presos preventivamente.

Com a impronúncia, a justiça de Rio Preto concedeu liberdade ao sargento Rafael Soares, porém, ele continua preso no Romão Gomes porque responde a outro processo.

Ainda não há data para o julgamento porque cabe recurso da decisão.