Polícia indicia três familiares de homem morto em bar de Rio Preto
De acordo com as investigações, eles causaram lesões corporais graves na mãe do segurança Keven Novaes, autor dos disparos

A Polícia Civil de Rio Preto indiciou três familiares do empresário Geovani Svolkin da Silva, morto a tiros durante uma briga de bar em outubro do ano passado. O trio foi indiciado por lesão corporal grave contra a mãe do segurança Keven Igor Silveira Novaes, autor dos disparos que mataram Geovani. Keven está preso preventivamente e foi indiciado por homicídio qualificado.
O inquérito, relatado pelo delegado Marcelo Ferrari da Silva, do 1º Distrito Policial, indicia o irmão de Geovani, Marcos Svolkin da Silva, a cunhada, Thaynara Fernandes Cardoso, e a companheira, Carla Gonçalves Carneiro, por terem agredido a funcionária pública municipal Flávia Patrícia Paes Silveira, mãe de Keven. A mulher sofreu fratura em um dos dedos da mão durante a briga generalizada.
Em depoimento, Flávia contou que a família deixava o bar, no bairro Vila Bom Jesus, e seguia para o carro quando ela foi interceptada por duas mulheres e jogada no chão. Ela relata ainda que, sem condições de se defender, foi agredida e sofreu fratura em um dedo da mão direita, além de escoriações por todo o corpo, tendo ficado afastada do trabalho por 45 dias.
Sobre os disparos efetuados pelo filho, ela afirma que nem mesmo os seguranças do bar foram capazes de fazer cessar o “massacre que estavam sofrendo”, que “a todo momento temia por sua vida” e que “não sabe o que poderia ter ocorrido se seu filho não tivesse utilizado aquela arma de fogo”.
Ao todo, cinco pessoas foram indiciadas no inquérito. Além dos três familiares de Geovani, o segurança está respondendo por homicídio qualificado por motivo fútil e recurso que dificultou a defesa da vítima.
“A origem por ciúmes/rixa pode sugerir futilidade, embora o cenário de briga generalizada e agressões pretéritas recomende submissão do ponto ao Tribunal do Júri”, escreveu o delegado, ao fundamentar as qualificadoras. No que diz respeito ao recurso que dificultou a defesa, Ferrari argumenta que o primeiro disparo já fora suficiente para cessar a briga, e a vítima “assim que atingida, evidenciou claramente rendimento colocando as duas mãos sobre a cabeça”.
Dono da pistola que matou Geovani, o pai de Keven, Devair Barbosa de Novaes, foi indiciado por porte ilegal de arma de fogo de uso restrito. Embora tivesse a documentação da Taurus ‘ponto 40’, ele não poderia transportá-la municiada.
Advogado nomeado por Carla, Ademilson Miquita afirmou que recebeu com surpresa o indiciamento. “Ela também foi vítima de agressões. O indiciamento é uma interpretação do delegado, mas no processo será provada a inocência dela”, disse.
Juan Siqueira, nomeado para a defesa de Marcos Svolkin, disse que as lesões descritas no laudo são de natureza leve, como fratura de menos importância no dedo, decorrentes das lesões recíprocas que foram provocadas no contexto da briga generalizada. "A investigação deixou de levar em conta a lesão sofrida pela cunhada do falecido, a Thaynara, que inclusive quebrou o seu pé e não houve o mesmo peso. Essas questões serão tratadas no processo, cujo foco é a responsabilização do autor do crime de homicídio".
O Ministério Público vai analisar o relatório final da Polícia Civil após o dia 7, fim do recesso forense.