RIO PRETO

Caminhoneiro que teria dormido ao volante é indiciado por morte na Washington Luís

Imagens mostram que o motorista teria dormido ao volante e provocado o acidente que matou um homem de 53 anos na Washington Luís

por Joseane Teixeira
Publicado em 08/04/2026 às 23:05Atualizado em 09/04/2026 às 09:41
Câmeras instaladas em caminhão mostram que motorista teria dormido ao volante e causado o acidente na rodovia Washington Luís (Reprodução)
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Câmeras instaladas em caminhão mostram que motorista teria dormido ao volante e causado o acidente na rodovia Washington Luís (Reprodução)
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A Polícia Civil de Rio Preto indiciou o caminhoneiro Aureliano Antônio Messias, de 58 anos, pela morte do advogado Glaucio Rogério Gonçalves Gouveia, 53, após a carreta que ele dirigia descer e esmagar o carro da vítima. Imagens de câmeras internas mostraram que Aureliano teria dormido ao volante. Para o delegado Marcelo Ferrari, o caso se enquadra como homicídio culposo na direção de veículo, crime que prevê pena máxima de 4 anos de detenção. O Ministério Público já sinalizou a intenção de propor Acordo de Não Persecução Penal.

O acidente aconteceu no dia 20 de agosto de 2025, por volta das 16h50, no km 443 da rodovia Washington Luís, em Rio Preto.

De acordo com as investigações, o trânsito no trecho estava lento em virtude das obras de construção da terceira faixa. Gláucio dirigia um Renault Captur na faixa da direita. Logo atrás dele, estava o caminhão-tanque dirigido por Aureliano.

Em depoimento, o caminhoneiro alegou falha nos freios, mas segundo a polícia foi desmentido pelo laudo pericial produzido pelo Instituto de Criminalística.

“O laudo pericial técnico-científico elaborado pelo Instituto de Criminalística concluiu que não havia defeitos mecânicos pré-existentes nos veículos envolvidos, especialmente no caminhão conduzido pelo investigado, o qual era novo e encontrava-se em bom estado de conservação”, consta no relatório final da Polícia Civil.

Para o delegado Marcelo Ferrari, o laudo pericial foi categórico ao apontar que a causa determinante do acidente “decorreu da falta de percepção, por parte do condutor do caminhão Volvo FH, das condições de tráfego à frente, colidindo contra veículo que já se encontrava imobilizado, em local de tráfego lento e sob influência de obras viárias, caracterizando conduta culposa por inobservância do dever objetivo de cuidado”.

Em manifestação nesta segunda-feira, 6, o promotor Dosmar Sandro Valeri escreveu que “as câmeras de segurança existentes no caminhão corroboram a conduta imprudente do indiciado”.

Ele solicitou a folha de antecedentes criminais do motorista para saber se ele faz jus a Acordo de Não Persecução Penal, que prevê reparação do dano ou prestação pecuniária e realização de trabalho comunitário.

O Diário apurou que a esposa de Gláucio e a mãe dele moveram ação de indenização contra Aureliano e a transportadora que ele trabalhava, Videira Transportes, no valor de R$ 4,8 milhões.

A reportagem tentou contato telefônico e por e-mail com Aureliano e o advogado dele, Waltencir Cardoso, mas não houve retorno. A Videira Transportes também não se posicionou até o fechamento desta reportagem. Os familiares da vítima não foram localizados nesta quarta-feira, 8, para comentarem sobre o indiciamento.