SÃO JOSÉ DO RIO PRETO | DOMINGO, 22 DE MAIO DE 2022
REGIÃO

Polícia Civil investiga morte de acusado de tentativa de estupro em Mirassol

Cabe agora ao inquérito juntar os laudos de perícia e ouvir testemunhas para apurar se houve excesso ou não

Arthur Pazin
Publicado em 25/01/2022 às 09:54Atualizado em 25/01/2022 às 19:43

A Polícia Civil de Mirassol está investigando a morte de um homem de 30 anos, acusado de tentativa de estupro a uma ajudante de 27 anos,. Rodrigo Braz Siqueira morreu após ser baleado com dois tiros por um policial aposentado de 59 anos em uma residência no Centro da cidade.

Segundo o boletim de ocorrência, a Polícia Civil entendeu que o autor agiu em legítima defesa. Cabe agora ao inquérito juntar os laudos de perícia e ouvir testemunhas para apurar se houve excesso ou não. Em relação a imagens do local dos fatos, a polícia teve acesso a filmagens da frente da residência. No entanto, o caso teria acontecido em um corredor lateral, o que a família negou à reportagem.

A mãe do acusado, uma mulher de 51 anos, aguarda para dar seu depoimento nos próximos dias. De acordo com o registro policial, ela estava no local dos fatos, sua residência. No entanto, acamada após um acidente, não foi possível narrar sua versão dos fatos à polícia.

Segundo a versão do autor dos disparos, ele foi acionado pelo filho, que não estava no município, para defender sua namorada, que estaria sendo ameaçada por Rodrigo, que estava exaltando, gritando e chutando o portão de sua casa, com uma faca.

O policial aposentado, então, foi até a casa do rapaz para tirar satisfação e contou que foi ameaçado por ele, entrando, assim em luta corporal com Rodrigo, quem acabou atingido com os tiros. Após o fato, o próprio policial aposentado quem acionou a Polícia Militar e o resgate. O policial aposentado apresentou também a arma usada e as munições.

Ainda de acordo com o BO, ao chegar na casa de Rodrigo, os policiais militares encontraram o rapaz caído no chão atrás de um balcão, segurando uma faca de cozinha grande na mão direita. Ele foi socorrido pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) e encaminhado à Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Mirassol, onde não resistiu.

A PM também apurou com o autor dos disparos que segundo a mãe do rapaz, Rodrigo tinha "trantornos mentais e usava medicamentos de uso controlados". 

Versão da família

Em entrevista ao Diário, a irmã da vítima dos disparos, Michely Siqueira, negou a versão apresentada no boletim de ocorrência. Segundo ela, as acusações foram feitas para justificar "tamanha barbaridade" do policial, que "foi com arma em punho na porta da casa, fez dois disparos em direção à cabeça e fez um disparo nas costas na frente da mãe, que estava impossibilitada de prestar socorro ou se defende".

De acordo com ela, o policial acusou o irmão de estupro para justificar o que fez. "Não é possível que um sujeito entre dentro da minha casa e faça o que fez. Meu irmão tinha depressão, mas não era louco", disse a irmã da vítima, que questionou as ameaças feitas pelo irmão e disse aguardar o laudo pericial.

O policial aposentado foi procurado pela reportagem, mas não atendeu ás ligações.

Família se manifesta

Por meio de seu perfil no Facebook, Michely também se manifestou. Ela começou o texto informando que não falaria a respeito do inquérito "para não prejudicar o desenrolar das investigações" e contou que o depoimento de sua mãe será colhido em breve. Leia:

"Hoje vou utilizar esse espaço para me despedir publicamente do meu irmão e peço que respeitem o luto da minha família. Ro, eu te prometi que seria forte, mas já são dias de sofrimento e tem sido muito difícil não ter palavras que console nossa mãe, dói muito ver ela chorando desesperada me perguntando como um SER HUMANO foi capaz de fazer tamanha atrocidade, como alguém minimamente civilizado é capaz de matar um filho na frente da mãe e pior ainda, na frente de uma mãe que está acamada, sem a menor possibilidade de agir, de te defender e se defender, de prestar socorro. Eu não tenho resposta para isso. 
Nossa família está tentando sobreviver, mas tem sido insuportável, porque a verdade é que tiraram sua vida e nos jogaram em uma vala, tiraram o brilho dos nossos olhos. Te mataram Rodrigo, despedaçaram a nossa mãe, me tiraram o direito de ter uma gravidez tranquila, de te ver conhecer minha filha, de vivermos nossos momentos em família. Sinto a dor da sua perda com o olhar de mãe, imagino como deve ser gerar um filho, dar a vida, batalhar dia e noite pelo sustento, pela educação, para dar amor e ter que presenciar o momento em que um sujeito se sente no direito de invadir sua casa e acabar com tudo. Mas nossa mãe é tão integra meu irmão, que em meio a tanta dor ela ainda tem forças para agradecer por não ser você quem vai se apresentar a Deus com as mãos sujas de sangue, não foi você que cometeu crime algum, descanse com a convicção de que lutaremos todos os dias para provar que essas acusações que estão tentando lhe imputar são falsas. Seremos a sua voz e buscaremos a verdade, defenderemos sua memória, pois é para isso que existe lei. Não há regalia de farda alguma que nos impeça de buscar por justiça. Nos te amamos! Até breve ♡"

 
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