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ADOÇÃO ALÉM DOS PAPÉIS

Piquenique em Rio Preto celebra adoção com histórias de afeto e convivência

Evento da Associação GAA Entrelaços terá atividades para crianças e reunirá famílias adotivas, pretendentes e pessoas interessadas no tema neste domingo, 24, na Cidade da Criança

por Salomão Boaventura
Publicado há 2 horasAtualizado há 2 horas
Famílias do GAA Entrelaços no piquenique do ano passado; encontro promove manhã de convivência e acolhimento sobre adoção infantil (Reprodução/Instagram @gaaentrelacos)
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Famílias do GAA Entrelaços no piquenique do ano passado; encontro promove manhã de convivência e acolhimento sobre adoção infantil (Reprodução/Instagram @gaaentrelacos)
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Muito além da burocracia, dos formulários e das filas judiciais, a adoção também é feita de encontros, reconstruções afetivas e, principalmente, histórias. Em celebração ao Dia Nacional da Adoção, lembrado em 25 de maio, a Associação Grupo de Apoio à Adoção (GAA) Entrelaços promove, neste domingo, 24, um piquenique aberto a famílias formadas pela adoção, pretendentes à adoção e pessoas interessadas no tema. O encontro será realizado às 9h30, na Cidade da Criança, em Rio Preto.

Com proposta colaborativa, o evento convida os participantes a levarem um prato de alimento e uma bebida para compartilhar. A programação também inclui atividades para as crianças, como mágico, pintura no rosto, pipoca e algodão-doce.

Segundo Vanja Barbosa, tesoureira da associação, o GAA se reúne com frequência. “Nós nos reunimos uma vez por mês para troca de experiência. A gente sempre leva um profissional, como psicólogo, ou até da Vara da Infância, para fazer instrução para famílias que ainda buscam adoção. Eu estou com meu filho desde o ano passado e fiquei sete anos na fila. Posso afirmar que a troca de experiência é a melhor coisa”, explica.

Vanja ressalta que o encontro deste domingo vai além de uma confraternização. “Todos os anos, fazemos o piquenique próximo do dia 25 de maio, que é o Dia Nacional da Adoção, para chamar a atenção sobre essa causa, porque as pessoas ainda têm muito preconceito referente à adoção. Porque é uma forma diferente de você construir uma família”, afirma.

Ela explica que o evento se tornou, ao longo dos anos, um espaço de acolhimento e troca entre pessoas que vivem diferentes etapas do processo adotivo. “O piquenique é um momento de troca de experiências, de convivência de quem quer adotar e de quem já adotou”, pontua.

Segundo Vanja, o contato entre famílias ajuda a desfazer dúvidas e inseguranças que costumam acompanhar quem inicia o processo. “Quem vai para a Vara da Infância para se candidatar à fila de adoção participa de um curso preparatório, indicado pelo assistente social e psicólogo. Nesse curso, eles pedem a participação do nosso grupo, porque ele enriquece. Ali, muitas dúvidas são sanadas”, pontua.

Ela destaca que não existe uma única experiência de adoção e que justamente essa diversidade fortalece os vínculos criados dentro do grupo. “São histórias diferentes e belas. A Jane, presidente do GAA, na época em que solicitou a adoção, seriam duas crianças. Porém, quando ela soube que havia um grupo de irmãos de quatro crianças, ela adotou os quatro. A Liane, que é filha por adoção, depois que casou teve dois filhos biológicos e uma por adoção”, recorda.

Vanja também tem sua história na adoção. “Eu sou da diretoria do grupo e fui casada; na época, eu entrei com meu ex-parceiro no processo de adoção. Independentemente de que o casamento não deu certo, eu queria ser mãe. Saiu o divórcio em um dia e, no outro, eu liguei na Vara da Infância, porque eu queria o processo unilateral de adoção. Três anos depois, chega o meu filho. Tem outras pessoas que estão chegando agora no grupo. Então, são várias situações, pois o mundo da adoção é extremamente rico em uma disposição de amor e afeto, que nem eu imaginava que seria tanto. E a gente se envolve, não tem como”, conta.

O grupo também atua como rede de apoio para famílias que enfrentam processos mais complexos de adaptação e acolhimento. “Tem um casal que adotou um menino de 12 anos, o que é diferente de um bebê, pois a vivência dessa criança foi muito grande, o que ela sofreu foi muito grande. Então, imagina o quanto esse casal precisa de apoio”, afirma Vanja.

A proposta do piquenique é justamente criar esse ambiente de proximidade em um contexto leve e acessível, aproximando famílias, futuros pais e mães e pessoas interessadas em compreender melhor o universo da adoção — um caminho marcado por desafios, mas também por relações construídas na escolha cotidiana do afeto.