Passa de 130 o número de vítimas do calote da revenda de veículos
Delegado apreendeu dois computadores do empresário durante cumprimento de mandado de busca e apreensão. Acusado está desaparecido

A Polícia Civil apura um possível esquema de fraude envolvendo a garagem de revenda de veículos em Rio Preto denominada Veronezi Veículos. Segundo o delegado Jonathan Marcondes Stopa, do 3º Distrito Policial, ao menos 130 clientes já procuraram a polícia relatando prejuízo após negociações feitas com a empresa de Rodrigo Veronezi, que continua sem ser localizado.
Nesta segunda-feira, 16, foram cumpridos três mandados de busca e apreensão, dois em endereços apontados como residências do empresário responsável pela garagem e um na sede da empresa, no bairro Maceno. Durante a ação, dois computadores foram apreendidos e encaminhados para perícia no Instituto de Criminalística.
Para se organizarem, as vítimas até criaram um grupo de WhatsApp que contava, até a tarde de segunda-feira, com 137 pessoas. Elas compartilham informações e vão tentar acionar o empresário na Justiça para receber o dinheiro da venda de seus veículos e lutar por indenização pelo dano moral sofrido.
O empresário passou a ser investigado na semana passada após denúncias de que teria vendido ou financiado veículos de terceiros e não repassado os valores aos proprietários. O imóvel, localizado na rua Bernardino de Campos, permanece fechado e com o pátio praticamente vazio.
De acordo com o delegado, o número de vítimas continua aumentando. Após a divulgação do caso, outras pessoas que também fizeram negócios com a empresa procuraram a polícia relatando prejuízos financeiros.
Os computadores apreendidos serão analisados por meio de extração de dados eletrônicos. A investigação busca identificar como funcionava a empresa, quais contas bancárias eram utilizadas e quem eram as pessoas e instituições envolvidas nas negociações.
Durante o cumprimento dos mandados, o investigado não foi localizado nos endereços indicados. Segundo o delegado, o depoimento dele é considerado fundamental para esclarecer o que ocorreu nas negociações dos veículos.
Outro ponto que dificulta a investigação é a ausência de um advogado representando formalmente o empresário. Até a tarde desta segunda-feira, nenhum defensor havia procurado a Delegacia Especializada de Investigações Criminais para falar oficialmente em nome do investigado.
Além dos clientes, a polícia também apura denúncias de que funcionários e prestadores de serviço da garagem teriam sido prejudicados, já que estariam sem receber pagamentos. Há ainda uma dívida de três meses de aluguel do imóvel onde funcionava a revendedora.
Segundo o delegado, somente após ouvir clientes, funcionários e prestadores de serviço será possível dimensionar o tamanho total do prejuízo financeiro causado pelo esquema. Até o momento, não há mandado de prisão expedido.