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INQUÉRITO

Para Polícia Civil, não há indícios de homicídio na morte de pescador de Duplo Céu

Testemunha afirmou ter visto policiais ambientais jogando pescador no Rio Turvo

por Joseane Teixeira
Publicado em 03/08/2026 às 13:27Atualizado em 03/08/2026 às 13:27
Manoel Martines Mendes (Arquivo pessoal)
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Manoel Martines Mendes (Arquivo pessoal)
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A Polícia Civil concluiu o inquérito que apurava as circunstâncias da morte do pescador Manoel Martines Mendes, 30 anos, nas corredeiras do Rio Turvo, em outubro do ano passado, no distrito de Duplo Céu. Para o delegado Luciano Birolli, a versão da testemunha, que afirmou ter visto a vítima sendo jogada na água por policiais ambientais, restou isolada dos demais elementos de prova. Birolli optou por não indiciar os agentes. Na mesma linha, a Polícia Militar também concluiu que não há indícios de crime militar, mas pediu apuração sobre suposto crime de falso testemunho.

“Vou até São Paulo se preciso”, manifestou Antônio Pereira Mendes, pai do pescador, que ficou decepcionado com o desfecho.

A reportagem apurou que o inquérito já foi relatado e remetido ao Ministério Público.

Apurado inicialmente como afogamento, o inquérito sobre a morte de Manoel teve uma reviravolta após uma mulher de 36 anos procurar a família da vítima para relatar que tinha visto o homem ser jogado no rio por uma equipe de fiscalização da Polícia Ambiental.

“Ela me disse que não estava conseguindo conviver com isso e que precisava me dizer o que viu. Então concordou em dar depoimento na delegacia”, contou o pai de Manoel ao Diário.

Na ocasião, o delegado Luciano Birolli disse à reportagem que se tratava de uma testemunha idônea.

A mulher estava na outra margem do rio, em um local conhecido como “Poço do Zezão”, e afirmou que viu quando Manoel chegou. Ele ainda não tinha começado a pescar quando foi surpreendido pelos policiais. Um deles teria dito: “eu falei que ia te pegar”.

Segundo a mulher, Manoel foi agredido com um soco, segurado pelo pescoço e jogado no rio. O corpo dele foi encontrado dois dias depois.

Manoel já havia sido processado duas vezes por pesca ilegal. Em um deles, foi absolvido.

Em depoimento, os policiais disseram que o homem pulou no rio para escapar da abordagem, após ser flagrado por drone pescando em área proibida.

Em razão do horário e das fortes correntezas, a equipe seguiu para um local onde o sinal de telefone pegava e acionou o Corpo de Bombeiros.

Confronto de versões

Em depoimento, a testemunha disse que estava acompanhada de um homem com quem mantinha relacionamento. Ele foi ouvido e negou ter estado no local.

Outros pescadores também foram intimados e disseram que não viram mulher pescando às margens do Turvo, tampouco qualquer grito de socorro ou situação de afogamento, sendo informados posteriormente sobre a ocorrência.

Para o delegado do caso, a versão da testemunha ficou isolada. Sem outras provas que evidenciassem prática de homicídio, ele optou por não indiciar os quatro agentes que fizeram parte da ocorrência.

O Inquérito Policial Militar (IPM) também foi concluído e arquivado, sem identificar indícios de crime militar. Ao contrário, pediu investigação contra a mulher por falso testemunho.

“A Polícia Ambiental disse que flagrou meu filho por meio de drone. Onde estão essas imagens?”, questiona o pai de Manoel.

Revoltado com o desfecho do caso, ele afirmou que vai procurar o advogado e verificar que providências ainda não possíveis.

“Vou procurar a Corregedoria (da PM) em São Paulo”, acrescentou.

O inquérito foi remetido ao Ministério Público. Por meio de uma funcionária, a promotora de justiça Jéssica Silveira Prado disse que não falaria sobre o caso por se tratar de segredo de justiça.