PARA ALÉM DA CLÍNICA
Famerp completa 35 anos formando enfermeiros para o cuidado integral, não apenas na atenção básica ou em hospitais

Quando se fala em enfermagem, a primeira coisa que vem à mente da maioria das pessoas é o cuidado, seja na atenção básica, seja em média e alta complexidade. A profissão, no entanto, vai muito além disso. “Gestão, auditoria, consultório de estética, amamentação e lesões de pele; cuidado com a pessoa idosa, organização, formação de instituições sérias e de qualidade de longa permanência, home care; eu mesmo tive a honra de servir como enfermeiro militar nas forças armadas”, conta o professor doutor Renato Mendonça Ribeiro, docente e subchefe do Departamento de Enfermagem em Saúde Coletiva da Famerp.
O curso de enfermagem da Faculdade de Medicina de Rio Preto (Famerp), o único público de Rio Preto, completou neste domingo, 23 de agosto, 35 anos de história - Renato é, inclusive, filho de outra docente da instituição, a professora doutora Rita de Cássia Helú Mendonça Ribeiro, chefe do Departamento de Enfermagem Geral da Famerp.
Todos os anos, a Famerp oferece 60 vagas para a graduação em Enfermagem, que dura cinco anos e é em período integral, atraindo concorrentes de todo o País. Ana Maria Neves Finochio Sabino, de 68 anos, é a coordenadora do curso. “A Famerp me proporcionou grande desenvolvimento profissional. Atualmente, recebemos alunos de praticamente todos os estados.”
Os alunos têm a oportunidade de estagiar no complexo Funfarme, um dos maiores hospitais-escola do Brasil, que abrange instituições como Hospital de Base, Hospital da Criança e Maternidade e Ambulatório.
Maria Clara Barcelos Villar, de 23 anos, está no 3º ano do curso. Ela sempre gostou da área da saúde, mas acabou optando pela Enfermagem pelo encanto que tem com a humanização, com olhar para o paciente como um todo, e não apenas para a doença que estiver apresentando no momento. “É muito gratificante conseguir fazer um cuidado adequado específico e ver a melhora”, diz.
Ela até prestou vestibular em outras universidades, mas acabou escolhendo a Famerp. “Tem um ótimo hospital para aprender, professores que são renomados na área, além da proximidade com a minha cidade, pois sou de Barretos. Por aqui temos aulas práticas do que aprendemos em sala de aula e contato com diversas especialidades mais a fundo. Você não apenas ouve falar ou lê sobre algo, mas consegue ver de perto como funciona.”
A estudante ainda não decidiu por qual área seguir, mas sonha em fazer uma residência para se especializar e, futuramente, mestrado e doutorado para compartilhar seus conhecimentos com jovens alunos.
Sonho que a enfermeira e docente Daniele Alcalá Pompeo, de 49 anos, já realizou. Formada pela Famerp, ela fez mestrado e doutorado em outras instituições, mas sempre com o objetivo de retornar à sua primeira casa.
“A Famerp não me deu apenas uma formação profissional, ela ajudou a construir a minha identidade. Foi aqui que eu cresci, amadureci e comecei a compreender que ser enfermeira envolve muito mais do que adquirir conhecimentos e habilidades técnicas”, garante. “Envolve responsabilidade, ética, compromisso com o outro, capacidade de escuta e respeito à dignidade humana.”
Em sua avaliação, é por meio do conhecimento científico que é possível tomar decisões seguras, interpretar evidências, cuidar com qualidade e transformar vidas. “Mas esse conhecimento só ganha sentido quando é colocado a serviço do outro. O melhor enfermeiro é aquele que nunca deixa de estudar, que pensa criticamente, trabalha em equipe e compreende que cada decisão pode impactar profundamente a vida de alguém”, conclui.