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RIO PRETO

Oficina em Rio Preto capacita médicos para diagnóstico precoce da doença renal

Para o rastreamento, exames simples são suficientes, como a dosagem de creatinina no sangue e o exame de urina

por Marco Antonio dos Santos
Publicado em 21/07/2026 às 15:49Atualizado em 21/07/2026 às 16:00
Médicos passam por oficina sobre rapido diagnostico de doença renal (Marco Antonio dos Santos)
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Médicos passam por oficina sobre rapido diagnostico de doença renal (Marco Antonio dos Santos)
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Uma oficina promovida pela Sociedade Brasileira de Nefrologia (SBN) reuniu cerca de 180 médicos da rede pública em Rio Preto com o objetivo de reforçar o diagnóstico precoce da doença renal crônica (DRC), condição que atinge cerca de 10% da população brasileira.

A iniciativa foi voltada principalmente a profissionais da atenção básica, responsáveis pelo primeiro atendimento dos pacientes. Segundo os especialistas, identificar a doença nas fases iniciais é fundamental para evitar a progressão para quadros mais graves, que podem exigir hemodiálise ou transplante.

De acordo com o nefrologista Rodrigo Ramalho, médico do Hospital de Base e professor da Famerp, a capacitação busca orientar médicos a adotar medidas para impedir seu avanço. “A doença renal crônica é silenciosa no início. Por isso, o papel do médico da atenção primária é essencial para diagnosticar e orientar o paciente antes que haja perda significativa da função dos rins”, afirmou.

Os especialistas destacam que os principais grupos de risco são pessoas com hipertensão, diabetes, obesidade e doenças cardiovasculares. Nesses casos, o acompanhamento deve ser contínuo, mesmo sem sintomas aparentes.

Quando surgem sinais como inchaço, pressão alta de difícil controle e urina espumosa, a doença já pode estar em estágio avançado. “Esse é o grande problema. Nos estágios iniciais, quando ainda há possibilidade de intervenção, a doença não apresenta sintomas claros”, explicou um dos médicos participantes.

Para o rastreamento, exames simples são suficientes, como a dosagem de creatinina no sangue e o exame de urina. Também pode ser solicitada a relação albumina/creatinina urinária, que ajuda a avaliar a função renal.

A nefrologista Patrícia Abreu destacou que a doença pode ser evitada em muitos casos. “Um em cada dez brasileiros tem doença renal crônica. As principais causas são hipertensão, diabetes e obesidade. Com controle dessas condições e exames simples, é possível diagnosticar precocemente e retardar a evolução”, disse.

Outro alerta feito durante o evento foi sobre o uso indiscriminado de medicamentos, especialmente anti-inflamatórios, que podem prejudicar os rins. Além disso, especialistas orientam que o uso de creatina por praticantes de atividade física deve ser precedido de avaliação médica, principalmente para descartar problemas renais.

O presidente da SBN, José Moura Neto, afirmou que houve aumento no número de pacientes em diálise nos últimos anos, impulsionado pelo envelhecimento da população e pelo crescimento de doenças crônicas. “Quando diagnosticamos cedo, conseguimos retardar a progressão da doença e reduzir a necessidade de diálise”, disse.

Segundo ele, o tratamento também evoluiu e inclui diferentes modalidades além da hemodiálise, como a diálise peritoneal, com melhora na qualidade de vida dos pacientes.

A oficina integra um projeto nacional iniciado em 2025 e tem como foco capacitar profissionais da atenção primária, onde são atendidos cerca de 95% dos pacientes com doença renal crônica.

Representantes da área de saúde destacaram que a formação dos médicos pode impactar diretamente a população. A estimativa é de que o conhecimento adquirido alcance dezenas de cidades e beneficie cerca de 1 milhão de pessoas na região.

O Hospital de Base de Rio Preto é referência no atendimento a pacientes renais e conta com uma das maiores unidades de hemodiálise do interior paulista. A demanda pelo serviço tem crescido nos últimos anos, acompanhando o avanço da doença na população.