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O luto e a dor de perder o ‘melhor amigo’

Evento “Meu Pet, Nossa História” debate luto pet e faz lançamento do livro “Meu cachorro morreu, e agora?”, de Leandro Sosi, tutor da Golden Retriever Julieta

por Francela Pinheiro
Publicado há 1 horaAtualizado há 1 hora
Leandro Sosi, tutor de Julieta, afirma que o luto pet é um sentimento profundo (Divulgação)
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Leandro Sosi, tutor de Julieta, afirma que o luto pet é um sentimento profundo (Divulgação)
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A ausência na porta de casa, o silêncio na rotina e a falta daquele olhar fiel transformam a perda de um animal pet em um luto pouco debatido, mas impossível de ignorar – o luto pet. Com o título “Meu Pet, Nossa História”, o Pet Paz Crematório, em Rio Preto, realiza no próximo sábado, 30, um evento para debater o tema e lançar o livro “Meu cachorro morreu, e agora?” de Leandro Sosi, tutor da icônica Golden Retriever Julieta.

O luto pet ganha espaço no debate como um processo legítimo de sofrimento emocional, marcado pelo vínculo. Para quem vive a despedida, não é “apenas um pet”, mas a partida de uma companhia fiel. Leandro Sosi, tutor de Julieta, afirma que o luto pet é um sentimento profundo. “Quando Julieta se foi, eu chorei por três dias. Tive a sensação de ter chorado muito mais do que quando meu pai havia falecido, dois anos antes. Foi naquele momento que me dei conta de que luto tem a ver com vínculo”, contou.

Para Sosi, quanto maior o vínculo com o animal, mais profundo pode ser o processo de luto. “Naquele momento da minha vida, com 42 anos, eu havia criado mais vínculo com a Julieta do que com meu pai”, disse. “É preciso ficar bem claro que não se trata de amar mais a Julieta do que meu pai. Não é questão de amor, é apenas uma questão de força do vínculo e significado”, reforçou.

A empresária Fernanda Sanfelice, tutora da Princesa por 15 anos, afirma que o luto pet é um sentimento difícil de explicar. “Envolve amor, rotina, companheirismo e uma conexão verdadeira construída ao longo dos anos”, contou. A empresária relata que a dor da partida é irreparável. “Deixa um vazio enorme porque eles não oferecem apenas companhia; oferecem amor puro, lealdade e presença diária. E quem vive esse luto entende que não é ‘só um animal’, é um membro da família que parte e leva consigo uma parte de nós”, afirmou.

Despedida que também ‘partiu o coração’ da tutora da Nicole, a empresária Gelmara Fausta da Silva. Nicole, uma cachorrinha Shih Tzu, nasceu em 2015, em Uberlândia (MG) e viveu com Gelmara por 10 anos até se despedir da família em janeiro, durante um tratamento de saúde. “Mesmo muito debilitada devido ao tratamento e a doença ela esperou eu chegar do trabalho, quando entrei na sala chamei-a pelo nome ela deu seu último suspiro”, contou.

Mãe de três rapazes, a empresária afirmou que a partir da despedida da ‘filha caçula’ começou o processo de luto e dor. “Eu coloquei ela como filha na minha vida e foi assim durante todos os anos que ela conviveu comigo, com os meus filhos, com as pessoas”, afirmou. A passagem de Nicole deixou marcas profundas. “Ela entregou a mim o amor mais puro e genuíno que nós podemos receber porque o ser humano ama, mas ama em troca de algo. Já o amor dos animais é puro. E eu fui muito amada, muito mesmo”, relatou.

Perda que para o professor de História e Sociologia Vinícius de Matos Rodrigues é dolorosa. “É muito doloroso. Mas acredito que nesses momentos difíceis, temos que nos apegar ao amor que eles nos deram em vida”, afirmou. E para a despedida, dignidade. “Eu decidi cremar a Amarlua para poder fazer uma cerimônia de despedida onde sua vida seria celebrada”, disse. De resto, apenas gratidão pela amiga. “Sou muito grato e só tenho memórias lindas da Amarlua.”

Incompreensão

Para a empresária Gelmara falta empatia da sociedade para que o sentimento da perda de um pet seja compreendido. “Falta muita empatia. Eu vejo isso hoje por estar vivendo o luto da Nicole. Tem aquelas pessoas que entendem a nossa dor, que tem uma palavra de conforto, mas isso é 5%. O restante não entendem, acham ‘ah, mas era um cachorro. Arruma outro”, mas coisas não funcionam assim”, disse.

O tutor de Julieta, Leandro Sosi, disse que o luto pet é “assustadoramente subestimado”. Para Sosi, a negligência vem do tabu como a morte é retratada. “Nossa cultura baseada em culpa e pecado nos coloca em uma posição de introspecção, vergonha e medo de falar sobre o assunto, como se não tivéssemos o direito de sentir o que estamos sentindo, principalmente, quando se trata de animal de estimação”, disse.

Por isso, segundo Fernanda, é importante debater o luto pet. “Quando se trata do luto pet, infelizmente o luto ainda é muito negligenciado, como se a dor pela perda de um animal não tivesse importância, mas quem vive essa experiência sabe o quanto ela é profunda e real”, ressaltou. “A Princesa foi cremada e teve seu velório para a despedida e isso fez toda a diferença no nosso processo de luto”, completou.

“Meu Cachorro Morreu, e Agora?”

O legado de Julieta virou palavras, parágrafos e capítulos do livro “Meu Cachorro Morreu, e Agora?” que será lançado no dia 30 para falar que o luto pet pode ser um convite para mais sentido nas nossas vidas. “Esse tipo de luto, com o devido acolhimento, pode abrir portas para verdadeiras mudanças de percepção sobre os animais, nossas experiências e sobre nós mesmos. Pavimenta-se um belíssimo caminho de cura constante e autoconhecimento”, convidou.

O livro será lançado no Evento “Meu Pet, Nossa História”, no Pet Paz Crematório, no próximo sábado, das 8h às 12h, com roda de conversa e coffee break, com participação gratuita com inscrição. Para Sonia Caprio, gerente do Pet Paz, a iniciativa é uma resposta a necessidade social urgente de debater o luto pet. “Vivencio essas despedidas diariamente e sei que, em muitos casos, o pet é o companheiro mais próximo de uma pessoa. Validar essa dor é um ato de humanidade”, destacou.

Serviço

“Meu Pet, Nossa História”

Horário: 8h `s 12h

Data: Sábado, 30 de Maio

Local: Pet Paz Crematório (Rua Moacir Amadeu, 1057, São Francisco)

Inscrições: Gratuitas pelo (17) 98138-9158