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Nova central de abastecimento 'acelera' trens em Rio Preto

Promessa da Rumo é de dar mais segurança a sistema sob risco constante

Marival Correa
Publicado em 29/11/2021 às 20:53Atualizado em 30/11/2021 às 08:27
Nova central, em Araraquara, é capaz de abastecer um locomotiva em 20 minutos (Reprodução/Facebook)

Nova central, em Araraquara, é capaz de abastecer um locomotiva em 20 minutos (Reprodução/Facebook)

Um dos gargalos da movimentação dos trens que passam por Rio Preto, o abastecimento das locomotivas que puxam as composições da concessionária Rumo deixou de ser feita a partir deste mês de novembro. A operação logística que tende a tornar o transporte ferroviário mais ágil e com menos paradas dentro da cidade foi possível depois que a empresa inaugurou, no mês passado, em Araraquara uma central que passou a concentrar o abastecimento de todas as locomotivas no trecho entre Rondonópolis (MT) e o porto de Santos.

Se a estratégia funcionará na prática e aliviará ao menos em parte o tráfego férreo por Rio Preto ainda não é possível constatar devido ao curto espaço de tempo em funcionamento do novo sistema. Mas ao confirmar a desativação do posto de abastecimento dentro do perímetro rio-pretense – no que é chamado de “desmobilização”, seguindo “todas as regras ambientais e de segurança” –, a Rumo afirmou ao Diário que a medida acarretará um “menor transit time (tempo de trânsito necessário para movimentar produtos ou cargas fisicamente entre dois pontos distintos), redução na emissão de CO2 e no consumo de combustível, e para diminuir o volume de composições circulando pelo centro do município, que sempre foi notadamente uma demanda da comunidade”.

A “demanda da comunidade” à qual a concessionária se refere é motivada pelo tráfego ferroviário intenso que chegam à média de 20 composições diariamente nas idas e vindas entre o complexo portuário santista e a região Centro-Oeste, de onde saem principalmente grãos e combustíveis, agora com 120 vagões cada uma delas e não mais os 90, aproximadamente, que rodavam antes.

Um tráfego constante que deixa desde o inconveniente das interrupções no trânsito, ao som contestado incessante dos apitos (ou buzinas) das locomotivas, até aos riscos ambientais causados pela possibilidade de descarrilamentos e acidentes que já produziram uma tragédia que acabou de completar oito anos – no dia 24 de novembro de 2013, um trem descarrilou no Jardim Conceição matando oito pessoas e ferindo outras cinco.

Rota do perigo

A constante movimentação dos trens no perímetro urbano de Rio Preto inclui pontos sensíveis em termos ambientais – uma vez que passa muito próximo da Represa Municipal, que abastece cerca de 25% do município – e de segurança. No dia 23 de abril de 2008, uma locomotiva bateu na lateral de dois vagões carregados com 59 mil litros de óleo diesel durante manobra realizada bem em frente aos tanques instalados no polo de distribuição de combustíveis situado de frente para a avenida Cenobelino de Barros Serra, no Parque Industrial.

Com o impacto, houve forte explosão: 15 mil litros de diesel se incendiaram e outros 20 mil litros vazaram, sendo que a metade (10 mil litros) contaminou o córrego Piedade e o rio Preto. O combate às chamas, que levaram mais de duas horas para serem controladas, mobilizou 46 veículos do Corpo de Bombeiros, além dos apoios da PM e da Defesa Civil, interditou uma área de quase 2 km devido ao risco de novas explosões e forçou cerca de 30 famílias a deixarem suas casas às pressas.

‘Pit stop’ de locomotiva

A Rumo inaugurou, no início de outubro, uma supercentral de abastecimento de locomotivas no Pátio de Tutóia, localizado em Araraquara, como parte das contrapartidas previstas para renovação do contrato de concessão da Malha Paulista. Este é considerado o maior investimento feito pela companhia em infraestrutura ferroviária em São Paulo, num total estimado em R$ 140 milhões.

O hub, ou centro de logística, unifica o processo de abastecimento de trens vazios e carregados da Rumo, no trecho entre Rondonópolis-MT e Santos.

O complexo de abastecimento de combustível tem três postos, capacidade de armazenamento de 1,2 milhão de litros de diesel e atenderá a Malha Paulista e toda a “Operação Norte” do sistema (linha do Mato Grosso que se conecta à Malha Paulista e forma o maior corredor de grãos do País, via Porto de Santos), podendo abastecer até quatro trens simultaneamente. O que antes demorava ao menos duas horas, agora leva apenas 20 minutos, numa espécie de “pit stop” de locomotivas. (MC)

 
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